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Capítulo 2

Autor: Miley
Durante o jantar, Aureliano insistiu em me fazer comer uma pequena tigela de arroz.

Com uma expressão suave, segurava a colher como se quisesse me alimentar.

— Se você não se alimentar direito, como o seu corpo vai melhorar?

"Se o meu corpo não estiver bem, não poderei fornecer um órgão saudável para a minha irmã, não é?"

Ao encarar o rosto à minha frente, tão gentil e refinado por trás de uma máscara cuidadosamente construída, senti uma nova onda de náusea subir dentro de mim.

Corri para o banheiro, tranquei a porta e, ignorando as batidas e as perguntas do homem do lado de fora, vomitei tudo o que havia acabado de comer.

O celular dentro da bolsa vibrou de repente.

[Você já decidiu mesmo ir embora daqui?]

Segurei o telefone e não pude deixar de lembrar o tom frio de Aureliano ao dizer aquelas palavras.

[Sim. Quanto antes, melhor.]

Pouco depois, Aureliano mandou uma empregada buscar a chave para abrir a porta. Ele franziu a testa ao me ver.

— Vomitou de novo? Pare de tomar aquele tônico que receitei da última vez e tome o novo.

Ele mentia para mim todos os dias. Era evidente que estava me dando hormônios, mas dizia que eram suplementos.

Antes, eu realmente desejava ter um filho dele. Por mais amargos que fossem os remédios, eu os engolia sorrindo, cheia de esperança.

Agora, pensando bem... Como fui tola.

Levantei o rosto e o encarei, inexpressiva.

— Eu estou morrendo? Pode me dizer a verdade? Quanto tempo ainda me resta?

Um traço de pânico atravessou o rosto sempre sereno dele. De repente, ele me puxou para um abraço, com a voz tensa.

— Não diga bobagens. Você ainda vai ficar comigo por muito, muito tempo.

As palavras de amor dele eram sempre bonitas. Assim como, nos últimos dois anos, sempre que eu mencionava gravidez, ele dizia que não suportaria me ver sofrer com isso.

Na verdade, ele já sabia que eu não podia mais ter filhos. Ainda assim, todos os dias me via me esforçar para me recuperar, tomando todo tipo de remédio amargo e desagradável.

Sonhando com a chegada de um filho, com uma vida feliz a três.

Assim é melhor. Sem um filho, não haverá laços entre nós.

E eu poderei partir limpa, sem amarras.

Antes de dormir, Aureliano parecia possuído, insistindo em me ter por um longo tempo. Ele me proibiu de voltar a mencionar a palavra morte.

Eu apenas suportei, apática. Quando tudo terminou e ele adormeceu ao meu lado, peguei o celular que ele havia deixado na mesa de cabeceira e fui até o banheiro.

A senha da tela era o meu aniversário. Por causa disso, eu nunca havia checado o telefone dele. Agora percebo que ele se aproveitou justamente dessa minha confiança.

Ao abrir o WhatsApp, descobri que o nome salvo da minha irmã era Isa.

Isa.

Era exatamente o nome que ele murmurava, em meio à intimidade, com a voz baixa demais para que eu entendesse claramente.

Então... Nunca foi o meu nome que ele chamava. Ele apenas me usava como substituta de Isabela Ferraz.

Que ironia cruel.

Com os dedos trêmulos, abri a conversa entre eles.

E só então percebi.

Enquanto eu suportava, dia após dia, os efeitos colaterais dos hormônios, vomitando constantemente, ele havia criado uma fundação beneficente para Isabela, esperando que suas boas ações fossem suficientes para garantir a saúde dela pelo resto da vida.

"Ele quer acumular virtude para ela... Então, e os pecados que cometeram contra mim, quem vai pagar por eles?"

As lágrimas caíram sem que eu percebesse. Mordi o lábio com força, tirando print de cada mensagem, enquanto a dor dentro de mim já havia se transformado em torpor.

Imediatamente, fui a um hospital fazer exames.

O médico olhou meu relatório, franzindo profundamente a testa.

— Quantas cirurgias você já fez? Como assim está faltando um rim e o útero? E ainda há sinais de lesão no fígado...

Sorri amargamente.

— Muitas. Já nem me lembro. Nesse estado... Quanto tempo ainda posso viver?

O médico não quis dar uma resposta definitiva. Suspirou e apenas me aconselhou a manter a calma e não me preocupar demais.

Ao sair do hospital, fui até a empresa de Aureliano. Queria falar oficialmente sobre o divórcio.

A recepcionista me barrou. Eu disse que era esposa de Aureliano.

Ela me olhou com desprezo.

— Muita gente quer ser a Sra. Vasconcelos. Pelo menos olhe para você antes de tentar fingir. A verdadeira Sra. Vasconcelos está lá em cima neste momento.

Meu peito apertou. Sem alternativa, liguei para Aureliano na hora, mas ele não atendeu.

O sorriso de deboche da recepcionista se aprofundou.

Esperei em silêncio no andar de baixo. Esperei até tarde, até ver com meus próprios olhos Aureliano saindo do elevador, carregando Isabela nos braços.

No instante em que nossos olhares se encontraram, ele pareceu constrangido.

— Você... O que faz aqui? Bem... A Isabela torceu o pé. Ela está grávida, não pode se movimentar muito, então eu a ajudei.

Isabela se aninhou nos braços dele, sorrindo suavemente.

— Juliana, seu cunhado está viajando a trabalho no exterior. Vou pegar emprestado o seu marido para cuidar de mim, está bem?

A única palavra que ecoava na minha cabeça era grávida.

Isabela... Usando o meu útero... Estava grávida.

Uma dor aguda atravessou meu peito como uma lâmina, me fazendo quase perder o ar.

— Aureliano, preciso falar com você.

— O que for, falamos depois. A Isabela está com fome. Vamos primeiro para a casa da sua mãe jantar.
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