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Capítulo 5

Author: Kayla Sango
last update publish date: 2026-09-02 07:22:14

— Você só pode estar brincando, né? Quero dizer... ontem mesmo você estava dentro de uma capela e... e...

Ele empurrou o celular na minha direção antes que eu conseguisse terminar. Olhei primeiro para ele, depois para a tela, sem entender exatamente o que aquilo deveria provar, até ver uma foto minha no meio da capela do Hotel Milani, aparentemente gritando alguma coisa enquanto centenas de pessoas olhavam para mim.

Uau! Eu estava linda. Sinceramente eu deveria fazer babyliss com mais frequência, porque os cachos davam um destaque para os tons de ruivo do meu cabelo e... ah, pera. O que eu deveria estar olhando mesmo?

CASAMENTO TERMINA NO ALTAR APÓS MULHER GRÁVIDA INTERROMPER CERIMÔNIA E ACUSAR BENÍCIO MARZANI DE TRAIÇÃO

— Hum... — foi tudo o que consegui dizer.

— Passa para o lado. Printei as melhores.

Não entendi muito bem o que ele queria dizer com melhores. Para mim, aquilo já parecia bastante ruim, mas obedeci e arrastei o dedo pela tela.

“EU ESTOU GRÁVIDA”: SUPOSTA EX DE BENÍCIO MARZANI INVADE CASAMENTO E EXPÕE TRAIÇÃO DIANTE DOS CONVIDADOS

Passei novamente.

CAMILLY COTTELI É ABANDONADA NO ALTAR APÓS ESCÂNDALO ENVOLVENDO SUPOSTA AMANTE GRÁVIDA

Mais uma.

QUEM É A MISTERIOSA MULHER QUE INTERROMPEU O CASAMENTO DE BENÍCIO MARZANI E CAMILLY COTTELI?

Tá, era o suficiente.

Devolvi o celular.

— É, isso é um pouco... problemático para você, não é? Mas quer saber? Nada que flores e chocolates não resolvam. — Fiz uma careta, reconsiderando. — Tá, provavelmente você vai precisar de uma joia. Mas você estava se casando no Milani, deve ter dinheiro para comprar uma das boas. Um colar, eu recomendaria.

E foi pensar no Milani que me fez pensar em Beto. Àquela altura, Beto provavelmente estava casado. A constatação me atingiu com um pequeno atraso.

O mesmo Beto que, até alguns dias atrás, mal tinha dinheiro para me levar a um restaurante chique tinha se casado, com outra mulher, no Hotel Milani. Um dos lugares mais chiques da cidade.

No fim, faz sentido, não é?

Ele não preferia pedir delivery porque era mais barato. Preferia pedir entrega porque não podia ser visto comigo em público.

Filho da puta.

— Acontece que eu não queria me casar com ela — Ele disse, me trazendo de volta à cozinha. — Então você meio que foi... uma bela intervenção.

— Bela intervenção? Uau. Acho que nunca recebi um elogio desses. — Apoiei a caneca na mesa. — Mas enfim, ótimo. Eu já te ajudei, então. Por que preciso continuar com essa farsa?

— Porque foi você quem entrou lá declarando para o mundo que eu tinha jurado amor eterno a você. Estou aqui para confirmar isso.

— Tá, moço... Benício, né?

— Benício. Ben para os íntimos. Incluindo você, minha noiva.

— Benício — repeti, fazendo questão de pronunciar cada sílaba. Eu não tinha intenção de ser íntima. — Eu não sei se você entendeu bem, sabe? Mas eu achei que você era o Beto.

Falei devagar, como se explicasse alguma coisa para uma criança, porque, sinceramente, eu ainda não sabia exatamente com que tipo de pessoa estava lidando.

— Eu não disse que você me jurou amor eterno. Eu disse que ele me jurou. O problema é que eu achei que você era ele.

— Mas ninguém ouviu você falar o nome de Beto além de mim. Então todo mundo acha que fui eu.

— E eu disse que voltaria lá e explicaria o mal-entendido, mas você não quis. Agora eu entendo que era porque não queria se casar, mas, sinceramente, eu não tenho nada com isso.

— Não tem nada com isso? — Ele soltou uma gargalhada. — Você não tem nada com isso?

— Foi exatamente o que eu disse.

— Chiara, você tem tudo com isso. Já estamos em todos os perfis de fofoca. A maioria te odeia? Sim, a maioria te odeia. Mas ainda assim...

Franzi a testa.

— Você é meio que famoso?

Ele demorou um segundo para responder.

— Acho que posso dizer isso.

Olhei melhor para ele, tentando encontrar algum rosto conhecido escondido ali. Nada. Mas bonito daquele jeito, até faz sentido que trabalhasse com internet.

– Influenciador? De quê? Acho que nunca te vi. Mas eu acompanho mais mulheres do nicho de maquiagem e skincare. Conheço bastante gente dos perfis de fofoca, claro. Quer dizer, eu conheço de ouvir falar uma vez e depois esquecer completamente quem é, então talvez eu...

— Não sou influenciador.

—Ah. Então o quê? Cantor sertanejo?

Ele fechou os olhos por um instante.

— Não.

— Espera... você fez aquela novela das nove?

— Podemos voltar para o foco?

– Ah, sim. — Assenti. — Me casar com você. Quero dizer... não me casar com você. Afinal, por que você não queria se casar com ela mesmo?

— Isso não é da sua conta.

Cruzei os braços.

— Então todo o resto também não é.

— Como é?

— Você quer que eu case com você, mas não quer me contar por que não queria se casar com a outra? Não funciona assim.

— Funciona exatamente assim.

— Não, não funciona. — Cruzei ainda mais os braços, embora não saiba exatamente como alguém cruzava mais os braços. — E eu vou descobrir nas redes sociais de qualquer forma se você não me contar.

Não vou perder a melhor parte da fofoca.

Não vou mesmo.

Benício me encarou durante alguns segundos, provavelmente avaliando se valeria a pena discutir comigo. Por fim, suspirou.

— Eu nunca fui apaixonado pela Camilly. Estava disposto a me casar com ela porque... bom, era uma questão familiar. É uma longa história, mas faz sentido. Talvez você encontre alguns boatos sobre nosso casamento ser mais por benefícios do que por amor. Tem quem desminta, claro. Para muita gente, éramos o casal perfeito.

Eu já estava completamente interessada.

— Mas?

— Mas havia uma coisa que ninguém sabia. Nem eu, até três dias atrás. Ela estava me traindo. O que... sinceramente? Eu estava pouco me importando porque, como eu disse, não a amava. Mas não era com qualquer pessoa. Tenho fortes motivos para acreditar que o homem com quem ela estava se relacionando só estava com ela para conseguir informações privilegiadas sobre a minha empresa.

— Uau...

— E ela fornecia porque... Porque talvez visse mais vantagens ali, de alguma forma. Ou talvez realmente estivesse apaixonada por ele. Sinceramente, não me importo.

Eu mal me dei conta de que estava olhando para ele paralisada, com a caneca parada entre as mãos, acompanhando aquilo como quem assistia ao programa de Sônia Abrão.

Então a noiva perfeita estava traindo o noivo que não a amava com um homem que talvez nem gostasse dela e só estava interessado em espionagem empresarial?

Porra, aquilo era bom.

Quer dizer, ruim.

Horrível.

Mas bom.

— E ainda assim você entrou naquela igreja com ela?

A expressão dele mudou um pouco.

—É complicado.

— Você descobriu três dias antes que sua noiva estava te traindo e mesmo assim colocou um terno, foi para o altar e ficou esperando por ela?

— Como eu disse, é complicado.

— E agora você quer se casar comigo?

— Isso é mais complicado ainda.

— Complicada é a sua relação com casamento, sabia?

— É, talvez.

Ele tirou o celular de volta e o deixou sobre a mesa.

— Mas olhe para isso como uma oportunidade de negócios. Eu tenho uma coisa que você precisa e você, por um acaso bastante conveniente, tem exatamente o que eu preciso.

Demorei alguns segundos para analisar aquilo.

Depois ri.

— Eu preciso de você?

Benício não riu.

Isso só fez com que eu achasse ainda mais engraçado.

— Desculpa. — Tentei me controlar. — É que você falou com tanta certeza... Por que raios eu preciso de você?

Ele me encarou por alguns segundos antes de responder.

— Fazenda Avelar.

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