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Capítulo 1.1 Laura Montanari

Author: Milla Almeida
last update publish date: 2026-09-16 19:47:45

Ele passou por mim sem esperar resposta. O perfume ficou no ar, preso às minhas narinas como uma marca invisível. Permanece parada por alguns segundos, o coração ainda descompassado, os documentos amassados contra o peito. As pernas pareciam feitas de borracha. Mas não podia me dar o luxo de ficar parada então segui em direção aos elevadores...

No vigésimo sétimo andar, um homem chamado Ricardo me recebeu com um sorriso que não chegava aos olhos. Ele me conduziu até uma mesa de vidro posicionada exatamente em frente a uma porta de madeira escura e pesada.

- O senhor Leoni exige pontualidade, discrição e perfeição - informou sem rodeios. - Qualquer erro é motivo de demissão imediata. Boa sorte.

Assenti, engolindo em seco.

Já tô ha ideia da fama dele, e pelo visto não é apenas rumores.

Me sentei. Liguei o computador. Tentei me concentrar nos e-mails que já estavam à minha espera.

Mas a cada poucos minutos meus olhos se desviavam para a porta fechada. Não vou mentir depois que ele retornou para sala, ele passou aqui que nem mesmo uma alma viva fica por perto, todos abrem caminho para ele passar e isso me faz lembrar de nunca estar no seu caminho. Ainda sentada tentando fazer o meu melhor fico olhando em direção da sua sala do outro lado daquela madeira estava o homem que me segurara pela cintura como se tivesse todo o direito de fazer aquilo. O homem cujos olhos pretos ainda queimavam na minha mente. O homem que, com apenas três segundos de contato, conseguira me desestabilizar por completo e fazer o chão desaparecer sob os meus pés.

Apertei as mãos uma na outra em cima da mesa, tentando acalmar o tremor que ainda não tinha passado completamente.

Não era assim que o primeiro dia deveria começar.

E, no fundo, eu já sabia que nada daquilo seria simples.

Porque Vitório Leoni não era um homem qualquer.

E o choque que sentira ao esbarrar nele ainda ecoava no meu corpo como um aviso quente e perigoso.

Tentei esquecer tudo o que me acontecera na chegada. Parecia que o trabalho naquele lugar não parava. O senhor Leoni permanecia o tempo todo dentro da sala, e o entra e sai era constante: reuniões, documentos urgentes para assinar, pessoas entrando e saindo com expressões tensas. Toda vez que meu telefone na mesa tocava sentia um arrepio, por sorte a voz do outro lado, era forte e direta me fazendo enteder sem precisar que repita. E não leve desaforo logo no primeiro dia. Ao contrário o assistente dele não parava por um segundo sequer, quando não estava redigindo algo, estava separando pastas e documento que precisava da atenção do senhor Leoni.

Fui despertada do meu estado quase hipnótico quando Ricardo parou ao lado da minha mesa.

- Você já pode almoçar. Eu continuo aqui, mas fique atenta ao telefone. Caso eu precise, eu ligo.- Ele diz e parece não ligar que mau finalizar uma frase e já está que nem louco procurando algo.

- Ok, pode deixar.

Saí da  minha mesa sem nem olhar para trás, não queria ter risco para voltar em minha mesa. Sai da empresa, aqui parece que todos vivem em uma correria, mal param para falar ou comprimentos , é sempre trabalho e foco, segui em direção em uma lanchonete na esquina, parecia família, e tranquilo, então seria perfeito para fazer minha refeição depois da tensão que é trabalhar para senhor Leoni.

Assim que fiz o pedido, aproveitei para ligar para minha mãe, precisando ouvir uma voz familiar que fizeram acalmar por dentro.

- Laura! Minha filha! Já estava ansiosa. Como está sendo o seu primeiro dia? Eles te trataram bem, minha filha? Você já comeu?

- Calma, dona Olívia! Uma pergunta por vez! - forcei uma leveza que não sentia. - E não se preocupe, mãe. Está sendo tranquilo. Estão sim, mãe. Já fiz o meu pedido, só estou esperando chegar. E não se preocupe tudo vai dar certo, sabia que seria corrido então eu dou conta! E o papai já chegou?

- Ainda não, mais sei que ele está ansioso para saber como foi o seu primeiro dia, agora trate de se alimentar, lembre-se te amo muito filha!

- Eu sei, mãe! Farei isso, eu também te amo, beijos, até a noite!

Desliguei e fiquei olhando para a tela do celular por alguns segundos, o sanduíche ainda nem tocado.

O gosto na boca era só de mentira.

Porque, no fundo, eu já sabia:

nada ia ser tranquilo.

Não depois daqueles olhos pretos, daquela mão na minha cintura.

Não depois de Vitório Leoni.

Mais eu precisava manter o foco, não queria ser demitida no primeiro dia de trabalho, então me forcei a comer para poder seguir de volta para empresa e assim quem sabe finalizo o meu dia mais tranquila.

Quando estava terminando o meu lanche meu celular vibrou, era mensagem do Caio meu vizinho/ amigo confidente.

Boa tarde, Lala!

Como está sendo o seu primeiro dia Leoni Global Energy?

Você ainda está viva?

Qualquer coisa pode me ligar que estarei aí ao seu lado, enfrentando esse monstro sem coração!

Leio e fico rindo com suas brincadeiras, na verdade eu sempre tive uma paixonite pelo Caio, mais acredito que ele me veja só como uma irmã, então tento esconde o que sinto por ele.

Respondo sua mensagem.

Boa tarde, Caio! Estou bem sim,  e pode ter certeza que está sendo incrível trabalhar aqui!

Pode ter certeza que irei ligar para meu melhor amigo caso dê algum problema!

E sim, já percebi que ele é sem coração! Então me deixa ir que já finalizei o meu almoço! Até mais tarde! Beijokas!😘

Envio e não espero para ver a sua resposta e já sigo para empresa apressando meus passos, não quero que o Ricardo chame minha atenção!

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