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Capítulo 36

last update publish date: 2024-08-24 05:58:49

Aaron Duckworth.

Isso é torturador! Nunca pensei que ficar distante de alguém por algumas horas me afetaria tanto de alguma maneira.

-No que tanto pensa priminho?- Gustavo questiona irônico logo bebendo em um só gole seu whisky, curioso pra caralho.

-Apenas mal pressentimento.- encaro a janela do jatinho, é engraçado a forma em que tudo parece tão pequeno daqui de cima...

-Ela tá segura, relaxa Aaron.- se aconchega na poltrona fechando os olhos. -Não vejo a hora de pisar na terra dos Venture, a irmã do Dimitri é linda pra caralho.

-Você se ilude demais, não acha Gustavo?- Termino meu whisky vendo ele sorrir.

-Não mesmo.

Gustavo se achava o pegador da família, talvez porque tenha uma boa lábia, minha mãe me dava bronca todo santo dia mas Gustavo era mil vezes pior.

-Se você diz.

Encosto a cabeça no encosto da poltrona e fecho os olhos.

-Fica bem gatinha...

Sabrina Becker.

Quer ver algo entediante? Uma tarde de chá com as senhoras esposas do Adam e Augusto. A minha mãe estava super feliz com a novidade do herdeiro ou herdeira, eu não sei se fui muito malvada ao esconder o sexo da minha mãe, somente quero que tudo seja perfeito.

Uma surpresa.

-Filha! Você não quer mesmo falar? Confesso que estou curiosa.

Neguei folheando uma revista, nela possui nomes para bebês.

Coincidência né?

-O que acha do nome Miguel?- Melissa propõe e nego. Muito comum.

-E se for menina?- mamãe questiona e a olho.

-Que tal Maria?

-Em que século você vive Melissa?- mamãe rir e Mel a acompanha.

A amizade dessas duas é algo admirável, mas confesso que já estava começando a ficar desconfortável.

Cruzei as pernas elegantemente e passo mais uma folha, Melissa praticamente me obrigou a ver as possibilidades de nomes por essas revistas.

-O que acha de Carla?- diz Mel.

A olha com espanto, isso é sério?

-Credo!- Rimos novamente, é um belo nome mas, não. -Não mesmo.

-Mel? Pretende fazer uma festa para o seu filho? Sabe, o aniversário dele.

Melissa ajeita a postura exibindo um belo sorriso orgulhoso e suspira.

-Já tem um tempinho, Você tem algum plano?

Ambas me lançam um olhar intrigado e aceno positivamente com cabeça, mordendo o lábio inferior.

E como tenho.

Aaron Duckworth.

-Como estou?

Gustavo deu uma volta erguendo os braços.

-Feio.- Brinco arrumando minha gravata em frente ao espelho. -Você realmente é um Duckworth?

Gustavo bufa.

-Já te falaram que inveja mata?

-Não.- com ajuda de gel fixador, penteio os fios negros para trás os deixando perfeitamente alinhados. -Perfeito.

-Gentileza da parte do Venture nos receber com uma festa não acha?- Gustavo para ao meu lado, encarando seu reflexo no espelho. -Eu sou muito lindo.

-Se você repetir isso mais uma vez, farei questão de meter uma bala na sua testa.

[...]

-Uma festa? Você me deixou na Alemanha para ir em uma festa Aaron levi Duckworth!- grita, e pelo seu tom de voz, está irritada.

-Relaxa loira! Eu volto em breve.- olho de relance Gustavo que segurava a risada. -Vai a merda.

-Falou algo Aaron?

-Estava falando com seu amigo, Becker! Reze para eu não matá-lo até lá.

-Não mate meu escravo, Aaron.- Ela rir. -Preciso desligar, Kelly está enchendo meu saco.

A limusine estacionou em frente a um prédio com aproximadamente 20 andares.

-Te ligo depois, se cuida Becker.

-Igualmente Duckworth.- ela desliga o aparelho e o ponho no bolso.

A porta ao meu lado é aberta e de imediato olho Gustavo.

-Se comporte!

Ele assentiu ajustando a gravata.

-Isso será divertido.- ele sai pelo outro lado e faço o mesmo. -Sempre me comporto.

Uma onda de flashes são disparados em minha direção assim que ponho o pé para fora, logo Gustavo estava ao meu lado.

-Paparazzis!- Gustavo faz pose enquanto sorrir. -Por isso gosto do Venture.

Logo somos rodeados por repórteres e câmeras, por isso eu não esperava.

-Senhor Duckworth! A imprensa fica feliz em vê-lo bem. E sua esposa? Por que não se faz presente?

Uma moça ruiva direciona o microfone em minha direção e outros repórteres fazem o mesmo, Maldito Venture! Eu havia dito, sem paparazzis.

-Motivos pessoais.

-O senhor pretende investir mais nos Venture.- apenas concordei, às vezes essas pessoas querem saber demais.

As câmeras e microfones são direcionadas a Gustavo, que sorri abertamente ao ter uma apontada em sua cara.

-Quando irá se casar, senhor Duckworth?- Gustavo parece pensar...-Ou será o único Duckworth a permanecer solteiro?

-Em breve! Por hoje é só, tenham uma boa noite.- Gustavo respondeu um pouco irritado, seguindo caminho à frente pelo tapete vermelho.

As câmeras são voltadas para mim novamente.

-Uma boa noite a todos.

Me desviei de algumas pessoas e outras abriram caminho.

Alcanço Gustavo.

-Achei que gostasse das câmeras.- o provoco, Gustavo sustenta seu semblante sério o que é bem raro.

-Aquela mulher me chamou de solteirão!- desdenhou. -Puta de sacanagem.

-Vai ter que se casar mais cedo ou mais tarde, são às regras, não vai fugir disso para sempre.- digo sério, que a verdade seja dita.

Aceno para os homens que têm em mãos uma prancheta, eles não analisam o papel, apenas liberam minha entrada.

Assim que entramos, vasculho o térreo do edifício que já tinha aproximadamente umas 30 pessoas.

Há um palco improvisado onde alguns instrumentistas tocam música clássica, em outro canto mesas bem largas e fartas sem mencionar o lustre de cristal no centro.

Alguns casais dançavam animadamente, outros apenas conversavam. Vasculho com o olhar cada canto desse lugar.

-Ali.- Gustavo aponta com o queixo em uma certa direção, olho na mesma direção vendo Venture erguer uma taça.

Comprimento algumas pessoas até chegar no Venture.

-Nikolai Venture.- faço uma breve reverência assim como Gustavo. -Quanto tempo...

O homem com sua aparência entre os 55 a 60 anos, cabelos tingidos de ruivo e olhos azuis junto com algumas rugas demonstram cansaço.

Ele entrega sua taça para uma mulher que estava ao seu lado e sorri.

-Aaron Duckworth e Gustavo Duckworth, cresceram rápido.- diz surpreso. -Dois homens já feitos.- faz uma breve reverência.

-Tempo passou rápido, continua muito bem Venture.- Gustavo ergue as duas sobrancelhas, duas vezes.

O homem negou com um sorriso de canto.

-E você continua sendo um piadista, Gustavo.- ajeita seu terno, fazendo marca sua barriga meio arredondado.

-Disse que tinha algo para me mostrar, Venture. O que é?

Seu humor antes presente agora lhe falta, ele pega a taça na mão da garota bebendo o líquido incolor de uma só vez.

-Não querem beber nada antes?- neguei. -Tudo bem, me sigam.

Seguimos em direção a uma espécie de elevador, Venture apertou um dos botões e subimos.

-Preciso que esteja preparado Aaron.- ele entrelaça os dedos em frente ao corpo. -Posso imaginar o quanto gosta da Sabrina.

-O que ela tem haver com isso?

-Verá.

As portas metálicas se abrem, saímos da caixa metálica, estamos em um corredor quase sem iluminação, não é possível enxergar muita coisa.

Venture se posiciona em frente a uma porta, retira uma chave dourada do bolso destrancado a porta.

-Que suspense.- Gustavo entra logo depois de Venture.

Entro logo depois do meu primo, as luzes são acesas por Venture, analiso rápido o pequeno cômodo com vários televisores presos a suportes na parede, uma sala de vídeo.

-Analise os vídeos, Duckworth.- Ele indica um notebook já aberto.

Vou até o eletrônico dando o play.

Dou dois passos ao notar que todos os televisores haviam ligado, exibindo imagens de diferentes ângulos.

As imagens são antigas, era notável pela à qualidade não muito boa, porém nítida.

O beco estava escuro mas eu sabia muito bem onde era aquele lugar.

Outra câmera flagrou o momento em que um homem usando terno imprensa uma garota de fios loiros e olhos desesperados na parede.

Ela apresentava está bebada, se debatia sem sucesso...

Sabrina...

Um outro homem chegou socando o rosto do que agarrava Sabrina.

Ele se afastou cambaleando para trás, foi possível ver seu rosto.

O salvador da Becker foi o Dimitri.

-Que filho da puta.- retiro o celular do bolso, disco o número do Digo que atendende no segundo toque.

-Fala Aaron.

-Eu quero Salazar morto, Rodrigues. Eu quero aquele filho da puta esquartejado.

-Um do seus seguranças? Por quê?

-Ele tentou abusar da Sabrina!- grito exaltado, meu corpo ferve tomado pelo ódio. -Não o deixe o sair dai.

Agora eu entendo o motivo da sua repudia contra aquele homem.

Só de pensar que ele poderia ter violado minha futura mulher...

Farei questão de mata-ló com minhas próprias mãos.

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