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Sete Dias Vivendo como Sra. Coelho
Sete Dias Vivendo como Sra. Coelho
作者: Crepúsculo

Capítulo 1

作者: Crepúsculo
Depois que eu saí do nosso lar conjugal, Yago não veio atrás de mim.

Atrás de mim, os amigos dele começaram a fazer piada.

— Este ano, Nádia Monteiro melhorou a estratégia.

— Yago, você não pode desistir cedo demais.

Yago soltou uma risada baixa:

— Ela não consegue abrir mão de mim. Em, no máximo, três dias, ela volta sozinha.

Naquela noite, Yago abriu uma nova aposta no grupo de conversa dos amigos.

Yago apostou trinta mil: eu não aguentaria nem setenta e duas horas antes de voltar.

Para me fazer ceder primeiro, ele cadastrou oficialmente a impressão digital de Jaqueline no sistema da fechadura. Depois, entregou a ela a chave reserva que simbolizava o lugar de dona da casa.

Usando os meus chinelos, Jaqueline publicou no grupo uma foto da chave e do café da manhã.

Na legenda, ela escreveu:

[Primeiro dia vivendo como Sra. Coelho.]

Os amigos de Yago logo começaram a provocar:

[Hoje à noite você precisa aceitar o desafio e dormir na suíte principal.]

[Sra. Coelho precisa vestir o pijama da dona da casa.]

Yago não apenas deixou aquilo acontecer, como ainda escreveu para Jaqueline por iniciativa própria:

[O pijama está na segunda prateleira do closet.]

Quando vi aquela mensagem, eu estava organizando as minhas malas na casinha que meus pais tinham deixado para mim.

Ninguém morava ali havia anos. O peitoril das janelas estava coberto de poeira, e a torneira já tinha alguns pontos de ferrugem.

Mas, pelo menos, ali ninguém tratava o meu lugar de Sra. Coelho como um prêmio de brincadeira ou de aposta.

No primeiro ano, depois que Jaqueline vestiu o meu pijama, eu chorei na frente de todos.

Yago me abraçou e passou muito tempo tentando me acalmar. Ele disse que só queria ver se eu ficaria com ciúme por causa dele.

Ele também prometeu:

"Esta é a primeira e a última vez."

Agora, Jaqueline experimentava uma por uma as minhas roupas no closet.

Ela chegou a abrir uma transmissão ao vivo para que os amigos escolhessem qual combinação a deixava mais parecida com a Sra. Coelho.

Ela vestiu a minha camisola de seda e deu uma volta diante da câmera.

— O que vocês acham desta?

Yago estava sentado ao lado. Ele ergueu os olhos e olhou de relance:

— Essa roupa fica mais leve e mais viva em você do que nela.

A transmissão ao vivo se encheu de risadas. Alguém perguntou por que eu não tinha aparecido.

Os olhos de Jaqueline ficaram vermelhos na mesma hora:

— Nádia leva brincadeira a sério demais. Isto é só um desafio. Eu só estava ajudando Yago, mas quem diria que ela ia ficar de birra e sair de casa de verdade? Mas vocês também sabem que ela vai acabar voltando.

Yago puxou um lenço de papel e entregou a ela.

Logo depois, ele me enviou uma mensagem:

[A vida de casal também precisa de um pouco de novidade. Você não precisa ficar com raiva por causa de uma brincadeirinha.]

[Se você insiste em continuar com esse teatrinho de fugir de casa, então venha buscar as suas coisas também.]

Quando voltei ao lar conjugal, a fechadura já não reconhecia a minha digital.

No fim, foi Jaqueline quem abriu a porta para mim. Ela usava o meu pijama e calçava os meus chinelos.

Na suíte principal, a roupa de cama também tinha sido trocada por um jogo rosa do gosto dela.

Os meus produtos de cuidados com a pele foram jogados dentro de uma caixa de papelão, como se fossem lixo.

A foto do nosso casamento, que ficava na cabeceira, tinha sido retirada e apoiada em um canto da parede.

Na foto, metade do meu rosto estava coberta pela caixa.

Yago empurrou uma caixa de papelão para a minha frente e disse:

— Nádia, você só pode fazer esse joguinho de se fazer de difícil uma vez.

Jaqueline mordeu o lábio e disse em voz baixa:

— Talvez seja melhor eu dormir no quarto de hóspedes.

Ela dizia isso, mas continuava parada dentro da suíte principal, sem a menor intenção de sair dali.

Como esperado, Yago segurou a mão dela e disse:

— A dona da casa deve dormir na suíte principal.

Depois de dizer isso, ele olhou para mim.

Aquele sorriso familiar ainda estava nos olhos dele.

Como se ele estivesse esperando que eu avançasse para recuperar a cama ou chorasse perguntando quem ele amava de verdade.

Mas eu apenas peguei a caixa de papelão no colo e perguntei:

— Falta mais alguma coisa?

Pela primeira vez, o sorriso nos lábios de Yago perdeu força. Ele me encarou por alguns segundos antes de dizer, com a voz fria:

— Nádia, desta vez você está fingindo muito bem. Eu quero ver quantos dias você ainda aguenta.

Eu não respondi. Apenas me virei e fechei a porta.

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