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Sangue do Verdadeiro Rei
Sangue do Verdadeiro Rei
Author: Anna Smith

Capítulo 1

Author: Anna Smith
Deixei o Reino do Norte por causa de Gabriel Brown.

Meu pai jamais acreditou que a linhagem de Gabriel fosse digna de estar ao meu lado.

Eu era filha de um Rei Vampiro no reinado, a única herdeira da Casa Sterling —nascida para coroas antigas e legados reais, não para uma linhagem periférica à margem da Corte.

Ainda assim, por amor, abri mão de tudo.

Meu nome.

Meu título.

Minha herança.

Ocultei minha identidade e fugi do Norte com ele.

Nunca imaginei que nosso amor não sobreviveria nem cinco anos.

Quando a lembrança da desaprovação do meu pai — e da preocupação que ele tentara esconder — surgiu em minha mente, um aperto inquietante tomou meu peito. Fechei os olhos, buscando o sangue ancestral dentro de mim, procurando o chamado silencioso do poder da minha família.

Antes que eu pudesse me conectar por completo, um aroma pesado invadiu meus sentidos.

Jasmim-noturno.

Forte. Sufocante.

Braços me envolveram firmemente por trás.

Gabriel havia retornado.

— Eu te acordei? — Perguntou suavemente, a voz delicada junto ao meu ouvido. — Ainda é cedo. Volte a dormir.

Ele não sabia que, nas noites em que ele ia até Chloe, eu nunca dormia de verdade.

Eu apenas fingia e então ficava acordada, contando as horas até ele voltar.

Ultimamente, ele vinha ficando nos aposentos de Chloe até o amanhecer.

E agora, todo o seu corpo carregava o cheiro dela. Aquele jasmim-noturno enjoativo e sufocante.

Eu o empurrei para longe.

— Vá tomar banho. — Falei friamente. — Você está com um cheiro horrível.

Ele hesitou, cheirou a si mesmo e então deu um passo para trás, sem jeito.

— Desculpe, Isabella. Não pensei em como você se sentiria.

Depois de um momento, acrescentou com cautela:

— Tenho visto a Chloe com mais frequência ultimamente… isso está te incomodando? Posso ficar mais com você nos próximos dias, se quiser.

Então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, ele disse:

— Tenho certeza de que a Chloe entenderia.

Observei em silêncio enquanto ele caminhava em direção ao banheiro.

Desde quando o tempo dele comigo precisava da compreensão dela?

Para qualquer um que estivesse vendo de fora, pareceria que eu era a intrusa — aquela interferindo entre um Senhor dos Vampiros e sua Consorte.

Quando Gabriel saiu do banheiro, uma toalha pendia baixa em sua cintura. A água deslizava pelas linhas do abdômen, e sua aparência continuava tão marcante quanto no primeiro dia em que o conheci.

Naquela época, eu havia escapado do Norte por impulso — apenas para ser caçada. Ele me salvou por acaso. E acabou ferido por minha causa.

Quando tratei de seus ferimentos, ele se despiu sem hesitar, o sangue escuro reluzindo frio contra a pele pálida.

Constrangida, desviei o olhar — mas ele segurou meu queixo e me forçou a encará-lo.

— Eu te salvei. — Disse ele. — De agora em diante, você é minha.

Então sorriu, audacioso e sem remorso.

— Me apaixonei por você à primeira vista. Seja minha única Rainha de Sangue. Você pode me olhar sempre que quiser.

Então ao perceber que eu o observava, ele riu e me puxou para seus braços.

— Já estava sentindo falta? — Provocou. — Vou te fazer esse favor.

Ele puxou a toalha — eu virei o rosto.

Ele não era mais o mesmo homem de cinco anos atrás.

Por mais que se lavasse, o cheiro de jasmim-noturno continuava grudado nele.

Aquilo me embrulhava o estômago.

Antes que eu pudesse afastá-lo outra vez, uma batida brusca cortou o clima. A criada de Chloe estava à porta.

— Já chamou um médico? Ela ficou mal de repente.

No instante em que ouviu o nome de Chloe, Gabriel não hesitou. Afastou-se de mim e começou a se vestir às pressas.

— Ela não estava bem mais cedo? — Murmurou, já quase saindo pela porta.

Só então pareceu se lembrar de mim. Voltou-se por um momento, culpa passando por seu rosto.

— Vou ver como ela está. Volto logo.

— Meu irmão está morto. — Acrescentou em voz baixa. — Chloe não tem mais ninguém além de mim agora. Quando eu voltar, podemos continuar.

Continuar?

Ele nunca precisou do meu consentimento para ficar com ela.

Nunca precisou da minha compreensão.

Apenas da minha paciência.

De uma espera interminável e silenciosa.

Mas eu não podia mais esperar. E não iria continuar nessa.

Sorri para ele.

Era o tipo de sorriso que o deixava completamente tranquilo — aquele que o fazia acreditar que poderia nos deixar para trás mais uma vez sem consequências.

Ele ainda não sabia que eu já havia recebido a notícia de sua iminente cerimônia de Vínculo de Sangue com Chloe.

Assim que a porta se fechou atrás dele, fechei os olhos e despertei o sangue ancestral que corria em minhas veias, permitindo que ele alcançasse novamente o poder da minha Casa.

Ótimo.

A hipocrisia dele tornaria ainda mais fácil para mim e para meu filho irmos embora.
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