LOGINA pergunta de Vittorio pairou sobre a mesa e, de repente, tive a impressão de que todos os presentes estavam olhando para mim.O que era péssimo, porque eu não tinha preparado uma resposta.Sabia que aquela conversa aconteceria em algum momento da noite. Benício e eu tínhamos ido até ali justamente sabendo que precisaríamos contar a verdade sobre a gravidez. Ainda assim, na minha cabeça, existiria uma oportunidade perfeita, talvez uma conversa particular com Vittorio, algumas palavras cuidadosamente escolhidas e, com sorte, uma rota de fuga próxima.Em vez disso, eu estava diante do avô de Benício, de Otávio, de dois membros do conselho, das respectivas esposas e de praticamente toda pessoa que não deveria ouvir aquela história.— Bem, é que... — Olhei para Benício, procurando alguma ajuda. — Eu... Eu já disse que o senhor tem uma bela casa?Vittorio franziu a testa.Aparentemente, elogiar a decoração não era uma técnica eficiente para distrair um homem que tinha passado décadas coman
Senti Benício se enrijecer ao meu lado. Não precisei olhar para ele para saber que o comentário do primo não tinha sido bem recebido. A mão que segurava sua taça parou no meio do caminho, e tive a impressão de que ele estava escolhendo cuidadosamente as palavras para não começar uma discussão antes mesmo de servirem o jantar.— Cuidado, Otávio — Benício respondeu, finalmente levando a taça aos lábios. — Você está começando a parecer mais interessado na minha mulher do que nos resultados da Racing.Algumas pessoas à mesa sorriram, mas Otávio soltou uma gargalhada, aparentemente encantado com a provocação.— Que isso, primo! Só estou reconhecendo a contribuição dela para o sucesso do evento. Afinal, Chiara não trabalha com marketing?Virei o rosto para ele, surpresa com a pergunta. Não fazia ideia de onde tinha tirado aquela informação, embora começasse a desconfiar de que não estivesse realmente interessado na resposta.— Não, na verdade.— Ah, então me confundi — respondeu, com um sor
Permaneci de braços dados com Benício, encarando a enorme porta da mansão do seu avô. Ele estava imóvel havia tempo suficiente para que eu começasse a considerar a possibilidade de passarmos o restante da noite ali.— Você não vai bater?— Não tenho certeza de que quero.Virei o rosto para ele, surpresa. Era a primeira vez que Benício admitia tão abertamente que não estava confiante para enfrentar alguma coisa. Considerando que eu também não tinha a menor vontade de entrar naquela casa, cheguei a pensar em sugerir que voltássemos para o carro.Infelizmente, antes que eu pudesse abrir a boca, ele respirou fundo e tocou a campainha.Fomos recebidos por um funcionário que nos conduziu até o salão de recepção, onde descobri que o jantar em família tinha uma definição bastante abrangente para os padrões dos Marzani.Giulia já estava lá, conversando com duas mulheres que reconheci vagamente da festa de lançamento da Racing. Se minha memória não estivesse me traindo, eram esposas de membros
Eu precisava aprender a ficar de boca fechada.Era impressionante a minha capacidade de falar coisas que não deveria e perceber o tamanho da besteira somente depois que elas já tinham saído da minha boca. Se pretendia sobreviver àquela noite, precisava urgentemente desenvolver algum tipo de filtro entre meu cérebro e minha língua.O problema era que os Marzani pareciam espertos demais. Começava a desconfiar de que aquela família submetia suas crianças a algum treinamento especial para identificar mentiras, interpretar expressões faciais e descobrir informações escondidas nas entrelinhas das conversas. Provavelmente, enquanto as outras crianças aprendiam a andar de bicicleta, os pequenos Marzani eram ensinados a conduzir interrogatórios.E eu estava prestes a jantar com vários deles.Minha sorte era que Giulia era uma pessoa legal. Gostava dela e tinha a impressão de que, mesmo percebendo alguma coisa estranha, não tentaria me encurralar. Já Vittorio era outra história. O avô de Beníci
Acordei no domingo com a agradável descoberta de que tinha uma cama gigantesca praticamente só para mim.Praticamente porque Senhor Marzani ocupava uma parte considerável dela, dormindo de barriga para cima, com as quatro patas apontadas para o teto. Aparentemente, o quarto particular não tinham sido suficiente para convencê-lo de que deveria dormir longe de mim.Benício, por outro lado, não estava em lugar nenhum.Depois de todo aquele discurso sobre a necessidade de dividirmos o quarto para manter as aparências, ele simplesmente não tinha aparecido para dormir.Tomei banho, troquei de roupa e desci acompanhada pelo cachorro, que imediatamente reconheceu o caminho da cozinha.Encontrei Benício e Malu tomando café.— Bom dia, bela adormecida — minha irmã cumprimentou.— Bom dia, cenourinha — Benício acrescentou. — Dor
Quando saí do banho, Benício ainda não tinha voltado para o quarto.Não que eu estivesse esperando por ele.Coloquei meu pijama, sequei os cabelos e passei meus cremes com toda a tranquilidade de uma mulher que definitivamente não estava prestando atenção à porta a cada pequeno barulho vindo do jardim.Quando terminei, ainda não havia nem sinal de Benício.O problema é que eu também não estava com sono e, depois de alguns minutos encarando aquele quarto enorme sozinha, tive uma ideia melhor.Saí e fui buscar Senhor Marzani em seus aposentos. Ele estava esparramado na própria cama, cercado por brinquedos.— Quer dar uma volta?A reação imediata à palavra foi suficiente.Saímos para nossa primeira exploração noturna do apartamento. Eu já tinha feito o tour oficial, mas con







