تسجيل الدخولSophiaSebastian permaneceu alguns segundos em silêncio depois da minha pergunta.Eu não queria pressioná-lo.Pela primeira vez, não estava tentando arrancar uma resposta. Queria ouvir a história como ele lembrava dela.Ele pegou a xícara, mas não bebeu.— Eu conheci sua mãe quando ainda era militar — começou. — Naquela época, minha vida era muito diferente do que você conhece.Fiquei quieta.— Eu tinha pouco mais de vinte anos. Passava a maior parte do tempo entre treinamentos, operações e períodos em que mal conseguia voltar para casa. Não tinha dinheiro, não tinha grandes planos. Só queria construir alguma coisa para mim.— E foi assim que você chegou ao hospital?— Foi.Ele apoiou a xícara sobre a mesa.— Sofri um acidente durante uma operação. Nada que você precise imaginar como algo muito grave, mas foi suficiente para me deixarem alguns dias em observação.— E Elena estava lá.— Estava.Um pequeno sorriso apareceu no rosto dele.— No primeiro dia, eu mal reparei nela. Eu estava
Sophia Não conhecia a minha vida.E, pela primeira vez, percebi que talvez eu também fizesse exatamente a mesma coisa com ele.Eu sabia quem ele era para o mundo.Mas não sabia quem ele era quando ninguém estava olhando.Sebastian serviu mais chá.— Você está diferente.Ergui os olhos.Ele corrigiu antes que eu perguntasse:— Pelas informações que recebo.Quase sorri.— Pelo menos você deixou claro.Ele também sorriu.Por alguns minutos, continuamos conversando.Não sobre crimes. Não sobre o passado. Não sobre o motivo pelo qual nossa relação precisava existir daquela maneira.Falamos da conferência, da Fundação e do meu retorno para Boston.Até que uma pergunta antiga voltou à minha cabeça.Fiquei alguns segundos em silêncio, mexendo distraidamente na xícara de chá.Havia perguntas demais dentro de mim.Algumas eu carregava desde criança.Outras tinham surgido conforme fui crescendo e percebendo que havia partes da minha história que ninguém parecia disposto a explicar.Olhei para e
SophiaFechei o envelope e permaneci alguns segundos olhando para o endereço.Eu não reconhecia o nome da rua.— É longe? — perguntei.O homem consultou o relógio.— Cerca de trinta minutos, dependendo do trânsito.Olhei novamente para o papel.— E quem estará lá?Ele hesitou antes de responder.— Seu pai.A resposta deveria ter sido suficiente, mas alguma coisa na maneira como ele falou me deixou desconfortável.— Tem certeza?— Foi a orientação que recebemos.Guardei o endereço na bolsa.— Então vamos.Ele fez um sinal para que eu o acompanhasse de volta à entrada. Antes de sair, olhei uma última vez para a casa.Era estranho abandonar um lugar que, poucos minutos antes, deveria ter sido o cenário de um encontro importante.Quando atravessei o portão, o motorista já estava esperando.Entrei no carro e entreguei o novo endereço.Durante o caminho, tirei os óculos escuros e os coloquei sobre a bolsa. Peguei o celular.Havia uma mensagem de Katherine perguntando se eu já estava acordad
SophiaFechei o envelope e permaneci alguns segundos olhando para o endereço.Eu não reconhecia o nome da rua.— É longe? — perguntei.O homem consultou o relógio.— Cerca de trinta minutos, dependendo do trânsito.Olhei novamente para o papel.— E quem estará lá?Ele hesitou.— Seu pai.A resposta deveria ter sido suficiente, mas alguma coisa na maneira como ele falou me deixou desconfortável.— Tem certeza?— Foi a orientação que recebemos.Guardei o endereço na bolsa.— Então vamos.Ele fez um sinal para que eu o acompanhasse de volta à entrada. Antes de sair, olhei uma última vez para a casa.Era estranha a sensação de abandonar um lugar que, poucos minutos antes, deveria ter sido o cenário de um encontro importante.Quando atravessei o portão, o motorista já estava esperando.Entrei no carro e entreguei o novo endereço.Ele conferiu rapidamente.— Vamos para outro local?— Sim.Não fiz mais perguntas.Assim que o carro começou a andar, tirei os óculos escuros e os coloquei sobre
SophiaO relógio marcava oito e vinte da manhã quando terminei de me arrumar.A roupa que havia recebido na noite anterior estava sobre a cama: a blusa vinho de gola alta, a saia clara de cintura alta, o casaco longo da mesma tonalidade e as botas brancas. Os óculos escuros estavam sobre a penteadeira, ao lado da pequena bolsa que combinava com o conjunto.Era estranho vestir algo escolhido por ele.Aquele ritual já fazia parte das nossas viagens, mas nunca deixava de produzir a mesma sensação no meu peito. Meu pai conhecia o local onde eu seria recebida e fazia questão de que seus homens soubessem exatamente quem estava chegando. A roupa funcionava como uma espécie de identificação silenciosa.Prendi os cabelos em um rabo de cavalo alto, coloquei os brincos pequenos que havia levado de Boston e ajustei o relógio no pulso. Depois, peguei o papel com o endereço e o horário do encontro e o guardei na bolsa.Antes de sair, fiquei alguns segundos diante do espelho.Eu tinha passado a noit
SophiaAssim que deixei o aeroporto, encontrei o carro que me levaria ao hotel. O motorista segurou a porta para que eu entrasse e acomodou minha bagagem no porta-malas antes de assumir o volante.Entreguei a ele o endereço do hotel e me acomodei no banco traseiro.Seul passava diante da janela enquanto seguíamos pelas ruas movimentadas. Eu observava os prédios, as placas em coreano, os cafés cheios e o fluxo constante de pessoas nas calçadas. Havia algo familiar naquela paisagem, embora eu estivesse ali depois de bastante tempo.Peguei o celular e conferi o horário.Ainda era cedo.A conferência começaria apenas no dia seguinte, e eu havia decidido não marcar nenhum compromisso naquela noite. Precisava descansar depois da viagem.Ou, pelo menos, era isso que eu dizia a mim mesma.O caminho até o hotel levou algum tempo. Aos poucos, o movimento das ruas mudou, e o carro entrou em uma região mais sofisticada da cidade.Quando o hotel apareceu diante de mim, reconheci imediatamente o lu







