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O PESADELO

Auteur: Ita Toledo
last update Date de publication: 2021-06-09 04:49:46

— Não sabemos onde ela está. — Maia tentava explicar a ausência da amiga fotógrafa, olhando para a feição da presidente do comitê que não estava para muitos amigos. — Vou enviar uma mensagem pra turma. Só um minuto, Amanda.

— Thomás, vamos entrar com o plano B. Verifique se aquele fotógrafo freelancer ainda mantém o mesmo valor, vou passar para a comissão financeira. — Amanda falava e todos iam anotando. — George, vamos repassar os centros de distribuição de água mineral nas quadras, campos e piscinas para as equipes, ontem recebi um email que quase não deu para a equipe de vôlei de areia. Pessoal, estou pensando em aumentar os integrantes da equipe de limpeza, mas o orçamento está mais apertado que nunca, ainda mais com esse imprevisto da Samanta. Vou falar com a diretoria da escola à tarde e se aprovarem uma liberação, eu aviso vocês. Por enquanto é só. Obrigada a todos. Flávia e Maia podem ficar, por favor.

Todos se retiraram deixando a sala somente com os três integrantes do comitê.

— Maia, se tiver notícias de Samanta me avise por favor. Espero que ela esteja bem, mas será necessário mais um fotógrafo na equipe mesmo. Vou pedir para João Pedro que está de folga hoje cobrir os jogos dela.

— Ok, Amanda. Se souber de algo te falo!       — Se despediu e saiu.

— O que foi, Flávia? Está com aquela carinha de quando tem aqueles pesadelos macabros.

— Você me conhece bem amiga, estou só o pó.  — Flávia passava a mão na nuca, tentando aliviar a pressão que sentia.

— Já sei, vamos no shopping. Vou te pagar uma massagem em uma daquelas cadeiras maravilhosas e depois vamos almoçar. Também estou precisando urgente de uma massagem. — E arrumando as coisas, nem esperou a amiga concordar como era de costume, já se apressou a tomar a direção da saída da escola.

Flávia ouviu falar de uma festa que iria acontecer no mirante da cidade, mas não estava nem um pouco empolgada com a notícia. Já esperava que a amiga espevitada a convidasse para ir, o que a fez se adiantar e m****r uma mensagem dizendo que estava com dor de cabeça, seguido de um emoticon de enjoo e ia tomar um remédio e dormir cedo. Amanda mandou carinhas com corações saindo de um beijo e desejou melhoras, falou que se precisasse ia correndo socorrer a amiga.

Flávia deitou e levou seu livro “LACANTRA”, leu até o sono chegar. Levantou para escovar os dentes e deitou novamente, olhando para o teto deixou os pensamentos divagarem. Ao perceber que um ponto de luz azulado começou a se ampliar no gesso branco do teto, ela foi tomada de um espanto e tentou se levantar, mas não conseguiu se mover. O círculo azul foi aumentando cada vez mais até invadir as paredes do quarto, se unindo ao tapete que ficava no centro do quarto. A luz azul deixou o quarto somente com os móveis, sem teto nem paredes, e o chão agora era grama. Flávia conseguiu se levantar, totalmente apavorada e sentou na cama, seus pés tocaram o chão e ela sentiu a grama fria. Estava escuro e ela ainda muito assustada não resistiu a vontade de explorar o local. Passo após passo ela sentia a brisa fria, o cheiro do orvalho, ouvia os ruídos dos animais noturnos, a lua iluminava a paisagem e os troncos das enormes árvores. Conforme andava se sentia cada vez mais adaptada aquele lugar, como se fosse natural andar em uma mata à noite. Procurou não pensar no que estava acontecendo e só se deixou levar pelo mistério do que parecia ser seu sonho. Começou a ouvir uma música ao longe, resolveu seguir em sua direção. Avistou luzes e silhuetas de muitas pessoas, pareciam dançar. Se aproximou mais e de repente o que viu as fez parar. O contorno que as luzes dos faróis faziam nas silhuetas que dançavam, mostrava que seis mulheres andavam entre as pessoas e estas iam caindo uma a uma, conforme as damas dançavam. Flávia sentiu um perigo iminente subir pela sua espinha, mas estava congelada. Não podia ir adiante e ajudar aquelas pessoas, nem correr da situação, só observar. Era as garotas formarem uma roda em volta de uma sétima, nada era nítido, só sombras. Mas percebeu que da moça que estava no centro saia uma luz azul como a que viu recentemente no teto do seu quarto e ia em direção das outras seis, e era tudo muito encantador e assustador, até em uma questão de segundos tudo parar e a cabeças das seis olharem de uma só vez na sua direção. Flávia foi sugada com tanta força de volta para sua cama que ficou sem ar. Olhou em volta tentando recuperar o fôlego, seu coração estava disparado e suas mãos estavam tremendo, mas aos poucos foi se acalmando. Tentando colocar seus pensamentos em ordem, pensou em ir até a cozinha beber um pouco de água e assim o fez. Pensou em ligar para Amanda, mas era muito tarde, deitou e ficou pensando no sonho que teve tentando gravar cada momento para não esquecer nada no dia seguinte e enfim adormeceu.

Quando Flávia acordou, já tinha uma mensagem da Amanda.

“Ví, bom dia (emoticons de girassóis), espero que esteja melhorzinha, já preparei um suco verde e torradinhas com geleia para levar para você antes da reunião. Te encontro lá (emoticons de corações).”

Quando a garota caminhava para o anfiteatro ela parou no bebedouro e enquanto bebia água ouviu duas garotas que aguardava a vez de usar o aparelho, comentar entre elas:

— Mas como assim, caída?

— No chão desacordada, e não era só eu, várias pessoas…

Flávia deixou o local, mas ficou pensando como era coincidência a conversa com o pesadelo que havia tido.

— Bom dia gatinha, vamos comer um lanchinho e partiu reunião. — Amanda a saudava com um belo sorriso que não saia só da sua boca, mas ela sorria com o olhar também.

— Mandi, tenho que tomar esse suco mesmo?    — Reclamou a amiga fazendo careta e com uma voz melosa.

— Sim, senhorita. Pelo menos um pouquinho, parece que está tendo um surto de uma “tonturice” geral por aí. — Mandi falava e ia ajeitando a comida em cima da mesa do refeitório onde estavam sentadas. — Sabrina foi numa festa ontem e hoje não falava nada com nada, só que deu tontura geral na galera. Claro que se encheram de álcool é isso que dá.

— Mandi, sabe mais sobre essa festa? Onde foi?

— Sei não, gatinha. Nem dei trela para as conversas das meninas, essas festas fora da cidade coisa boa não é.

Flávia ficou ouvindo Amanda falar sobre as novidades dos últimos acontecimentos do evento e como já estava tomando providência de tudo.

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