LOGINLEÓN ABRIU OS OLHOS NA SUÍTE DE LONDRES E SUA CABEÇA PULSAVA COM UM RITMO SURDO E PESADO, DIFERENTE DE QUALQUER RESSACA QUE JÁ TIVESSE TIDO ANTES, SENTIA-SE DESCONECTADO DO PRÓPRIO CORPO, COM OS MEMBROS PESADOS, COMO SE TIVESSE ESTADO NADANDO EM UMA PISCINA DE GELATINA. SENTOU-SE NA CAMA, TONTO, OS LENÇÓIS DE SEDA ESTAVAM REVIRADOS E O AR CHEIRAVA A SEXO, CHAMPANHE E AO PERFUME INTENSO DE KATYA.
—Não pretendo desmentir isso com um comunicado.Darío parou de caminhar pelo escritório.—Há cinco minutos você queria provar que era mentira.—E vou fazer isso, mas não dizendo que é mentira.Victoria girou o computador na direção dele. Na tela havia uma pasta com notas fiscais, contratos e comprovantes bancários.—Vou publicar as contas.Darío franziu a testa.—Que contas?—As do escritório. Contrato de locação, caução, computadores, licenças, salários, móveis. Tudo pago com a minha conta pessoal.—Você não tem motivo para mostrar suas finanças a ninguém.—Não. Mas quero fazer isso.—Para satisfazer um jornalista?—Para tirar a arma das mãos dele.Victoria pegou
—Não vou desistir.Victoria deixou o telefone sobre a mesa de reuniões e olhou para os quatro membros do Comitê de Ética que apareciam na tela.Haviam se passado menos de três horas desde que recebera a suspensão e ela já estava sentada no pequeno escritório que acabara de alugar. Ainda havia caixas encostadas nas paredes, três escrivaninhas vazias e uma cafeteira que parecia mais velha do que ela.Não era exatamente o nascimento glorioso de um escritório de arquitetura.Mas era seu.—Senhorita Armand —interveio um dos advogados—, ninguém está solicitando que se retire voluntariamente. Estamos avaliando se pode continuar participando.—Então vamos poupar tempo. Qual regra descumpri?Houve um breve silêncio.—Nenhuma até este momento.—Perfeito.—O problema &eac
Victoria deixou três pastas, um computador e um copo de café caírem sobre a mesa da sala.—Preciso de um escritório.Darío levantou os olhos do telefone.—Bom dia para você também.—Bom dia. Preciso de um escritório.—Você tem um estúdio inteiro na casa nova.Victoria olhou para ele como se acabasse de dizer uma estupidez.—A casa nova continua com pedreiros entrando e saindo, não temos luz em metade dos cômodos e ontem encontrei um vaso sanitário no meio do que será nossa sala.—É temporário.—O vaso sanitário também, espero.Darío deixou o telefone de lado.Eram pouco mais de sete da manhã. Victoria estava acordada desde as cinco, revisando pela terceira vez as regras do edital da Phoenix Capital.Faltavam onze dias para se
—Como assim você está morando com ele?Nuria deixou o catálogo de arranjos florais sobre a mesa com tanta força que uma das amostras de tecido caiu no chão. Victoria permaneceu sentada diante dela, na sala da mansão, enquanto Darío ocupava o sofá à sua direita. León escolhera uma poltrona próxima e fingia verificar as mensagens em seu telefone.—Exatamente como ouviu, mamãe. Estou morando com Darío.—Mas vocês ainda não se casaram.—Faltam menos de duas semanas.—Doze dias —corrigiu Nuria—. Tempo suficiente para manter um pouco de decência e seguir certos costumes.Victoria olhou para Darío. Ele mantinha um braço estendido sobre o encosto do sofá, atrás dela, e a expressão de quem fazia um esforço considerável para não intervir.&m
—Não sabia que agora você também tinha uma porteira —disse Alex quando Victoria abriu a porta.Ela estava descalça, com o cabelo preso de qualquer jeito e uma xícara de café na mão. Acabara de acordar e não estava com disposição para ouvir provocações antes do café da manhã.—E eu não sabia que você precisava marcar hora para visitar Darío. Bom dia, papai.León demorou a responder. Seu olhar passou de Victoria para os livros de arquitetura empilhados sobre uma cadeira e, depois, para os sapatos femininos junto à entrada.—Bom dia, filha.Alex entrou atrás dele e voltou a olhar para os sapatos.—Você está morando aqui?—Não. Meus livros chegaram sozinhos e eu vim me assegurar de que não roubassem a cafeteira.Darío apareceu
A mala com a qual Victoria passara uma semana entrando e saindo do apartamento caiu sobre o tapete do closet. Ela parou diante dos armários abertos.Darío havia levado a bagagem até ali em vez de deixá-la ao lado do sofá, como nas outras noites. Victoria entendeu o motivo assim que viu o espaço que a esperava.Do lado esquerdo estavam os ternos de Darío, suas camisas escuras e uma fileira de sapatos que parecia nunca ter pisado em uma rua. Do lado direito não havia nada. Gavetas vazias, prateleiras limpas e mais de vinte cabides esperando por roupas.—O que você fez?Darío continuava apoiado no batente da porta, com a gravata frouxa e as mãos nos bolsos.—Abri espaço.—Isso eu já percebi. Por quê?—Porque quero que você more aqui enquanto terminamos a casa.Victoria se virou para ele.—E se







