LOGIN— Por que exatamente ela é uma vaca? — perguntei.Se Giulia era o tipo de pessoa disposta a me contar que um membro do conselho tinha sido vítima de um golpe milionário arquitetado pela própria esposa e pela suposta instrutora de golfe, talvez tivesse algumas informações interessantes sobre Camilly também.— Meu irmão não te contou? — Ela virou o rosto para mim com uma expressão estranha.— Contou. Contou, claro que contou.Pensei na história da traição. Benício tinha me contado que descobrira que Camilly estava com outra pessoa poucos dias antes do casamento e que havia coisas profissionais envolvidas naquela relação. Naquele momento, com Giulia me olhando daquele jeito, comecei a me perguntar se era só isso mesmo.— Mas, assim... o que exatamente ele me contou mesmo?Giulia riu.— Você é uma figura, Chiara.Esperei que ela completasse a frase com alguma informação realmente útil, mas aparentemente a central de fofocas dos Marzani também tinha limites.— De qualquer forma, eu realmen
— Você está sugerindo que a solução para eu não estar grávida é... me engravidar?— Tecnicamente, foi o meu advogado quem sugeriu.— Ah, claro. Então está tudo bem porque tem respaldo jurídico — disse, revirando os olhos.Benício deu de ombros, ainda com aquele sorriso irritantemente satisfeito no rosto.— É o que você queria, não é? Uma solução pra não precisar pagar aquela multa. Agora você tem.Cruzei os braços.— Você realmente teria coragem de acabar com a minha vida desse jeito? Me cobrando por algo que você sabe que eu não tenho a menor condição de pagar?Benício abriu a boca para responder, mas seus olhos passaram por mim e alguma coisa mudou em sua expressão.— Então você é a mulher que finalmente conseguiu fazer o Ben protagonizar uma matéria de fofoca. Eu esperei vinte e cinco anos por você.Virei-me.A mulher que tinha parado ao nosso lado era linda. Mas, considerando a quantidade de pessoas lindas por metro quadrado naquela festa, isso já não era exatamente uma informação
— O que você tá falando?A expressão no rosto de Benício não mudou um milímetro.Ele continuou sorrindo, acenou com a cabeça para um homem que passou por nós e cumprimentou outra pessoa com um gesto discreto, sem diminuir o passo. Para qualquer um olhando de fora, éramos apenas um casal chegando junto a uma festa, caminhando de braços dados e provavelmente trocando alguma frase romântica.Só que eu tinha acabado de contar ao meu futuro marido que o filho que ele acreditava que teríamos não existia.— Eu fiz uma confusão — expliquei. — Achei que tinha visto duas linhas, mas não vi. Eu estava bêbada e... fiz uma confusão.— Parece que você fez muitas confusões naquela noite, não é, Chiara?— Eu sei! — Minha voz saiu esganiçada, obrigando-me a baixá-la. — Mas eu realmente achei que estava grávida. Eu não menti pra você só pra assinar aquele contrato. Descobri no hospital.Finalmente ele me olhou.— E achou que aqui seria o lugar perfeito pra me contar?— Eu só precisava que você...— Pri
— O RP me passou um briefing, mas... — Benício fez uma pequena pausa, mantendo os olhos na rua. — Eu acho melhor só sermos espontâneos.— Ótimo. Ótimo. Eu sou... ótima sendo espontânea.— Tenho certeza de que sim. — Mas a forma como ele disse aquilo indicava que, na verdade, não tinha certeza nenhuma. — Mas talvez seja melhor você só sorrir e concordar com o que eu disser.— Sorrir e concordar — repeti, assentindo seriamente, como se estivesse recebendo instruções para desarmar uma bomba. Parecia simples. Eu sabia sorrir. Sabia concordar. Provavelmente conseguiria fazer as duas coisas ao mesmo tempo. — Mas e... e se me perguntarem sobre o bebê?— Então você diz a verdade.Ah, ótimo!— Que ele está bem, saudável e que nós mal podemos esperar para tê-lo em nossos braços.Ah.Essa verdade.Fiquei em silêncio, olhando pela janela. Deveria ter ficado aliviada por ele não ter descoberto nada, mas uma parte específica daquela frase ficou presa na minha cabeça.Nós mal podemos esperar para tê
Eu já tinha atravessado a sala tantas vezes que, se continuasse por mais alguns minutos, provavelmente abriria um caminho no piso.Fui da janela até o sofá, do sofá até a mesa, da mesa até a janela outra vez. Parei para ajeitar o vestido pela décima vez, conferi se a fenda continuava exatamente onde deveria estar e voltei a andar.— Você vai gastar esse salto antes mesmo de chegar à festa — Malu comentou do sofá.Eu ia responder quando a campainha tocou.Travei.Olhei para a porta. Depois para Malu.— Acho que vou vomitar.— Você não acha que ter vomitado uma vez nele é mais do que suficiente?— Tá, anotado. Não vomitar em ninguém essa noite.— Excelente. Já temos uma meta.Malu se levantou e foi abrir a porta enquanto eu inspirava profundamente, tentando me convencer de que aquela era só uma festa. Uma festa com algumas das pessoas mais ricas e importantes do país, provavelmente dezenas de câmeras e toda a família do homem com quem eu fingia estar apaixonada.Nada demais.Benício est
Eu estava sentada no chão do meu quarto, cercada por uma quantidade de roupas que deveria ser suficiente para vestir uma pequena população, quando joguei mais uma bolsa para trás sem nem olhar.— Ai!Virei a cabeça e encontrei Malu parada na porta, segurando a bolsa que por pouco não tinha acertado seu rosto.— Você deveria colocar um aviso de perigo nessa porta.— Desculpa, mas estou ficando desesperada. Eu não tenho absolutamente nada!Ela olhou para o chão.Depois para mim.— O chão do seu quarto parece discordar dessa afirmação.— Não ouse ficar do lado dele!— Claro que não. Quem é ele pra discutir com você?Malu entrou desviando das roupas como se atravessasse um campo minado.— Então, o que você tem até agora?Apontei para a cama, onde estavam as únicas opções que tinham sobrevivido ao massacre.— Pensei no azul-marinho com aquela sandália prateada de tiras finas e sua clutch prateada emprestada. Ou no verde-esmeralda com a sandália e a clutch dourada.— São ótimas opções. E vo







