FAZER LOGINCAPÍTULO 131 Vicente Eu sempre me considerei preparado para situações inesperadas. Negociações complicadas, decisões financeiras importantes e reuniões que exigiam sangue-frio faziam parte da minha rotina. Aprendi a avaliar riscos e encontrar soluções mesmo sob pressão. Mas nada disso me preparou para ouvir Manuela dizer que estava grávida. Permaneci abraçado à minha esposa por vários minutos, tentando assimilar que, dentro dela, uma vida começava a se desenvolver. Nosso filho. Ou nossa filha. Quando me afastei, encontrei Manuela sorrindo entre lágrimas. Havia felicidade em seus olhos, mas também uma insegurança que conhecia bem. — Você está muito quieto, Albuquerque. Estou começando a desconfiar que a notícia provocou algum problema no seu sistema de raciocínio. Sorri, segurando seu rosto entre as mãos. — Estou tentando decidir se beijo vo
CAPÍTULO 130 Manuela Nunca imaginei que esconder uma notícia de Vicente Albuquerque pudesse ser tão difícil. Principalmente porque meu marido tinha uma capacidade irritante de perceber quando alguma coisa estava fora do lugar. E, naquela noite, a coisa fora do lugar era eu. Estávamos na cozinha, preparando o jantar. Vicente havia assumido a responsabilidade pelo molho enquanto eu cortava alguns tomates, mas sua atenção parecia dividida entre a panela e minhas expressões. — Ferraz, você já cortou esse tomate em pedaços tão pequenos que estou começando a suspeitar de alguma vingança pessoal. Quer me contar o que está acontecendo ou prefere que eu continue tentando adivinhar? Olhei para a tábua. Ele tinha razão. O tomate estava praticamente triturado. — Estou distraída, só isso. A reunião de quinta-feira está me deixando ansiosa, e ainda preciso revisar algumas informações
CAPÍTULO 129 Manuela Na manhã seguinte, acordei antes do despertador. O quarto ainda estava mergulhado na penumbra, e uma faixa discreta de luz atravessava a cortina. Vicente dormia de lado, com uma das mãos apoiadas sobre meu quadril, enquanto sua respiração tranquila contrastava com a quantidade absurda de pensamentos que circulavam pela minha cabeça. Cinco dias de atraso. Passei boa parte da noite tentando encontrar explicações razoáveis. O estresse no trabalho, as noites mal dormidas, a alimentação desregulada. Todas pareciam possíveis, mas nenhuma conseguia afastar a ideia que havia se instalado na minha cabeça. Olhei para Vicente. Havíamos conversado sobre filhos algumas vezes. Ele nunca escondeu o desejo de ser pai, embora também nunca tivesse transformado aquilo em uma cobrança. Eu queria ser mãe, mas sempre imaginara que teria algum tipo de preparação emocional antes de chegar a esse momento. Talvez até uma planilha. A ideia me fez sorrir sozinha. — Está a
CAPÍTULO 128 Manuela Três anos de casamento. Às vezes, eu ainda me surpreendia com a rapidez com que o tempo havia passado. Parecia que ontem estava no bar de um hotel, tentando esquecer a traição de um noivo com quem deveria me casar em poucos dias. Naquela noite, conheci Vicente Albuquerque. Hoje, aquele homem era meu marido, meu melhor amigo e, frequentemente, o responsável por transformar minhas manhãs organizadas em uma completa bagunça. Como naquela segunda-feira. O despertador havia tocado duas vezes, mas Vicente continuava deitado ao meu lado, com um braço firme sobre minha cintura e os lábios roçando devagar a curva sensível do meu pescoço, fazendo arrepios subirem pela minha pele. — Você sabe que tenho uma reunião importante às nove, não sabe? — perguntei, com a voz rouca de sono, tentando em vão alcançar o celular na mesa de cabeceira. Ele segurou minha mão com firmeza, puxando-me ainda mais para perto, de modo que não houvesse espaço algum entre nós. Senti o cal
EPÍLOGO O Melhor Lugar do Mundo Manuela Três anos depois — Vicente Albuquerque, se você não aparecer nesta cozinha nos próximos dez segundos, vou considerar seriamente pedir o divórcio! — Por causa de uma torrada? — Por causa da última torrada! A risada do meu marido veio do corredor antes que ele aparecesse usando uma camiseta cinza, calça de moletom e aquela expressão descaradamente satisfeita que continuava me irritando depois de três anos de casamento. Vicente segurava uma xícara de café e observou o prato vazio sobre a bancada. — Em minha defesa, não havia nenhuma identificação de propriedade. — Estava no meu prato. — Um detalhe administrativo. Apontei para a torradeira. — Faça outra. Ele se aproximou, passou um braço pela minha cintura e beijou meu pescoço.
CAPÍTULO 127: Sempre Você Manuela Acordei com o cheiro de café e a sensação de que havia alguma coisa diferente naquela manhã. Estendi a mão para o lado da cama. Vazio. Sobre o travesseiro de Vicente, encontrei um envelope branco com meu nome escrito à mão. Sorri antes mesmo de abri-lo. Um ano, senhora Albuquerque. Vista alguma coisa bonita. O café está esperando por você. Seu marido. Olhei para o calendário sobre o criado-mudo. Dezesseis de maio. Nosso primeiro aniversário de casamento. Vesti um robe de seda e desci as escadas descalça, seguindo o aroma de café fresco. Vicente estava na cozinha, usando calça de moletom cinza e uma camiseta preta. Os cabelos ainda úmidos indicavam que havia acabado de tomar banho. Quando me viu, apoiou a xícara sobre a bancada. — Bom dia, minha esposa. — Bom dia, meu marido. Aproximei-me, envolvendo seu pescoço com os braços. — Feliz aniversário de casamento. Ele me segurou pela cintura e me beijou demoradamente.







