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O DESPERTAR DA BRIDA

Author: Ita Toledo
last update publish date: 2021-06-11 03:30:23

Era tudo tão nostálgico, fazer aquele ritual sem seus pais presentes, sem seus amigos. Phílos e Gaia aprontaram tudo conforme foram ensinados. Apesar da luz da lua minguante iluminar o local, o rapaz parou o carro de modo que os faróis ajudassem a visualizar o desenho que a jovem fez no chão com sal grosso. Um triângulo envolto de um pentágono. No meio os pertences de Brida. Os irmãos esperaram os primeiros raios de sol, e posicionados um em frente ao outro, fora do desenho, começaram a meditar. Quando os pensamentos estavam totalmente sintonizados em encontrar a amiga, eles começaram os dizeres:

— Chegou a hora de despertar, quebre as correntes, abra sua mente. Brida, Brida, BRIDA!!!!   — E lançaram juntos um raio no objeto que estava no centro do triângulo, que continha a assinatura do DNA de energia da jovem.

Os dois despertaram da meditação com uma certa tontura, tiveram que usar muita energia para tal ritual. O encantamento que foi usado em Brida era muito poderoso, mas necessário.

— Será que deu certo? — Gaia estava aflita para salvar sua amiga.

— Logo saberemos.

— O que faremos agora?

— Hoje é a final dos jogos na escola. A Jéssica vai jogar. Ela não esqueceu das amigas, não sei porquê. E não consigo falar com nenhum dos meninos. Está tudo uma bagunça. — Phílos estava se sentindo desanimado e cansado. Se sentia perdido, tantas coisas ruins acontecendo. Apesar de ter sido previsto isso, foi para um futuro muito distante. Não entendia como a facção escapou de sua prisão, ainda mais depois do sacrifício que foi feito para que fossem aprisionados.

— Hei, irmão. Não se deixe abater dessa forma. Sei que são muitas coisas acontecendo, mas Brida despertando vamos dar um jeito de colocar tudo em seu devido lugar. — Gaia abraçou seu irmão e ficaram assim um tempo, deixando as lembranças boas da infância virem em suas mentes.

Um portal se abriu diante dos dois e Gaia reconheceu o quintal da casa de sua amiga Amanda. A garota estava de joelhos, imóvel, no meio do círculo de garotas vampiras. Estavam em cinco, faltava Thiry.

— “Bom dia. — Ela apareceu no meio do portal à frente do círculo. — Onde está Brida?”

Gaia correu para chegar mais perto, mesmo sabendo que não podia atravessar:

— “Não faça mal a ela, por favor. Já despertamos ela, em breve terá notícias.”

— “Estou ficando impaciente. — Os olhos da moça se encheram de uma luz roxa, demonstrando o ódio que sentia e a ansiedade que estava de saciar sua vingança. — E não se preocupe com aquela doce criaturinha, não sugarei sua energia. Faremos do modo antigo. Não é, meninas?”

E todas olharam de uma só vez para o casal, presas cresceram em suas bocas e elas ficaram em posição de ataque. Thiry soltou uma risada que arrepiou a espinha de Gaia. Mas logo em seguida deu um grito de raiva e dor.

— “MALDIÇÃO!!! — A transformação havia começado pois já tinha dado o horário do encantamento que as aprisionavam.”

O portal se fechou e Gaia se pôs a chorar. No meio do choro, olhou para Phílos e decidida falou:

— Vamos salvá-la, não tem como nos deter estando como Urd e os Teen Blood. — Dirigiu-se para o carro apressada.

Phílos viu que não podia mais deter a irmã, então decidiu acompanhá-la.

— Ok, faremos isso. Mas preciso fazer uma coisa antes. — Entrou no carro e explicou que tinham que ir até o ginásio falar com Jéssica, pois ela iria ficar confusa quando perguntasse sobre as meninas desaparecidas. Tinha que garantir que ficaria bem e a deixaria entrar na quadra, onde sabia que se concentraria somente na vitória. Gaia queria ir direto para casa de Amanda, foi difícil convencer a irmã, mas ele disse que ela estaria segura porque Urd era capacho de Thiry que esperaria até a noite para que ela mesma lhe fizesse algum mal.

Assim que Phílos foi ao vestiário, Jéssica já o esperava aflita.

— Benção, onde você estava? Ninguém me responde no grupo ou em lugar nenhum! O que está acontecendo com nossos amigos?

— Os meninos devem estar devorando algum lanche lá no refeitório, logo vou encontrá-los e lhes darei uma bronca. — Ele tentou levar um pouco de humor a toda aquela aflição.

— Não falo só dos meninos.

— Como assim?

— Bruna não veio para o aquecimento. Não atende o celular. — Jéssica falava e tentava mais uma vez ligar para a amiga.

Dessa vez o rapaz não sabia o que falar, sabia que Bruna não teria ido à festa um dia antes da final. E porque as Strix vampiras iriam pegar Bruna e não Jéssica para atingir ele? Não fazia sentido.

— Viu benção, só chama. Ninguém atende.      — E mostrava a chamada na tela do aparelho para o namorado. — Já estão preparando a substituta. Será que aqueles Teen Blood pegaram ela, Marcelo?

— Calma, meu amor. Eu vou encontrá-la. Por favor, preciso que se acalme. — Ele a abraçou com muita força, talvez ele mesmo estivesse precisando do seu abraço. — Vamos fazer o seguinte: Eu vou procurar todo mundo, até o começo do jogo vão estar todos assistindo. E você vai entrar naquela quadra e cumprir o que me prometeu.

— Mas ben…

— Hei!!! Olhe para mim. Preciso de você agora. — Ele olhava firmemente para seus olhos agora. Encostou sua testa na dela. Passou suas mãos nos seus ombros e desceu até as suas mãos onde segurou com carinho. — Jéssica, depois que tudo isso acabar, quero te fazer uma proposta.

— Quero saber agora. — Conseguiu chamar a atenção da garota que até seus olhos brilharam.

— Não, não. Vamos fazer um trato: te dou uma pista do que é depois do jogo. Quando estivermos comemorando sua vitória. Que tal?

— Uma pista agora. Por favorzinho.

— Jéssica, chega de namoro! Volta ao aquecimento. — O técnico Arthur gritava do meio da quadra. 

—Vai lá, minha campeã. — Phílos deu um beijo na sua amada e ela saiu correndo mandando beijos até encontrar as colegas.

Gaia o esperava no estacionamento, já havia tentado sem êxito ligar várias vezes para Amanda. Phílos chegou já entrando no veículo decidido a ir resgatar a garota, estava realmente cansado de estar de mãos atadas. A casa não era longe e o plano era simples: entrar e surpreender Urd e seus seguidores. Agora que os irmãos estavam despertos, eles não tinham domínio sobre a mente deles, e nem poderes para revidar. O que sabiam é que Thiry, assim como Brida era uma Striga, uma espécie de bruxa. Ela mantinha os rapazes seguros de alguma forma enquanto estavam “ausentes”.

— Vou pela frente e você dá a volta pelos fundos. — Os irmãos combinavam uma abordagem quando foram surpreendidos.

— Bom dia, chegaram bem na hora do café.       — Urd abriu a porta com um sorriso e estendeu a mão indicando para o casal entrar.

Gaia preparou um raio com as mãos, mas o irmão fez um gesto para ela esperar.

— O que você está aprontando?

— Não seja desagradável, hoje vamos ter um café da manhã em família, ops!!! — Ele fez uma cara de espantado e colocou a mão sobre a boca. — Quase estraguei a surpresa.

Eles entraram seguindo o anfitrião invasor, que os levou para a cozinha. Chegando lá, qual foi a surpresa de Phílos de quem estava sentado à mesa, seus pais.

— Não vai dizer bom dia para papai e mamãe?     — Urd mal conseguia esconder o sorriso de maldade.

— O que vocês fizeram com eles, seus…

— Calminha, lá. Marcos e Sônia, podem por favor, dar boas maneiras a seu filhinho.

— Querido, não foi assim que mamãe lhe ensinou. — D. Sônia levantou e soltou um raio roxo sobre o garoto que o jogou contra a parede que ficava do outro lado do cômodo.

Gaia em contra-ataque também lançou um raio na senhora que de nada adiantou, pois se desintegrou antes que a atingisse. Ela correu para ajudar o irmão a se levantar.

— Como você está.

— Me sinto um pouco tonto, mas estou bem.      — Ele estava completamente confuso. — O que fizeram com meus pais, seus monstros?

— Thiry os evoluiu. Devia agradecê-la.

— Não podem fazer isso com os humanos!

— Quem disse que não? Os idiotas dos seus pais Strix ou aquele Duque que treinou vocês?                   — Urd falava com ar de superioridade e com raiva na voz.    — O que é proibido pelos anciões, não se aplica a nós há muito tempo.

— Pai, mãe... vocês não veem que estão enfeitiçados? — O garoto falava com eles, sem que estes tivessem um olhar sequer de gentileza.

— Ah!!! Pobrezinho… — Dizia o pai do garoto. — Essa foi sem dúvida a melhor viagem de nossas vidas, querido. Pena que você foi desobediente e não tomou o medicamento que tantas vezes sua mãe mandou.

— Agora, meu querido. — Disse a mãe.           — Você vai ter que morrer por outros meios.              — E lançou outro raio. Só que dessa vez o menino fez um escuro de energia e não foi atingido.

Gaia correu e subiu as escadas, queria ver se Amanda estava bem. Sabia que o irmão conseguiria cuidar da situação lá embaixo. Assim que entrou no quarto de Amanda tinha dois rapazes de Urd de guarda. Ela viu a amiga levitando envolta em um raio roxo em cima da cama, devia ser uma espécie de campo de força. Gaia facilmente lançou os dois rapazes pela janela com seus poderes. Um terceiro veio e a segurou por trás.  Ela invadiu sua mente e o fez ficar quieto. Correu para a amiga.

— Mandi!!! — Quando a tocou, imediatamente foi lançada com toda força no peito do rapaz que estava inerte atrás dela.

— Droga, deve ser um campo de força.

Lá embaixo os pais de Phílos tentavam matá-lo a todo custo, mas o garoto não revidava. Não tinha coragem, apenas se defendia. Tinha mais força que os dois juntos, podia sentir isso, mas Thiry foi esperta, sabia que o garoto não ia fazer nada contra os pais. Subiu as escadas e encontrou com a irmã levantando do chão e um grandalhão parado olhando para os dois.

— O que está acontecendo aqui milady.              — Fechou a porta atrás dele, talvez ganhasse algum tempo.

— Ela está em uma espécie de campo de força. O que faremos Phílos?

O rapaz viu o olhar desesperado e triste da irmã olhando para sua amiga e nada podia fazer. Seus pais já estavam vindo atrás dos dois. Parecia tudo perdido, a única coisa a fazer era dizer para a irmã que deveriam desistir e ir embora. Até que ouviram um barulho muito grande vindo lá da escada.

— NÃO…!!!

Ouvia a voz de Urd, mas depois tudo ficou silêncio. Passos suaves subiam a escada. Bateram na porta. O rapaz grande que estava ao lado da porta abriu a maçaneta antes de os irmãos decidirem se era o certo a fazer.

— Não vão falar oi para a velha amiga de vocês?

— BRIDA. — Gaia correu para abraçá-la.

— Bruna?! — Phílos foi pego de surpresa.       — Era você o tempo todo! — E sorriu.

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