LOGINJúlia escolheu um relógio guiada apenas pelo próprio gosto. Custava mais de dois milhões. Para ela, aquilo era até barato. Um dos relógios do irmão começava na casa dos dez milhões. Mas aquele já era mais do que suficiente para dar de presente.Ela pagou, colocou a sacola na mão de David e saiu puxando ele para a próxima loja. Depois do relógio, queria comprar joias.Mal tinham dado dois passos quando Júlia viu algo ao longe e, de repente, agarrou a mão dele e saiu correndo para o lado.David não entendeu nada, mas correu junto. Ao virar a esquina, olhou para trás e entendeu por que ela estava tão nervosa.Júlia respirava ofegante.— Não viram a gente, né?Luana e Dante estavam em Cidade G!David viu a expressão rara de tensão no rosto dela e ironizou:— Você também tem medo de que descubram o que fez?Júlia rebateu na hora:— Claro que não tenho!E completou, cheia de atitude:— E você? Tem coragem de contar para sua irmã sobre nós dois?Ela gostava de Luana. Desde pequena tinha um ce
Na época em que Júlia ainda estava construindo uma imagem positiva diante de David, eles não se viam com frequência, mas mantinham contato constante. As chances de sair para passear juntos eram raras.Ela escolheu ir às compras por dois motivos. Primeiro, para matar o tempo. Não dava para ficar no hotel se encarando. Segundo, para criar mais lembranças a dois. Passear era leve. Se gostasse de algo, comprava. E podia dar de presente.Júlia sabia que David estava resistente e incomodado com ela. Mas, com a própria cara de pau, pelo menos conseguiu fazê-lo ter que acompanhá-la. Com contato, havia chance de reparar a relação aos poucos.A visão que uma pessoa tem da outra pode mudar com convivência. Se o tempo for longo o suficiente, o coração muda.Não é à toa que existe a ideia de que o sentimento nasce com o tempo.Júlia não duvidava do próprio charme. Muita gente podia odiá-la, mas ela sempre atraía ainda mais olhares. Até quem a odiava não conseguia deixar de prestar atenção nela.Po
David ficou desconcertado com um elogio tão direto.Quando Júlia estava de bom humor, não escondia nada. Tudo aparecia no rosto.Ela nunca precisou disfarçar o que sentia. Podia simplesmente ser ela mesma. Por isso, quando mostrava quem realmente era, fazia sem filtro nenhum, expondo cada emoção sem se conter.David não queria admitir, mas ouvir aquilo realmente deixava qualquer um contente.— Seu segurança está lá fora?Assim que ele falou, Júlia já entendeu o que ele estava pensando. Inclinou a cabeça.— Está sim. Então nem pensa em fugir. A menos que consiga vencer meu segurança. Da última vez no País F, eles pegaram leve com você.David ficou em silêncio, o rosto frio.Júlia desceu da cama descalça, foi até ele e o abraçou pela cintura, erguendo o rosto.— Você está tão bonito. Claro que eu vou querer olhar mais um pouco. Como é que eu ia te deixar ir tão rápido?David não soube o que responder.— Me dá um beijo. — Ela aproximou o rosto e se esfregou contra ele.David não conseguia
David baixou os olhos para ela. Sabia que não havia chance de reconciliação.— Eu só não quero brigar com você.Júlia não ligou. Ele não a afastou, então ela ficou ainda mais ousada e insistiu:— Então fala logo. A gente fez as pazes ou não? Fez ou não?David olhou para o rosto dela, onde as emoções apareciam sem filtro. Ela parecia realmente feliz.Não era estranho. Eles ainda eram jovens. Quando estavam felizes, viravam outra pessoa. Júlia parecia íntima dele, mas no fundo não havia nada sólido entre os dois. David não conseguia se sentir seguro numa relação assim.— Depois a gente fala disso. — Ele a empurrou de leve.Júlia fez questão de se aproximar mais. Sem perceber, fez manha:— Olha como eu te maltratei, posso até ceder um pouco. Deixo você me responder depois.David estava sem saber o que fazer.Júlia fez uma ligação. Pouco depois, David viu o segurança dela, alto e sério, entrar no quarto.Ela ainda vestia aquele pijama largo, até um pouco transparente, mas parecia não se im
David sabia que tinha um traço evitativo. Ainda mais depois de conhecer o verdadeiro lado de Júlia. Ela machucava as pessoas, desgastava quem se aproximava, não dava nada de sincero. No fundo, ela não se importava com os sentimentos de ninguém.Uma pessoa assim nunca poderia dar a ele a segurança que ele precisava.Para se proteger, ele precisava se afastar dela.Mesmo assim, toda vez que a via, existia uma alegria escondida dentro dele. Ele não conseguia mentir para si mesmo.Ele odiava quando ela se aproximava. Mas também temia quando ela se afastava.Esses pensamentos ele não conseguia dizer em voz alta. Quando finalmente falou, o tom saiu duro:— Eu não tenho como lidar com você, mas também não espere que eu ceda. E para de encostar em mim.Júlia não se intimidou.— Quem disse que você manda em mim? David, eu só encosto em você porque gosto de você. É uma recompensa.David chegou a rir de tanta raiva, mas era um riso frio. Ele não quis mais discutir com ela:— Minhas roupas.— Dor
Júlia soltou um resmungo frio.— Tenho nojo, sim. Muito nojo de você. Na verdade, eu até te odeio. Se eu não descarregar essa raiva em você, eu não consigo engolir. Por isso eu consigo fazer muitas coisas com você mesmo sentindo nojo. Igual naquele Dia dos Namorados, quando eu tomei a iniciativa de te beijar.Quando disse as últimas palavras, o olhar dela caiu nos lábios dele.De repente ela se inclinou e mordeu os lábios dele com precisão, beijando-o com força.Aquilo parecia mais uma punição do que um beijo.Júlia sempre agia assim, imprevisível. Até um beijo surgia como um ataque.David sentiu algo macio pressionar os lábios dele, seguido de uma força intensa. Era completamente diferente do toque rápido que tinha acontecido no bar naquela vez.A mente dele travou.David ficou completamente atordoado. Ele empurrou Júlia com força.Ela quase caiu da cama. Quando conseguiu se firmar e olhou para ele, viu o desprezo profundo nos olhos dele.Então David disse:— Você é mesmo desprezível.
Igor olhou para Joana sem entender, e perguntou com seriedade:— Eu precisava te contar o quê?Joana era irmã caçula de Igor, apenas dois anos mais nova. Para ela, o irmão sempre foi calmo, gentil. Mas aquela gentileza dele mais parecia um tipo de apatia, nada o afetava, nada o tocava, era como se e
— Você sempre soube o que queria, nunca se desgastou à toa. Por isso vive tão leve.Luana olhava pra Lorena com uma admiração verdadeira:— É por isso que eu gosto de você.Lorena se arrepiou toda:— Ah, credo, você me assusta assim! Não tô acostumada!Luana serviu um copo de bebida, ergueu pra brin
Luana olhou pro Henrique, com aquela cara fechada, e logo lembrou do dia seguinte do processo do divórcio, quando esbarrou com ele por acaso.Hoje, tinham acabado de assinar os papéis, e ela já dava de cara com ele no bar, bem na hora em que estava contratando modelos.Definitivamente, era um karma.
Luana aprendia tudo muito rápido, e com pintura não foi diferente.Como tinha uma boa noção espacial, ela gostava de pinturas com profundidade ou simetria, principalmente as de arte geométrica minimalista, que a faziam lembrar das fórmulas matemáticas.Seu tema preferido era a natureza.Quando era p







