Masuk~~ Jade ~~— O que houve? — perguntei, sentindo o estômago revirar.— O Edward disse que o que aconteceu não foi um acidente.— O quê? — Fiquei de pé num sobressalto. — Tentaram matar o Giovanne de propósito?— Ele ainda está muito confuso, às vezes fala coisas desconexas, mas repetiu várias vezes que não foi um acidente. Ele falou sobre carros pretos… E me pediu para procurar um tal de D’Ávila.— D’Ávila? — Franzi o cenho, confusa.— Sim. Eu pesquisei, ele é o CEO de uma empresa de auditoria forense — Valentina explicou do outro lado da linha. — Talvez eles tenham contratado os serviços deles.— Você acha que esse D’Ávila está envolvido no atentado?— Não, amiga… Raciocina. Eles devem ter descoberto algo muito grave, alguma sujeira pesada.— Então… Tentaram calar os dois? Por isso ele viajou de repente para Boston e não me deixou vir junto… — deduzi, o pavor me gelando a espinha.— O Edward ainda não consegue explicar com clareza. Depois eu tento tirar mais detalhes dele, mas por pre
~~ Jade ~~— Dona Eleanor… — Dei um passo para trás, cobrindo minha barriga com a mão em um gesto puramente defensivo. — Desde quando a senhora está aí?— Está grávida… — Seus olhos desceram para a mão. — Grávida de quanto tempo? Por que eu não soube disso antes?— Ele não quis… Não queria que ninguém em Boston soubesse.— Ele pretendia esconder o meu neto de mim?!— Não! — Minha voz falhou, atropelada pela exaustão e pela dor. — Nós só estávamos protegendo o nosso bebê porque… porque vocês me odeiam! Porque você sempre me tratou com desprezo!— Você fez a cabeça do meu filho! — ela acusou, dando um passo em minha direção. — Envenenou o Giovanne contra a própria família!— Eu não fiz nada! — rebati com os dentes cerrados, as lágrimas escorrendo quentes e descontroladas pelo meu rosto. — Ele tomou essa decisão sozinho!Eleanor calou-se abruptamente. Passou a mão trêmula pelos cabelos, e caminhou até a beira do leito de Giovanne. Fitou o rosto pálido e entubado do filho como se buscasse
~~ Valentina ~~O táxi disparou pelas ruas de Boston em direção ao Massachusetts General Hospital. No banco traseiro, eu segurava Jade com força, sentindo o corpo dela tremer de enquanto lágrimas mudas desciam por seu rosto pálido. Ela parecia anestesiada, com as mãos cravadas na barriga como se aquele bebê fosse sua única força.Com as mãos trêmulas, peguei meu celular e busquei o contato de Grace, a irmã de Edward. Disparei a chamada rezando para que ela atendesse em meio ao caos.— Hey? Valentina? — a voz dela soou chorosa.— Grace, por favor, me diz que você tem notícias! — falei em inglês — Onde eles estão? Como o Edward está?— Nós estamos no MGH… — Grace respirou fundo, tentando conter os soluços. — Foi horrível, Valentina. O carro despencou do viaduto. O estado do Giovanne é crítico, os médicos disseram que a atividade cerebral dele está quase imperceptível… Mas o Edward… Ele passou por uma cirurgia e já recuperou a consciência, mas ainda está confuso.Um breve momento de alív
~~ Jade~~Conseguimos um voo que sairia ainda na madrugada. Falei para minha mãe que a nossa presença havia sido solicitada com urgência, inventando uma desculpa corporativa qualquer, e fizemos as malas rapidamente.Uma vez no avião, o silêncio reinava. Valentina estava com o olhar distante, perdido no encosto da poltrona à nossa frente. Eu chorava em silêncio, com as mãos firmemente apoiadas em meu ventre, temendo o que estava por vir.— Ele não passava nem duas horas sem ligar ou mandar mensagem… — murmurei com a voz embargada.Valentina também derrubou uma lágrima, apertando minha mão com força.— Ele não ia brincar comigo desse jeito. Isso não pode ser uma brincadeira. Ele sabe que eu não tenho psicológico para essas coisas… — Amiga… — Valentina disse em um tom suave. — Eu acho que o Giovanne jamais faria algo para te estressar dessa forma, principalmente agora, com a gravidez…Assenti, o choro se aprofundando e rasgando minha garganta.— Você também acha que aconteceu algo sério
~~ Jade ~~A saudade que eu sentia parecia ter peso físico. Eram apenas dois dias longe de Giovanne, mas se arrastavam como uma eternidade. Naquela terça-feira, eu havia acordado com o peito apertado, um tanto chorosa e tudo o que eu queria era o som da sua voz para acalmar o turbilhão de sentimentos que a gravidez e a distância traziam.Era fim de tarde quando o meu celular finalmente vibrou. Atendi de imediato, com um sorriso aliviado nos lábios:— Oi, meu amor! Já está a caminho do aeroporto? — perguntei esperançosa.A voz dele soou um pouco tensa do outro lado da linha, cortando a euforia que eu sentia:— Oi, baby… Infelizmente tive um contratempo e terei que ficar mais um dia. Amanhã de manhã tenho uma assembleia com o conselho, mas prometo que logo estarei aí.O meu sorriso murchou na mesma hora. Fechei os olhos, sentindo uma frustração imediata apertar meu peito.— Mais um dia? Mas você tinha prometido…Antes que eu pudesse reclamar mais, a voz animada de Edward invadiu a linha
~~ Giovanne ~~Naquela noite, já no aconchego do nosso quarto, conversei com Jade com cautela:— O Edward me ligou hoje… Parece que terei que ir para Boston em algum momento. Preciso participar de algumas reuniões importantes.— Houve algum problema? — Ela me olhou de forma analítica. Esforcei-me ao máximo para manter a postura neutra:— Apenas burocracias, nada demais.— Hmm… Dessa vez você não vai marcar nenhum encontro misterioso com a ex, vai?Soltei uma risadinha nervosa, puxando-a para perto:— Claro que não, meu amor.— Tudo bem… Então eu vou com você. Será que podemos levar a minha mãe para passear? Ela não conhece o exterior.Senti um aperto imenso no peito. — Sinceramente, eu não quero que você vá agora, meu amor.— Por quê?— Te quero longe daquelas pessoas, de todo o estresse que aquele lugar te causa… Principalmente agora — falei, repousando a palma da mão sobre o seu ventre com um sorriso terno que me escapou sem esforço. — Temos que pensar no nosso filho em primeiro lu







