LOGINEla morreu quando o mundo acabou. Lena viu o apocalipse levar tudo: sua família, sua cidade e o homem que amava. Em seu último suspiro, ela estava fraca, impotente e incapaz de salvá-lo. Mas a morte não foi o fim. Ela abre os olhos e está de volta — três anos antes do início do apocalipse. O mundo ainda é normal. Seu amado ainda está vivo. E ela se lembra de tudo: onde o vírus começa, quem os trai e como os dois morrem. Desta vez, ela não será fraca. Com o conhecimento do futuro, Lena recomeça do zero — estocando suprimentos, despertando um poder misterioso e tornando-se forte o suficiente para sobreviver ao que está por vir. Mas a maior surpresa é ELE. Ethan Cross — dominante, frio, o bilionário CEO que todos temem — o homem que ela viu morrer em seus braços. Ele não se lembra dela. Não se lembra do amor que viveram. Nesta linha do tempo, eles são estranhos. Ele acha que ela é uma garota maluca que sabe demais. Ela sabe que ele é o único homem capaz de ficar ao seu lado quando o mundo desabar novamente. O apocalipse chegará em três anos. Desta vez, ela o salvará. Mesmo que precise conquistar o fim do mundo para conseguir isso. RENASCIDA ANTES DO APOCALIPSE — um romance apocalíptico sobre uma mulher que passa de fraca a forte e tem uma segunda chance no amor, com uma heroína corajosa que se recusa a perdê-lo novamente.
View MoreAs cinzas tinham gosto de cobre.
Lena mal conseguia respirar. Seu peito parecia prestes a explodir. O céu de Nova York estava vermelho e negro. E os edifícios estavam em chamas. No início, chamaram aquilo de febre. Uma gripe. Depois, deixaram de lhe dar nomes. Lena estava deitada no concreto partido da Ponte do Brooklyn. O sangue encharcava sua jaqueta. Ela não tinha sido ferida por monstros. Foram pessoas. Essa era a ironia. No fim, os seres humanos tornaram-se piores do que os monstros. — LENA! A voz dele atravessou os gritos. Ethan. Ela ergueu a cabeça e o viu correndo por entre as cinzas, os cabelos escuros cobertos de fuligem e a camisa preta rasgada. Ethan Cross. O homem que a salvara centenas de vezes ao longo de três anos. O homem que ela amava mais do que a própria sobrevivência. Ele caiu de joelhos ao lado dela, pressionando com força as mãos contra o ferimento em seu abdômen. — Não. Fica comigo. Olha para mim, droga. Você não vai me deixar agora. Sua voz falhou. Ethan nunca falhava. Era dominante, frio e inabalável. Antes, um bilionário. Depois, um senhor da guerra. Agora, apenas um homem prestes a perder tudo. — Você precisa ir — sussurrou ela, com sangue nos dentes. — Você disse que a horda viria do leste. Ao pôr do sol. — Não vou deixar você. — As mãos dele estavam cobertas com o sangue dela e tremiam. — Vamos viver juntos ou morrer juntos. Fizemos um acordo. Ela se lembrava daquele acordo. No primeiro ano, em um supermercado abandonado, dividiram uma barra de proteína velha sentados no chão e prometeram nunca mais se separar. Ela tocou o rosto dele. Mesmo coberto de sangue e cinzas, ele era lindo. Sua mandíbula firme estava tão contraída que parecia prestes a se partir. — Eu te amo — disse ela. — Eu também te amo — respondeu ele, com intensidade e desespero. — Então luta. Respira por mim! Lena, RESPIRA! Então veio o som. Gemidos. Passos arrastados. Centenas deles. Os infectados. Atrás deles, saqueadores armados disparavam descontroladamente. Ethan olhou por cima da colina de carros abandonados. Eram muitos. A ponte era a última rota para a zona segura. Agora, era uma armadilha. Ele soltou um grito de fúria selvagem, que ecoou entre os edifícios em chamas, e a ergueu nos braços. Todo o corpo dela gritou de dor, mas ele a apertou contra o peito e começou a correr. Forte. Tão forte. Mas não rápido o suficiente com o peso dela. Uma bala passou zunindo perto do ouvido dele. Lena sentiu uma dor aguda e incandescente nas costas. Um segundo tiro. Ethan cambaleou, mas não caiu. Apenas a apertou ainda mais contra si. — Me coloca no chão — implorou ela, com lágrimas misturadas ao sangue no rosto. — Salva a tua vida. — Nunca. Prefiro morrer aqui com você a viver mais um segundo sem você. Ele chegou à extremidade da ponte. Não havia para onde ir. O rio abaixo era negro e turbulento, cheio de destroços e corpos. A horda estava logo atrás deles. A seis metros. Depois, a três. Ele olhou para ela, e seus olhos continham um amor tão intenso que doía mais do que as balas. Afastou os cabelos do rosto dela. — Se este é o nosso fim, então vamos partir juntos. Beijou-lhe a testa enquanto as mãos geladas dos infectados os agarravam e o mundo se tornava branco de dor. Depois, nada. Silêncio. --- Lena acordou com um suspiro desesperado. Ar puro. Nenhuma cinza. Sentou-se bruscamente, agarrando o peito e esperando encontrar sangue. Não havia nada. Sua jaqueta estava limpa. Seu corpo estava inteiro. Suas mãos eram macias, sem os calos de três anos segurando uma faca. Onde estava o fogo? Onde estava Ethan? Ela estava numa cama. Macia. Com lençóis brancos e luz do sol entrando por uma janela de verdade, não por uma abertura coberta de tábuas. Luz do sol. Ela não via a luz do sol havia três anos. A nuvem de cinzas a tinha bloqueado. Olhou freneticamente ao redor. Seu antigo apartamento. O pequeno apartamento de um quarto em Manhattan, com o ar-condicionado avariado e a plantinha que ela nunca conseguia manter viva. A planta estava viva. Verde. No parapeito da janela, exatamente onde a deixara três anos antes de tudo desmoronar. Não. Aquilo era impossível. Estava morta? Era um sonho? Ela saiu da cama às pressas, com as pernas funcionando perfeitamente. Correu até o espelho do banheiro. Uma jovem olhava de volta para ela. Cabelos longos e escuros, limpos. Nenhuma cicatriz no lábio causada pela briga com faca no inverno anterior. Nenhuma bochecha encovada. Parecia ter vinte e cinco anos outra vez. Não vinte e oito. Não endurecida. Não destruída. O telemóvel vibrou no carregador. Um som normal, alto e comum que ela havia esquecido que existia. Tremendo, pegou-o. A data fez seus joelhos cederem. Ela caiu sobre os azulejos frios. 12 DE MAIO DE 2023. Três anos antes. Três anos antes do surto. Antes de o mundo acabar, em 9 de agosto de 2026. — Meu Deus — sussurrou. Ela morreu. Lembrava-se de morrer. Ethan segurando-a enquanto a horda se aproximava. A luz branca engolindo a ponte. E agora estava de volta. Renascida. Antes do apocalipse. Uma segunda oportunidade. As lembranças atingiram-na como um camião. Os primeiros casos de tosse nos noticiários, em junho. Os hospitais lotados em julho. O governo mentindo na televisão. A rede elétrica entrando em colapso em agosto. Os supermercados vazios. O mercado financeiro desabando. E o dia em que Ethan Cross apareceu no acampamento de sobreviventes com comida e armas, assumiu o comando e salvou sua vida quando ela já havia perdido toda a esperança. Ethan. Ethan estava vivo. Naquela linha do tempo, estava vivo em sua cobertura, administrando a Cross Industries, o CEO dominante que todos temiam. Não sabia quem ela era. Não sabia que, dali a três anos, a amaria tanto que morreria com ela numa ponte. Ela tinha uma segunda oportunidade. Para salvá-lo. Para salvar todos aqueles que perdera. Precisava encontrá-lo. Avisá-lo. Fazê-lo lembrar-se dela. Fazer com que voltasse a amá-la antes do fim. Mas, primeiro, precisava tornar-se forte. Da última vez, ela era fraca. A garota que precisava ser salva. Morreu porque era fraca. Mal conseguia segurar uma arma corretamente durante o primeiro ano. Chorava todas as noites. Desta vez, seria diferente. Desta vez, estaria preparada quando o mundo acabasse. Armazenaria comida e água. Treinaria o corpo. Aprenderia a atirar. Construiria um abrigo. Compraria um terreno. Não seria uma vítima. Seria uma sobrevivente. O telemóvel vibrou novamente. Um alerta de notícias. Ela olhou para o ecrã e sentiu o sangue gelar. Seu coração parou. «FEBRE MISTERIOSA DETECTADA NO QUEENS — MÉDICOS PERPLEXOS — TRÊS CASOS EM ISOLAMENTO.» Estava a começar. Exatamente como ela se lembrava. O primeiro caso. Aquele que ignoraram na televisão. Aquele que se transformaria em milhões. Aquele que provocaria o fim. Já estava a começar. Mais cedo do que ela pensava. O relógio já estava a contar — rápido e alto. Lena levantou-se lentamente, apoiando-se no lavatório. O terror no peito transformou-se em algo afiado, frio e determinado. Aço. Enxugou as lágrimas com firmeza. Olhou para o próprio reflexo. Já não era a jovem moribunda na ponte, indefesa e sangrando até à morte no meio das cinzas. Era a mulher que regressara do fim do mundo. E sabia exatamente como tudo terminaria. E como poderia mudar tudo por completo. Tinha muito trabalho a fazer. Começando agora, antes que fosse tarde demais outra vez para todos aqueles que amava.As luzes morreram.Não piscaram. Morreram.Num segundo a câmara estava branca e a zumbir, cheia de luz, no segundo seguinte foi engolida por completo. Engolida.Ninguém se mexeu. Ninguém respirou.Tudo o que Lena conseguia ouvir era a própria respiração — demasiado rápida, demasiado alta, a serrar-lhe a garganta. Como se estivesse a correr sem sair do sítio.Um.Dois.Três.As luzes de emergência dispararam de volta, pintando tudo de vermelho-sangue. Vermelho de alarme.Daniel tinha desaparecido.Lena ficou só a olhar para o vão vazio da porta onde ele tinha estado. A mão dela ainda estava meio levantada no ar, como se pudesse puxá-lo de volta. Agarrá-lo."Ele estava ali," sussurrou ela. A voz partiu-se ao meio. "Ele estava ali mesmo à minha frente."Ethan colocou-se à frente dela instantaneamente, os ombros a bloquear a passagem. Protetor. Tenso. Todo o corpo dele era um escudo à frente dela."Eu sei," disse ele baixo, duro. "Eu também o vi."Os olhos de Sarah estavam presos na sétim
Escuridão.Não aquele tipo de escuridão que só esconde as coisas. O tipo que as engole inteiras. Que as apaga.Lena não conseguia ver nada. Não via o Ethan. Não via a Sarah. Não via o Adrian.Mas a mão do Ethan ainda estava na dela. Suada. A tremer. Real.Agarrou com mais força. Como se fosse a única coisa que a prendia ao mundo.Algo se moveu debaixo dos pés deles. Não eram passos. Era mais pesado. Maior. O chão inteiro estremeceu, vibrou."Não te mexas," Ethan sussurrou-lhe ao ouvido. Tão perto que ela conseguia sentir o medo dele na respiração.Lena tentou respirar. Não conseguiu. O peito estava demasiado apertado. O ar não entrava.E depois ouviu."Lena..."O próprio nome dela. Com a própria voz dela.Mas ela não tinha dito nada. A boca estava seca. Colada."Ouviste isso?" sussurrou ela, em pânico.Ninguém respondeu.Uma luz de emergência fraca zumbiu e piscou por cima deles. Durante meio segundo, Lena viu a escadaria — de betão, húmida, sem fim, a descer para o abismo.Depois, de
As batidas pararam.Ninguém se mexeu. Ninguém respirou. Lena estava com os olhos cravados no chão de betão, a ouvir o próprio coração a bater demasiado alto.E depois, voltou._Toc._Silêncio._Toc._Outro silêncio._Toc._Três batidas. Lentas. Pacientes. Como se algo lá em baixo soubesse que estavam a ouvir.Ethan deu um passo e colocou-se à frente de Lena, instintivamente.— Seja o que for que está aí em baixo, não vamos abrir aquela porta.Adrian nem olhou para ele. Os olhos dele estavam presos no monitor.— Você não entende.— Então explica — Ethan rosnou.Adrian apontou para o ecrã com a mão trémula.— O apocalipse original não começou na superfície.Lena sentiu o sangue gelar. Olhou para o mapa. O marcador prateado por baixo do Brooklyn estava a pulsar. Vivo.— O que é que há debaixo da ponte?— Algo que a Aurora encontrou quando estavam a fazer as sondagens para a construção — respondeu Adrian, a voz baixa. — Uma estrutura. Mais antiga que a própria cidade.Sarah abanou a cabeç
Sarah.Ethan pronunciou o nome como se estivesse enterrado algures dentro dele há anos.Lena olhou fixamente para a mulher que estava debaixo da luz intermitente do túnel.Sarah.A mulher de quem Ethan só lhe tinha falado uma vez.A namorada que tivera na universidade.A mulher que, supostamente, morrera num acidente de viação em 2014.Mas ela estava ali, diante deles.Viva.Ethan deu lentamente um passo em frente.— Tu morreste.A expressão de Sarah mal se alterou.— Na tua linha temporal.Ethan parou.— O que significa isso?Sarah lançou um olhar a Adrian.— Significa que ainda não te lembraste de tudo.A marca prateada no pulso de Ethan começou subitamente a brilhar.Lena sentiu o calor espalhar-se pela palma da mão.Então, tudo desapareceu.Durante alguns segundos, Ethan viu outra memória.Chuva.Uma estrada escura.Sarah ao lado de um veículo danificado.Agentes do Projecto Aurora a chegar.Uma carrinha preta.Um laboratório por baixo de um edifício desconhecido.Depois, uma voz
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