LOGINSeis meses depois, eu ainda continuava viajando pelo mundo.Mas agora não estava mais sozinha.Theodore permanecia ao meu lado em cada nova cidade, como se já tivesse se tornado parte natural da minha vida.Durante esse período, precisei voltar ao país uma única vez.Para me divorciar de Claude.Até hoje não sei exatamente o que fez ele mudar de ideia, mas, depois daquela última ligação, Claude finalmente concordou em assinar os papéis sem resistência.Mais do que isso.Ele revisou o acordo por conta própria e deixou praticamente todos os bens para mim.E, sinceramente?Depois de tudo o que sofri, eu não tinha motivo algum para recusar dinheiro grátis.Assinei o divórcio sem hesitar.Quando encontrei Claude pessoalmente outra vez, quase não o reconheci.Ele estava muito mais magro.Pálido.Os olhos afundados denunciavam noites sem dormir, e havia algo quebrado na expressão dele, como se estivesse sobrevivendo apenas por insistência.Parecia um homem à beira do colapso.
Nos meses seguintes, passei a permanecer apenas sete dias em cada cidade antes de partir para a próxima.Claude sempre chegava tarde demais.Quando descobria onde eu estava, eu já tinha ido embora novamente.Era como se estivéssemos presos em um eterno desencontro.Mas Theodore…Theodore parecia sempre saber exatamente para onde eu iria em seguida.No começo, aquilo me incomodava.Depois, começou a me tranquilizar.E, sem perceber, acabei me acostumando com a presença dele.Com o tempo, parei até de esconder meus próximos destinos. Às vezes contava para qual cidade queria ir antes mesmo de decidir completamente.Então Theodore organizava hotéis.Pesquisava restaurantes.Montava roteiros.E simplesmente aparecia.Aquela sensação de ter alguém ao meu lado sem pressão começou a curar partes de mim que eu achava que nunca mais voltariam ao normal.Enquanto isso, Claude continuava tentando entrar em contato comigo.Toda vez que eu bloqueava um número, ele aparecia com outro.
No primeiro mês depois que fui embora, viajei para uma cidade litorânea que sempre sonhei conhecer.Eu precisava descansar.Precisava respirar.Precisava aprender a existir sem carregar dor o tempo inteiro.Meu corpo ainda estava fraco por causa do aborto, e eu mal conseguia caminhar longas distâncias sem sentir cansaço.Foi naquela cidade que reencontrei Theodore Ramsey.Meu antigo colega de faculdade.Como eu não conhecia ninguém ali, Theodore acabou me ajudando muito durante aquele primeiro mês.Ele me levava comida quando eu esquecia de comer.Me acompanhava até consultas médicas.E, nos dias em que eu simplesmente não conseguia sair da cama, aparecia silenciosamente com café quente e remédios.Theodore nunca fazia perguntas demais.Nunca tentava arrancar respostas à força.Ele apenas permanecia ao meu lado.E talvez tenha sido exatamente isso que começou a me assustar.Sempre fui sensível quando se tratava de sentimentos.Por isso, não demorou muito para eu percebe
A respiração de Claude ficou pesada.Cada palavra de Mabel ainda ecoava violentamente na cabeça dele.Porque, se quem tivesse atendido aquela ligação fosse Angelina…Se ela tivesse ouvido tudo aquilo…Como teria sobrevivido?Os dedos dele apertaram o celular com força enquanto tentava conter a raiva crescente.— Mabel… você está cavando a própria cova.Do outro lado da linha, o silêncio durou alguns segundos.Então a voz dela surgiu trêmula:— Claude… não é o que você está pensando. Me deixa explicar…Mas ele já não conseguia mais ouvi-la.Desligou imediatamente.Naquele instante, a única coisa que Claude queria era fazer Mabel pagar por tudo o que tinha feito.Foi então que um carro freou bruscamente diante da casa.Brandon saiu praticamente correndo.Os olhos dele estavam vermelhos de desespero.Assim que alcançou Claude, agarrou-o pelo colarinho.— Onde está a Angelina? Por que ela não atende minhas ligações?Claude ficou olhando para ele por alguns segundos.Entã
Na fotografia, Alex aparecia abraçando uma jovem.O sorriso dela era quase idêntico ao que Alicia tinha quando era mais nova.O rosto de Alicia perdeu completamente a cor.As mãos dela começaram a tremer antes mesmo que lágrimas brotassem de seus olhos.— Quem é essa mulher? — a voz saiu falha. — Como você pôde fazer isso comigo?Alex apenas soltou uma risada fria.Depois de ser descoberto, nem tentou mais fingir.— Não foi com você que eu aprendi esse tipo de coisa?Ele ajeitou calmamente o paletó antes de continuar:— Foi você quem empurrou a Mabel para o Claude. Eu apenas cometi o mesmo erro que todo homem comete. Não é como se eu pretendesse trazer aquela mulher para dentro de casa.O olhar dele deslizou rapidamente até Mabel.— Pelo menos não vai nascer outra criança ilegítima na família.Depois disso, simplesmente virou as costas e foi embora.Alicia desabou no sofá.Os ombros tremiam enquanto ela chorava sem conseguir se controlar.— Nós estamos casados há trinta
Quando Claude chegou em casa, não encontrou nenhum sinal de Angelina.Apenas a governanta.Assim que entrou, perguntou imediatamente:— Onde está a Angelina?A governanta pareceu surpresa com o estado dele.— A Sra. Frey saiu ontem e ainda não voltou. Mas ela disse que deixou um presente para o senhor.O coração de Claude apertou imediatamente.A surpresa estava no quarto do bebê.O mesmo quarto que eles haviam decorado juntos durante a primeira gravidez de Angelina.Depois da morte da criança, ela nunca mais conseguiu entrar ali.Desde então, o cômodo permaneceu fechado.Claude empurrou a porta lentamente.O cheiro suave de madeira e talco infantil ainda permanecia no ambiente.Então seus olhos encontraram um envelope sobre a mesa.Mas, antes mesmo de alcançá-lo, seu pé bateu em uma caixa transparente esquecida no chão.Ela caiu.Centenas de seringas se espalharam pelo quarto.Rolando em todas as direções.Claude congelou.Aquelas eram as seringas das fertilizações







