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مؤلف: Karol Dark
last update تاريخ النشر: 2026-10-02 17:06:53

A dor veio antes que eu pudesse abrir os olhos.

O segundo golpe de Aisha acertou minha têmpora, e por um instante, o mundo inteiro se transformou em um flash branco de agonia. Eu senti o gosto de ferro na boca, o calor do sangue escorrendo pelo canto dos lábios, e uma vertigem tão intensa que minhas pernas quase cederam. Minhas mãos agarraram o parapeito de pedra com força, os dedos brancos de desespero, e eu forcei meus olhos a se abrirem.

Aisha estava na minha frente, o sorriso dela largo e triunfante, os olhos verdes brilhando com uma satisfação cruel.

— Ah, você ainda está de pé? — Ela inclinou a cabeça, fingindo admiração. — Isso é admirável, Anika. Patético, mas admirável. Vamos ver quanto tempo você aguenta.

Ela ergueu a mão novamente, e eu me encolhi, esperando o terceiro golpe. Mas antes que ele viesse, ouvi uma voz atrás dela.

— Chega.

Era Derek. Por um momento, meu coração traiçoeiro saltou com esperança. Ele tinha mudado de ideia. Ele ia me ajudar. Ele ia dizer a Aisha para parar.

— Você está demorando muito. — A voz dele era impaciente, entediada. — Termina logo com isso. Quero voltar para a festa.

A esperança morreu tão rápido quanto nasceu. Eu olhei para Derek, os olhos queimando de lágrimas, e vi nele algo que nunca tinha visto antes: não era apenas indiferença. Era prazer. Ele estava gostando de me ver sofrer.

— Você... — Minha voz saiu como um sussurro rouco. — Você é um monstro.

Derek riu. Riu de verdade, uma risada curta e cruel que ecoou pela varanda vazia.

— Eu sou um monstro? — Ele deu um passo na minha direção, os olhos duros como pedra. — Você é a aberração aqui, Anika. Você é a coisa quebrada que nunca deveria ter existido. Eu estou apenas fazendo um favor à alcateia.

Ele fez um gesto com a cabeça para Aisha, e algo nos olhos dela mudou. O sorriso predador se transformou em algo mais escuro, mais perigoso. Ela olhou para mim, depois para o parapeito atrás de mim, e eu vi a ideia se formar em sua mente como uma nuvem de tempestade.

— Sabe de uma coisa, Derek? — Aisha falou sem tirar os olhos de mim. — Acho que uma surra não é suficiente para essa aberração. Acho que ela precisa aprender uma lição de verdade.

Derek ergueu uma sobrancelha.

— O que você tem em mente?

Aisha sorriu, e o sorriso dela me fez gelar por dentro.

— A varanda está bem alta, não está? — Ela deu um passo na minha direção, e eu recuei, as costas batendo no parapeito de pedra. — E o jardim abaixo... bem, é feito de pedra. Uma queda dessas... poderia ser fatal.

Meu sangue congelou nas veias.

— Você não pode... — Eu mal conseguia respirar, o terror apertando minha garganta como uma corda. — Você não pode fazer isso. É assassinato.

Aisha riu, um som agudo e cruel.

— Assassinato? — Ela inclinou a cabeça, fingindo pensar. — Não, querida. Isso é um acidente. Uma pobre loba sem lobo que tropeçou e caiu. Que tragédia.

Eu olhei para Derek, implorando com os olhos, com todo o meu ser, com cada pedaço quebrado do meu coração.

— Derek, por favor. — As lágrimas escorriam livremente agora, misturando-se ao sangue nos meus lábios. — Por favor, não deixe ela fazer isso. Eu vou embora. Eu vou deixar você em paz. Eu vou desaparecer da sua vida. Só... só não deixe ela me matar.

Derek olhou para mim por um longo momento. E então, ele fez algo que partiu o que restava da minha alma.

Ele sorriu.

— Sabe de uma coisa, Aisha? — Ele falou sem tirar os olhos de mim. — Acho que você está certa. Acho que a alcateia ficaria melhor sem essa aberração.

Ele se virou e começou a caminhar de volta para o salão, as mãos nos bolsos, o passo leve e despreocupado.

— Derek! — Eu gritei, a voz quebrando. — Derek, por favor! Não faça isso! Derek!

Ele não olhou para trás. Atravessou a porta da varanda, e eu o vi desaparecer na multidão, engolido pelas luzes e risadas da festa. Ele me deixou ali. Ele me deixou para morrer.

Aisha estalou os dedos, e as amigas dela avançaram. Eram três — loiras, altas, com sorrisos idênticos de predadoras. Elas me cercaram como lobos cercando uma presa ferida, e eu não tinha para onde correr.

— Vocês não precisam fazer isso. — Minha voz era um fio, uma súplica patética. — Por favor. Eu nunca fiz nada para vocês.

— Você existe. — Aisha deu de ombros. — Isso é suficiente.

Ela fez um gesto com a cabeça, e as três avançaram.

Mãos agarraram meus braços, minhas pernas, meu cabelo. Eu gritei, debati, tentei me soltar, mas elas eram mais fortes. Eram lobas. Eu era apenas... eu. Uma loba sem lobo. Uma coisa quebrada que não tinha força para lutar.

Elas me ergueram do chão, e eu vi o parapeito de pedra se aproximando. O jardim abaixo era um borrão escuro, as lanternas flutuantes parecendo estrelas distantes. Eu pensei na minha mãe. No meu pai. Em todas as pessoas que eu nunca mais veria.

— Adeus, Anika. — Aisha sussurrou no meu ouvido. — Foi bom enquanto durou.

E então, elas me empurraram.

O mundo girou.

Eu senti o ar passando pelo meu rosto, o peso do meu corpo caindo no vazio. O vestido azul flutuou ao meu redor como uma nuvem, e eu vi o céu noturno acima de mim, as estrelas brilhando frias e indiferentes. Isso era o fim. Eu ia morrer ali, no jardim da alcateia que me odiava, pelas mãos da mulher que meu noivo amava.

Eu fechei os olhos, esperando o impacto.

E então, algo me atingiu.

Não foi a pedra. Não foi o chão. Foi algo quente, algo grande, algo que me envolveu no ar e me puxou para o lado. Eu senti braços ao meu redor, senti o calor de um corpo contra o meu, senti o bater de um coração que não era o meu. E então, nós caímos — não no chão de pedra, mas em algo macio, algo que amorteceu a queda.

Eu abri os olhos.

E vi um lobo.

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