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Capítulo 3

作者: Miley
Minha mãe já havia preparado uma mesa inteira com os pratos favoritos de Isabela para comemorar a gravidez dela.

Isabela cobriu o nariz, dizendo que não estava com apetite, e Aureliano sugeriu mandar a babá que cuidava de mim para a casa dela, para cozinhar para ela.

Isabela curvou levemente os lábios, apontou para mim e disse:

— Melhor não, não é? Olhe para a Juliana, parece que ela não está feliz. Eu não quero que vocês entrem em conflito por minha causa.

Minha mãe imediatamente franziu o cenho e me repreendeu:

— Você nem está grávida. Por que não consegue cuidar de si mesma? Desde criança, você sempre foi egoísta. Basta pedirem que faça qualquer coisa, e você já começa a reclamar como se estivesse sofrendo.

Minha mãe me deu à luz apenas para retirar o sangue do cordão umbilical e tratar a doença da minha irmã. Aos olhos dela, eu nunca passei de uma ferramenta para curar minha irmã, sem o menor direito de desobedecer.

Eu não quis discutir. Larguei os talheres e fui até o pequeno quarto onde eu costumava ficar, querendo apenas um pouco de silêncio, mas descobri que agora o lugar havia se transformado em um depósito.

As lágrimas escorreram de repente, e eu as enxuguei às pressas.

— Está fazendo birra por causa do Aureliano? Parece que você ainda não entendeu o seu lugar. Eu e o Aureliano temos anos de história, não é algo com que você possa competir. — Isabela entrou atrás de mim, com um tom de orgulho evidente.

Soltei uma risada irônica:

— Então por que você não se casa com ele?

O sorriso dela se aprofundou, quase sombrio:

— O que não se pode ter é sempre o melhor. Eu quero que ele nunca me esqueça, que seja o meu apoio para sempre.

Fiquei sem palavras. Meu olhar parou na barriga dela e, sem perceber, minha mão se aproximou.

Isabela sorriu com ainda mais satisfação e se inclinou até o meu ouvido, sussurrando:

— Está com inveja? Que pena... Você nunca mais vai poder ter filhos nesta vida, porque o seu útero está dentro da minha barriga. Ouvi dizer que viver sem útero é muito sofrido. É preciso tomar remédios a vida inteira para repor hormônios, e ainda há efeitos colaterais graves. Quando eu disse isso ao Aureliano, ele ficou com medo de que eu sofresse e, na mesma hora, disse que me ajudaria. Foi por isso que ele se casou com você, apenas para te enganar. Ah, e ele também disse que a minha saúde sempre foi frágil, que precisava te manter bem para qualquer eventualidade. Você deveria me agradecer. Você não passa de um recipiente para mim. Neste mundo, ninguém te ama de verdade.

Meus dedos se cravaram na própria carne, e ergui a mão para lhe dar um tapa, mas, de repente, a porta foi aberta.

Na entrada, Aureliano estava com o rosto tomado pela fúria. Ele avançou, agarrou meu pulso com força e gritou:

— O que você está fazendo? Como você pode bater na sua irmã?

Soltei um riso carregado de desprezo:

— Por quê? Está com pena dela? Se você se importa tanto, por que não leva ela para casa e a mantém como uma princesa?

Nunca havia falado com ele com tanta dureza. O homem ficou levemente atônito, prestes a responder.

De repente, Isabela levou a mão ao ventre, com o rosto tomado pela dor:

— Não briguem por minha causa... A culpa é minha, eu deixei minha irmã infeliz. Se ela me bateu, é porque eu mereci. Não preciso mais da babá, só peço que minha irmã não me bata de novo.

A expressão de Aureliano se tornou imediatamente sombria. Ele me lançou um olhar duro:

— Juliana, peça desculpas!

Apertei as mãos com força, as unhas quase cravando na carne, tentando conter o tremor do meu corpo.

— Você quer que eu peça desculpas? Aureliano, você sequer sabe o que aconteceu?

— Chega! — Aureliano me interrompeu sem hesitar. — Juliana, você me decepciona demais. Quando foi que você se tornou assim? Ela é sua irmã. Mesmo que sinta inveja, não deveria levantar a mão contra ela!

Depois de dizer isso, ele nem sequer me lançou mais um olhar. Apenas tomou Isabela nos braços e saiu.

Vi Isabela com o rosto escondido no ombro dele, exibindo a postura de quem venceu, sorrindo para mim com provocação.

Mas aquilo já não me atingia mais.

Eu não voltaria a me importar com aquele homem, nem um pouco.

Peguei um táxi de volta para casa para arrumar minhas coisas, quando, de repente, recebi uma mensagem de Aureliano no WhatsApp.

[A Isabela está muito abalada. Vou te dar mais uma chance. Venha hoje à noite e peça desculpas pessoalmente. Não me obrigue a mandar alguém ir atrás de você!]

O tom dele não admitia contestação, como se já tivesse decidido que eu era a única culpada.

Ainda fez questão de me lembrar de comprar um presente para a minha irmã como pedido de desculpas.

O que ele não sabia era que eu já havia arrumado minhas malas.

Peguei um táxi direto para o aeroporto.

Dentro do carro, enviei a ele a última mensagem no WhatsApp:

[Certo. Vou preparar um grande presente.]

Depois de enviar, retirei o chip do celular, parti-o ao meio, abri a janela e o joguei para fora, deixando tudo para trás.

Na manhã seguinte, um pacote expresso foi entregue no escritório do presidente do Grupo Vasconcelos.

Aureliano abriu a encomenda, e de dentro caiu uma folha leve.

Bastou um olhar. Seu rosto mudou drasticamente. Com as mãos trêmulas, pegou o telefone e fez uma ligação.

Do outro lado, ninguém atendeu.
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