LOGINPOV / ISAURA TREVINE
A tela do celular ficou molhada antes que eu conseguisse abrir o aplicativo. Passei a mão no rosto e limpei o aparelho na lateral do vestido. Não queria ligar para minha avó daquele jeito. Ela ouviria minha voz e começaria a fazer perguntas que eu ainda não conseguia responder.
— Quer uma carona?
Virei o rosto. O homem do corredor tinha saído do prédio e parado perto de mim, junto à porta de entrada, com o paletó aberto e as mãos nos bolsos. Recuei um pouco para não continuar recebendo os respingos da chuva.
— Estou chamando um táxi.
— Posso levar você.
— Não, obrigada.
Ele olhou para o celular na minha mão antes de voltar a me encarar.
— Vai esperar aqui na chuva?
Balancei a cabeça e voltei à tela. O endereço de casa apareceu entre os destinos recentes, mas demorei a selecionar. Minha avó perguntaria pelo casamento assim que eu entrasse. Apertei os lábios, sentindo outras lágrimas escorrerem.
— Não quero ir para casa agora.
Ele permaneceu ao meu lado enquanto eu procurava o lenço que tinha me dado.
— Podemos ir para outro lugar, beber alguma coisa. O que acha?
Olhei para ele, apertando o lenço contra a bochecha.
— Depois disso?
— Principalmente depois disso.
Eu quase não bebia, mas também não queria continuar ali, esperando que Conrad descesse. Guardei o telefone e concordei.
— Só um pouco.
Ele chamou um carro. Quando abriu a porta para mim, precisei levantar bastante o rosto para olhá-lo. Devia ter perto de um metro e noventa. Entrei antes que percebesse que eu estava reparando nele e me acomodei junto à janela. Durante o trajeto, meu celular vibrou. Conrad estava ligando.
Recusei a chamada e segurei o aparelho até a tela apagar. O homem ao meu lado não perguntou nada. No bar, escolhemos uma mesa afastada da entrada. Deixei a bolsa na cadeira e fui ao banheiro tentar arrumar o rosto. Havia maquiagem debaixo dos meus olhos, e meus cachos estavam úmidos nas pontas. Limpei o que consegui com papel molhado, mas não havia muito a fazer com os olhos inchados.
Quando voltei, meu acompanhante guardou o celular e tirou o paletó da cadeira ao lado, deixando-o no encosto da sua.
— Está melhor?
Sentei e ajeitei o vestido sobre as pernas.
— Eu não sei.
Ele assentiu e esperou que eu me acomodasse. Pedi uma bebida doce depois de ouvir as opções do atendente, e ele escolheu a sua.
— Você não ficou para conversar com ela? — perguntei quando ficamos sozinhos.
— Eu já tinha ouvido o suficiente.
Passei o dedo pela marca no anelar. Queria ter aquela certeza, mas ainda sentia vontade de olhar as mensagens de Conrad.
— Foram dois anos — falei. — Eu achei que a gente ia casar, ter nossa casa… uma família.
Ele me ouviu sem interromper. Quando as bebidas chegaram, afastou os antebraços para que o atendente colocasse os copos sobre os guardanapos.
— Era um plano bonito.
Segurei a bebida com as duas mãos.
— Minha avó estava tão feliz. Ela gosta dele.
Minha voz falhou no fim, e tomei um gole para conseguir continuar.
— Eu não sei como vou contar.
— Não precisa contar agora.
Concordei, olhando para o copo. O álcool apareceu depois do gosto doce, aquecendo minha garganta.
— Podemos não falar deles por um tempo?
— Podemos.
Observei suas mãos sobre a mesa e o relógio no pulso. A camisa escura estava um pouco aberta no pescoço, e a barba tinha um contorno bem cuidado. O cabelo preto, curto nas laterais, continuava penteado para trás apesar da chuva. Sob a iluminação do bar, seus olhos castanho-mel pareciam mais claros perto das pupilas. Quando me encarava, eu acabava desviando primeiro. Ele parecia pelo menos uns dez anos mais velho que eu.
— A gente nem se apresentou — comentei.
Ele ergueu um pouco o queixo, mantendo a atenção em mim.
— Quer se apresentar?
Pensei e balancei a cabeça.
— Talvez seja menos constrangedor assim.
— Sem nomes, então.
Tomei outro gole, já sem fazer a mesma careta.
— Mas não dá para ficar em silêncio.
— Tem alguma sugestão?
— Três perguntas para cada um. Sem nome e sem perguntar sobre eles.
Ele apoiou os antebraços na mesa.
— Sua cor favorita.
Ri baixo.
— Por quê?
— Porque diz alguma coisa sobre você.
— Vermelho. Estudo Enfermagem, então acho que ajuda não ter medo de sangue.
— Gostar de vermelho não é a mesma coisa que gostar de sangue.
— Eu não disse que gosto de sangue.
Ele sorriu antes de levar o copo à boca. Tinha dentes bonitos, e o sorriso suavizava a expressão séria. Fiquei observando até ele baixar a bebida.
— E a sua? — perguntei.
— Azul-escuro.
Olhei para a camisa.
— Você usa bastante?
— Uso.
— Percebi.
Ele acompanhou meu olhar pela própria roupa, e senti calor no rosto quando voltou a me encarar.
— Segunda pergunta — continuou. — Se pudesse viajar amanhã, para onde iria?
— Para algum daqueles lugares com campos de flores e moinhos antigos.
— Algum em especial?
Balancei a cabeça.
— Só conheço por fotografia. Nunca procurei passagem nem nada. Deve ser caro.
— O que te chama a atenção lá?
— Parece tranquilo. Acho que queria passar um tempo num lugar onde não tivesse tanta coisa para resolver.
Girei o copo entre os dedos e percebi que estava falando mais do que costumava com desconhecidos. Ele continuava voltado para mim, sem conferir o telefone ou procurar alguma coisa ao redor.
— Qual foi a maior loucura que já fez? — perguntou.
Pensei por alguns segundos.
— Não sei se conta como loucura, mas fugi de casa aos doze anos.
Ele deixou o copo sobre a mesa.
— Aos doze?
Concordei, arrependida por ter começado.
— Liguei para minha avó escondida e pedi que fosse me buscar. Saí com ela.
— Aconteceu alguma coisa?
Passei a unha pela borda do guardanapo, sem conseguir encará-lo.
— Meu padrasto tentou abusar de mim. Contei para minha mãe, mas ela não acreditou.
A música continuou tocando, e ouvi uma risada vinda de outra mesa. Apertei o guardanapo entre os dedos.
— Minha avó acreditou. Fui morar com ela e nunca mais voltei.
Ele ficou em silêncio por um instante antes de perguntar:
— Você ainda tem contato com sua mãe?
— Pouco.
Levantei o rosto. Ele estava com a mandíbula apertada, olhando para mim.
— Desculpa. Acho que não era esse tipo de resposta que você esperava.
— Você não precisa me pedir desculpa.
Assenti, soltando o papel amassado.
— Minha avó cuidou de mim. Trabalhei com ela, estudei, consegui uma bolsa… — Respirei devagar. — Ela tem diabetes. Foi por causa dela que comecei a gostar de Enfermagem.
Ele concordou com a cabeça, e fiquei agradecida por não fazer mais perguntas sobre minha mãe. O atendente passou perto, e pedi outra bebida. Meu acompanhante esperou que ele se afastasse antes de falar:
— O que você gosta de comer quando está triste?
— Essa é a quarta pergunta.
— Só para completar as informações.
Ele continuou me encarando, sem sorrir, como se aquela justificativa resolvesse a mudança nas regras. Ainda sentia um aperto na garganta, mas consegui sorrir.
— Sorvete. Direto do pote. Minha avó reclama quando me pega.
— E você continua?
— Espero ela sair da cozinha.
Dessa vez, ele sorriu também, mas foi o olhar que me deixou sem jeito. Mesmo quando eu terminava de falar, seus olhos continuavam nos meus, e eu sentia vontade de desviar o rosto. Tinha a impressão de que ele percebia alguma coisa que eu ainda não tinha contado, e não sabia se queria me explicar ou continuar sendo observada daquele jeito.
Ainda sentia um aperto na garganta pela traição, mas, enquanto ele me olhava, consegui passar alguns instantes sem pensar em Conrad.
— Minha vez. O que mais te irrita?
— Perder tempo.
Olhei para os nossos copos.
— Estou prendendo você aqui?
Ele manteve os olhos nos meus.
— Se eu quisesse ir embora, teria ido.
Meus dedos pararam na borda do guardanapo. Ele não pareceu sentir necessidade de acrescentar nada, e eu também não soube o que responder. Quando minha bebida chegou, tomei um gole antes de escolher a próxima pergunta.
— Me conta uma coisa que ninguém imaginaria olhando para você.
Ele passou os dedos pela base do copo.
— Queria ter estudado Literatura.
— Sério? Para dar aula?
— Também. Gostaria de ter tido mais tempo para estudar os livros, conhecer os autores, entender como escreviam.
Ri, e ele inclinou a cabeça.
— Qual é a graça?
— Você não tem cara de professor.
— Que cara eu tenho?
Observei os ombros largos, a barba bem aparada e o rosto sério. Ele esperou minha resposta sem desviar o olhar.
— De alguém que eu teria medo de contrariar.
— Você não precisa ter medo de mim.
Baixei os olhos, ainda sorrindo, e ajeitei o guardanapo debaixo do copo.
— E por que não estudou Literatura?
— Minha família tinha outros planos. Fiz Administração.
— Você ainda lê?
— Sempre que posso.
— Como começou a gostar?
Ele se recostou um pouco na cadeira.
— Minha avó me dava livros quando eu era pequeno. Eu ficava lendo enquanto ela cuidava do jardim. Comecei com O Pequeno Príncipe.
— Eu li na escola — comentei. — Não lembro o nome de quem escreveu.
— Antoine de Saint-Exupéry.
Franzi a testa, e ele repetiu mais devagar:
— Antoine.
— Antoine — repeti, tentando acertar a pronúncia. — Esse eu consigo lembrar. O resto já é mais difícil.
Um sorriso apareceu no canto da boca dele.
— Depois comecei a ler em voz alta para ela. Quando fiquei mais velho, vieram outros livros. Shakespeare, por exemplo.
— E sua avó continuava cuidando do jardim enquanto você lia?
— Às vezes parava para ouvir. Em outras, eu precisava deixar o livro de lado para ajudar.
— Você gostava?
Ele passou o polegar pela lateral do copo antes de responder.
— Gostava. Mexia na terra, carregava os vasos. Ela sempre dizia que eu tinha colocado no lugar errado.
Ri, lembrando das reclamações de Madalena quando eu mudava alguma coisa de lugar em casa.
— Então você gosta de flores?
— Gosto. Lírios são meus favoritos.
Olhei para suas mãos grandes sobre a mesa, tentando imaginá-lo ajeitando uma planta num vaso.
— Você devia ter começado por isso. Eu nunca adivinharia.
Ele sorriu de leve.
— A pergunta era sobre uma coisa só.
— Está bem. — Acomodei o cotovelo na mesa, apoiando o rosto na mão. — Sua avó ainda cuida do jardim?
O sorriso dele desapareceu.
— Não. Ela morreu.
Retirei a mão do rosto.
— Sinto muito.
Ele concordou com a cabeça e tomou um gole. Não insisti. Fiquei observando seus dedos ao redor do copo, tentando imaginar aquele homem mais novo, com um livro nas mãos, fazendo companhia à avó enquanto ela cuidava das flores.
Esperei que pousasse a bebida antes de continuar.
— Última pergunta. Você acredita que o amor dura para sempre?
Ele me encarou por alguns segundos.
— Acho que tudo tem prazo de validade.
Passei o dedo pelo guardanapo.
— Eu queria acreditar que não.
— Você pode acreditar.
Meu telefone vibrou na bolsa. Olhei, mas não o peguei. A bebida tinha deixado meu rosto quente e meu corpo mais relaxado. Ainda estava triste, mas conseguia conversar sem chorar a cada frase.
— Você fez quatro perguntas — lembrei. — Eu também posso.
Ele apoiou os antebraços na mesa outra vez.
— Estou esperando.
Olhei para sua boca antes de conseguir disfarçar.
— Se pudesse fazer uma coisa agora, sem precisar explicar para ninguém, o que faria?
Ele se inclinou um pouco sobre a mesa, diminuindo a distância entre nós. Continuei com os dedos ao redor do copo, acompanhando o movimento até encontrar seus olhos.
— Beijaria você.
POV / MAGNUS LANCASTERUma risada curta escapou dela.— Sério? Isso?— É o que eu quero fazer desde que você tocou meu rosto. Estou tentando prestar atenção no que você diz em vez de pensar na sua boca, mas você não está facilitando.Isaura deixou cair a mão que segurava o cabelo. Permanecemos nos olhando. Eu ouvia o ruído baixo da geladeira e acompanhava cada vez que ela respirava mais fundo. Uma perna dela esfregou a outra, um movimento curto, e ela prendeu o lábio inferior entre os dentes até a pele clarear.— Eu ainda estou muito brava — falou.— Não achei que tivesse deixado de estar.Ela olhou para o corredor. Quando voltou a me encarar, a expressão continuava séria, mas os dedos já não apertavam a borda da bancada.— Aquela noite foi confusa. Eu tinha bebido, estava magoada… Tem coisas de que não lembro direito.Esperei que terminasse.— Não sei se fazer isso de novo é uma boa ideia.— Você não precisa decidir agora.Ela me olhou por mais alguns segundos.— A gente não devia.—
POV/ MAGNUSNão pedi que aceitasse.Permanecemos em silêncio até Isaura erguer o rosto novamente. Dessa vez, seu olhar parou na minha boca. Franziu a testa e deu um passo para perto.— O que aconteceu aí?Toquei o canto do lábio.— Um soco— Eu estou vendo. Quem fez isso?— Conrad.Ela levantou a mão até meu queixo e virou meu rosto em direção à luz. Seu toque me fez prender a respiração por um instante.— Por minha causa?— Não, minha. Foi uma discussão entre nós dois.Seus olhos desceram até minha mão.— Vocês saíram no soco dentro da casa do seu avô?— No corredor.— Ah. Bem melhor.Tentei sorrir, e o corte ardeu. Isaura percebeu o movimento e soltou meu rosto.— Onde tem material para limpar isso?— Não precisa se preocupar.Ela me encarou.— Onde, Magnus?Indiquei o banheiro social. Isaura passou por mim e voltou pouco depois com o estojo de primeiros socorros. Colocou-o sobre a bancada, abriu e examinou o conteúdo.— Aqui — disse, apontando para o lugar sob a luz.Aproximei-me.
POV / MAGNUS LANCASTERAfastei a taça da beirada da mesa e me abaixei ao lado da poltrona. Isaura estava com a cabeça inclinada para o lado, numa posição que provavelmente faria seu pescoço doer quando acordasse. Toquei seu ombro para tentar acomodá-la, mas ela abriu os olhos antes que eu conseguisse.Endireitou o corpo depressa e olhou para o corredor.— O Lírio…— Está quietinho. Não ouvi nada desde que entrei.Ela permaneceu escutando por alguns segundos. Depois esfregou o rosto, afastando os cachos que tinham caído sobre os olhos.— Que horas são?Disse o horário e me levantei para lhe dar espaço. Isaura olhou para a taça que eu tinha mudado de lugar e ajeitou a saia do vestido sobre os joelhos.— Desculpe — falei. — Não queria acordá-la.— Eu estava esperando você.Sua voz ainda estava rouca de sono. Ela girou o pescoço devagar e levou a mão à nuca, fazendo uma careta.— Podemos conversar pela manhã. Você precisa descansar.Isaura deixou a mão cair sobre o colo e ergueu o rosto.
POV / MAGNUS LANCASTERPor alguns segundos, só consegui olhar para ela.Isaura estava com o cabelo desalinhado, a roupa amarrotada e o rosto abatido. O menino se remexia em seu braço enquanto ela tentava levantar a mochila. Quando ele vomitou, ela baixou a bagagem depressa e começou a procurar alguma coisa para limpá-lo.O passageiro continuou reclamando.Minha vontade foi mandá-lo calar a boca. Em vez disso, peguei a mochila aos pés dela e a coloquei no compartimento.Ofereci a troca de lugar para tirá-lo de perto.Isaura agradeceu sem levantar o rosto. Havia lágrimas em sua bochecha, e ela parecia concentrar todo o esforço em cuidar do filho e conseguir se sentar.Eu queria dizer que era eu. Perguntar como estava, por que tinha ido embora e se alguma vez pensou em me procurar. Nenhuma daquelas perguntas cabia enquanto ela limpava a roupa suja e tentava acalmar uma criança.Sentei ao lado dela.Pouco depois, Isaura encostou a cabeça e adormeceu.Fiquei observando seu rosto por alguns
POV / MAGNUS LANCASTERIsaura olhou para minha boca antes de dizer que eu podia beijá-la.Puxei a cadeira para perto e esperei que se virasse para mim. Quando afastei os cachos de seu ombro, senti sua pele arrepiar sob meus dedos. Ela continuou me olhando, embora apertasse a borda do assento como se precisasse ocupar as mãos.Gostei de perceber que eu a deixava nervosa. Gostei ainda mais quando segurou minha camisa e me puxou para perto.Sua boca era macia. Havia um gosto leve de bebida em seus lábios, e a hesitação dos primeiros segundos desapareceu aos poucos, conforme ela correspondia. Isaura me beijava e se afastava apenas o suficiente para respirar antes de procurar minha boca outra vez.Eu tinha me interessado por ela antes daquele beijo. Ainda assim, não esperava sentir tanta vontade de continuar.Quando perguntei se queria sair dali, ela respondeu olhando nos meus olhos. Acertei a conta, ofereci a mão e saí do bar pensando em como seria ficar com aquela mulher sem uma mesa ent
POV / MAGNUS LANCASTERAntes de Conrad se mudar para o Brasil, nós nos víamos com frequência na Inglaterra. Ele aparecia no meu apartamento, pegava alguma coisa para beber e passava uma hora reclamando das cobranças da família. Eu trabalhava enquanto o ouvia, interrompendo apenas quando precisava lembrá-lo de que ter dinheiro não o dispensava de fazer alguma coisa útil.Ele ria, dizia que eu tinha nascido velho e continuava aparecendo.Depois da mudança, as visitas viraram ligações. Foi numa delas que falou de Isaura pela primeira vez.Eu estava no escritório quando ele enviou uma fotografia e pediu que abrisse.A imagem mostrava uma mulher de cabelos claros e cacheados, sorrindo para quem estava atrás da câmera. Tinha olhos claros, o rosto delicado e uma expressão que não parecia ensaiada.— Minha namorada — ele anunciou.Afastei o telefone do ouvido para olhar outra vez.— Você está namorando?— Há um tempo.— E só está contando agora?Conrad riu.— Você vive ocupado. Ela faz Enferm







