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Quando o Amor Vira a Faca
Quando o Amor Vira a Faca
Author: Miley

Capítulo 1

Author: Miley
Depois que me recusei a doar meu útero para minha irmã, o amigo de infância com quem cresci passou a me odiar profundamente, a ponto de me colocar na cama de um herdeiro de uma família poderosa.

Aureliano Vasconcelos tinha desejos intensos na cama, mas não gostava de mulheres que se ofereciam por conta própria.

Todos aguardavam, ansiosos, para assistir à minha ruína, mas ninguém imaginava que ele acabaria me mimando como ninguém.

Ao longo dos três anos de casamento, ele sempre fazia questão de se envolver comigo em todo tipo de lugar.

Na varanda, na cozinha, no carro e até mesmo em banquetes luxuosos.

Bastava eu ir ao banheiro, e ele me seguia, me pressionando contra a pia.

Nunca usávamos proteção e, ainda assim, eu nunca engravidava.

Até que, ao suspeitar que estivesse grávida e ir ao hospital para fazer exames, acabei ouvindo por acaso a conversa entre ele e o médico:

— Aureliano, há três anos você me fez transplantar secretamente o útero da Juliana para a irmã dela, e agora quer que eu a engane, dizendo que ela nasceu infértil. Como consegue ser tão cruel com uma mulher que te ama?

— Não há outra escolha. Se a Isabela não puder ter filhos, provavelmente vai sofrer na família do marido. Ela é a única compatível.

Aquela voz masculina, tão familiar, soava fria a ponto de se tornar irreconhecível. Foi então que percebi que o amor e a redenção em que sempre acreditei não passavam de mais um engano.

Já que é assim, então eu vou embora.

...

No fim do corredor do hospital, o médico que acabara de declarar, com firmeza, que eu sofria de infertilidade falou, com uma expressão estranha:

— Coitada... Ainda acha que está grávida. Na verdade, são apenas efeitos colaterais dos medicamentos reguladores hormonais que prescrevi. É por isso que ela não para de vomitar.

Aureliano franziu levemente a testa.

— Então substitua por um medicamento com menos efeitos colaterais. Não quero que o corpo dela sofra nenhum tipo de dano. A Isabela talvez ainda precise do corpo dela no futuro.

— Você não tem medo de que, um dia, ela descubra a verdade e passe a te odiar? Ela sempre quis ter um filho seu, sem saber que jamais poderá ser mãe nesta vida.

A voz do médico já carregava um tom de compaixão.

— Se ela me odiar, não há o que fazer. Eu simplesmente não consigo suportar ver a Isabela sofrer. — Disse Aureliano, agora com impaciência na voz. — Quanto a ela, já conseguiu o lugar de Sra. Vasconcelos. Não é suficiente?

...

Fiquei parada no canto do corredor, o corpo tremendo incontrolavelmente.

"O lugar de Sra. Vasconcelos? Então era isso que ele pensava."

Tudo o que eu tinha agora não vinha do amor... Mas do preço do meu útero.

Senti minhas forças se esvaírem de repente, e meu corpo cedeu.

Caí de forma desajeitada no chão, sentindo uma dor lancinante que parecia atravessar todos os meus órgãos. Eu sequer tinha forças para me levantar.

Ao me ver, Aureliano veio rapidamente, me ajudou a levantar e fixou em mim o olhar, com aqueles olhos negros e profundos.

— Como você caiu? Quando chegou?

Com a mão escondida dentro da manga, apertei com força. Eu sabia que, naquele momento, confrontá-lo não me traria nenhum benefício. Como sempre, apenas me aninhei docilmente em seus braços.

— Acabei de chegar... O salto era alto demais, torci o pé.

A tensão em seu rosto finalmente se dissipou. Ele me pegou no colo e caminhou para fora, dizendo em voz grave:

— Não use mais sapatos tão altos.

Olhei para aquele rosto que um dia me fez perder a cabeça... E um frio infinito tomou conta de mim.

"Quando foi que ele mandou o médico retirar meu útero? Foi naquela cirurgia de apendicite, três anos atrás?"

Naquela época, eu só sentia um leve desconforto, mas fui diagnosticada com apendicite e levada imediatamente para a cirurgia.

Aureliano ficou tão nervoso que reservou um andar inteiro do hospital e reuniu a melhor equipe médica para me operar.

Eu pensei que ele me amava profundamente, que não suportava me ver sofrer nem um pouco.

Agora percebo... Eu não passava de um cordeiro criado em cativeiro.

Ele cuidava de mim com todo zelo apenas para, no momento certo, arrancar um pedaço de mim e oferecê-lo à minha irmã.
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