تسجيل الدخولO calor do verão parecia ter se instalado para sempre naquela casa. O ar-condicionado quebrado há semanas transformava os cômodos em estufas úmidas, e Marina, de 22 anos, já não sabia mais como se refrescar. Vestindo apenas um shorts curto e um top de alcinha que deixava seus ombros dourados pelo sol à mostra, ela se esticou no sofá da sala, tentando captar algum vento da janela aberta.
Era sua segunda semana de volta à casa da mãe após o término com Lucas. Dois anos de relacionamento tinham ido por água abaixo quando ele confessou que a traía com uma colega de trabalho. Marina jurou que nunca mais confiaria em homem algum—mas, nos últimos dias, havia um olhar que a fazia questionar essa decisão.
Ricardo, seu padrastro, estava sentado na poltrona ao lado, fingindo ler um livro. Ele tinha 45 anos, o corpo ainda firme de quem nunca abandonara o hábito de levantar pesos na garagem, e um jeito calmo que sempre a tranquilizara. Nos cinco anos desde que ele se casara com sua mãe, Marina nunca o vira como mais do que uma figura paternal. Até agora.
Ela notara algo diferente nas últimas semanas. Um olhar mais demorado quando achava que ela não percebia. Um aperto de mão que durava um segundo a mais do que o necessário. E, principalmente, a maneira como seus olhos escuros desciam pelo seu corpo quando ela usava roupas mais curtas—como se ele não conseguisse controlar a reação.
Naquela noite, enquanto ela se espreguiçava no sofá, sentiu o peso do olhar dele. Marina fingiu não notar, mas arqueou as costas lentamente, alongando os braços acima da cabeça. O movimento puxou seu top para cima, revelando uma faixa de pele lisa logo acima da cintura do shorts.
—Tá muito calor mesmo, né? —ela murmurou, jogando o cabelo para trás e virando a cabeça na direção dele.
Ricardo desviou os olhos rápido demais.
—É… tá insuportável. —Ele fechou o livro com um estalo e levantou, indo até a cozinha.
Marina sorriu para si mesma. Ele fugiu.
Não era a primeira vez que ela testava os limites. Na véspera, quando ele passou por ela no corredor e seus corpos quase se tocaram, ela deixara a mão escorregar levemente em seu braço. Ele parou por um instante, como se estivesse considerando algo, mas depois seguiu em frente sem dizer uma palavra.
Agora, ouvindo o barulho da geladeira sendo aberta na cozinha, ela se levantou e foi até lá. Ricardo estava de costas, pegando uma garrafa de água. Marina se apoiou na porta, observando os músculos das suas costas tensionando sob a camiseta branca colada pelo suor.
—Me dá um pouco também? —ela pediu, fazendo questão de ficar bem perto quando ele se virou.
Ele hesitou, mas estendeu a garrafa. Marina envolveu seus dedos ao redor dela, deixando que suas mãos se tocassem por um instante prolongado.
—Obrigada. —Ela levou a garrafa aos lábios, bebendo devagar, sabendo que ele estava observando o movimento da sua garganta. Quando terminou, passou a língua nos lábios, fingindo não notar como sua respiração ficou mais pesada.
—Marina… —ele começou, com um tom de advertência.
—Hmm? —ela inclinou a cabeça, inocente.
Ele pareceu lutar contra algo antes de suspirar.
—Nada. Vou tomar um banho.
Ela o viu sair da cozinha, notando a maneira como suas mãos estavam levemente tensas. Ele está se segurando. A ideia a excitou mais do que deveria.
Quando ouviu o chuveiro ligar, Marina voltou para o sofá, mas desta vez, deitou-se de bruços, deixando as pernas abertas o suficiente para que, se ele voltasse, visse a curva das suas nádegas sob o shorts justo.
O som da água correndo parou depois de alguns minutos. Ela imaginou Ricardo lá, nu, se enxugando… talvez pensando nela. Aperitou as coxas, sentindo um calor diferente do clima abafado se espalhar por seu corpo.
Quando ele reapareceu, vestindo apenas uma bermuda e com o torso ainda úmido, Marina não se mexeu. Sabia que ele podia ver tudo—a marca do elástico do seu sutiã nas costas, a pele macia da parte interna das suas coxas…
—Marina. —dessa vez, a voz dele estava mais firme.
Ela virou a cabeça, olhando-o por cima do ombro.
—Sim?
Ele parecia estar travado em algum conflito interno, mas então, algo mudou em sua expressão. Em vez de recuar, ele deu um passo à frente.
—Você sabe o que está fazendo? —perguntou, baixo.
Ela segurou seu olhar, desafiadora.
—E se eu souber?
O silêncio entre eles ficou carregado, pesado como o ar úmido daquela noite de verão. Ricardo respirou fundo, as narinas dilatadas, os dedos se contraindo involuntariamente ao lado do corpo como se lutasse contra o impulso de tocá-la. Seu peito subia e descia sob a camiseta colada ao torso suado, e Marina podia quase ouvir o sangue pulsando em suas têmporas.
—Isso não pode acontecer —ele repetiu, mas a voz já não tinha a mesma firmeza de antes. Era um sussurro rouco, mais um pedido de ajuda do que uma negativa.
Marina sentou-se devagar, deliberadamente, fazendo o sofá gemer sob seu peso. Deixou as pernas abertas apenas alguns centímetros a mais, o suficiente para que o tecido fino do shorts estivesse quase, quase revelando tudo. Seus joelhos se roçavam agora contra as coxas dele, que permanecia parado como uma estátua, preso entre o dever e o desejo.
—Por que não? —ela sussurrou, inclinando-se para frente. O decote do seu top afundou levemente, revelando a sombra entre seus seios.
Ricardo engoliu seco. Seus olhos, escuros como café forte, desceram até sua boca, depois mais abaixo, traindo a batalha interna. A barba por fazer arranhava seu próprio queixo quando ele cerrava os dentes, como se tentasse se manter controlado. Mas quando Marina ergueu a mão e tocou seu antebraço, seus músculos tremeram sob a pele bronzeada.
—Você sabe porquê —ele finalmente respondeu, mas era uma mentira frágil. Sua voz estava grossa, alterada, e Marina sentiu um triunfo perverso ao perceber o volume crescente na bermuda dele.
Ela deslizou os dedos até seu pulso, sentindo o pulso acelerado.
—Eu acho que você quer tanto quanto eu.
Ele não respondeu. Apenas olhou e pela primeira vez, não havia máscara, não havia vergonha. Apenas desejo cru, animal, aquele olhar que fazia o estômago de Marina torcer de antecipação. Seus lábios se entreabriram, e ela imaginou como seria sentir aquela boca nela, quente e impaciente.
A tensão no ar era incômoda, elétrica. Um fio prestes a arrebentar.
Foi então que os passos no quintal os atingiram como um balde de água gelada. A mãe de Marina, cantarolando baixo, arrastando chinelos na varanda.
Eles se separaram como dois criminosos. Ricardo recuou dois passos, passando uma mão no rosto como se tentasse apagar a expressão de culpa. Marina, mais lenta, ajustou o top com dedos que tremiam levemente.
Mas quando ele se virou para sair da sala, o olhar que lhe lançou por cima do ombro dizia tudo:
Isso não acabou.
E no silêncio que se seguiu, Marina sorriu sozinha, saboreando a promessa não dita.
A chuva batia contra as janelas da sala como tambores anunciando o que estava por vir. Marina se aconchegou no sofá, seus pés descalços encolhidos sob o shorts de seda que subia a cada movimento. O filme na TV era apenas ruído de fundo — ela escolhera aquela comédia romântica clichê de propósito, sabendo que Ricardo jamais assistiria sozinho.— Passa o controle — ele pediu, estendendo a mão sem tirar os olhos da tela.Marina se esticou exageradamente, deixando o shorts subir mais um pouco. — Não alcanço.Ricardo suspirou e se inclinou, seu braço roçando em suas pernas. Quando seus dedos se encontraram no controle, Marina não soltou.— Marina... — sua voz soou como um aviso.— O quê? — ela puxou o controle, trazendo-o junto. Seus rostos ficaram a um palmo de distância.Ele recuou como se tivesse levado um choque.Meia hora depois, Marina deu o golpe final. Bocejou teatralmente e deixou a cabeça cair no ombro dele.— Cansada? — Ricardo perguntou, rígido como uma tábua.— Muito — ela mur
O vapor do banho ainda envolvia o corpo de Marina quando ela saiu do box, as gotas escorrendo por sua pele cor de mel. A toalha branca, pequena demais para cobri-la decentemente, mal conseguia envolver seu torso. Ela se secou com movimentos lentos, deliberados, sabendo que o som da água parando certamente chamaria sua atenção.Com um último olhar no espelho embaçado, Marina deixou a porta do banheiro entreaberta, apenas o suficiente para que, se alguém passasse pelo corredor no momento certo, pudesse ter uma visão privilegiada.E então ela esperou.O corredor estava silencioso, apenas o tic-tac do relógio na sala ecoando na casa vazia. Marina começou a se enxugar com cuidado extra, passando a toalha pelos seios com movimentos circulares, alongando o corpo como um gato ao sol. Foi então que ouviu um passo hesitante no corredor, seguido por uma pausa que dizia tudo.Ricardo estava lá.Ela podia sentir seu olhar como um toque físico percorrendo suas costas nuas, parando na curva de suas
O táxi da mãe de Marina mal havia desaparecido no fim da rua quando um novo tipo de eletricidade tomou conta da casa. Marina permaneceu na varanda, os dedos enroscados na grade ainda quente do sol da tarde, observando até o último instante em que o carro dobrou a esquina. Três dias. Setenta e duas horas de liberdade perigosa.Dentro de casa, Ricardo já havia se trancado no escritório - seu refúgio desde aquela noite no sofá. Marina sorriu ao ouvir a porta se fechar com um clique mais alto que o necessário. Ele estava se protegendo. Mas ela não pretendia deixá-lo escapar tão fácil.O vestido deslizou por seu corpo como um segundo pele quando ela se trocou no quarto. Vermelho. Justo. O tecido tão fino que quase transparente sob a luz certa. Marina se observou no espelho, ajustando as alças para deixar os ombros completamente à mostra, puxando o decote um pouco mais para baixo. Satisfeita, deslizou os dedos entre as pernas por um instante, imaginando as mãos dele no lugar dos seus. Já es
O calor do verão parecia ter se instalado para sempre naquela casa. O ar-condicionado quebrado há semanas transformava os cômodos em estufas úmidas, e Marina, de 22 anos, já não sabia mais como se refrescar. Vestindo apenas um shorts curto e um top de alcinha que deixava seus ombros dourados pelo sol à mostra, ela se esticou no sofá da sala, tentando captar algum vento da janela aberta.Era sua segunda semana de volta à casa da mãe após o término com Lucas. Dois anos de relacionamento tinham ido por água abaixo quando ele confessou que a traía com uma colega de trabalho. Marina jurou que nunca mais confiaria em homem algum—mas, nos últimos dias, havia um olhar que a fazia questionar essa decisão.Ricardo, seu padrastro, estava sentado na poltrona ao lado, fingindo ler um livro. Ele tinha 45 anos, o corpo ainda firme de quem nunca abandonara o hábito de levantar pesos na garagem, e um jeito calmo que sempre a tranquilizara. Nos cinco anos desde que ele se casara com sua mãe, Marina nun
A espera tinha sido um suplício calculado. Três dias. Setenta e duas horas de abstinência programada. Quatro mil trezentos e vinte minutos de tortura deliberada. Ela contara cada um.Seu apartamento parecia ter se transformado numa cela de prisão, cada objeto banal - a escova de cabelo sobre a pia, a xícara de café pela manhã, a cama desfeita - lembrando-a de sua ausência. Até seus sonhos tinham se tornado cúmplices, trazendo visões úmidas que a faziam acordar com os lençóis entre as pernas e seu nome nos lábios.Quando o celular finalmente vibrou na mesa de cabeceira às 2h47, ela já estava acordada. O coração disparou antes mesmo de ler a mensagem. Seus dedos tremiam ao desbloquear a tela."Escritório. Agora."Nada mais. Nunca mais. Ele nunca desperdiçava palavras quando ações falariam mais alto.O prédio da faculdade estava deserto àquela hora, os corredores iluminados apenas pelas luzes de emergência que lançavam sombras alongadas sobre as paredes. Seus passos ecoavam no silêncio,
A mensagem chegou às 3:17 da manhã."Você sonhou comigo hoje?"Ela acordou com o som da notificação, o celular iluminando seu quarto escuro. O coração disparou antes mesmo de ler. Não precisava checar o remetente. Ninguém mais mandava mensagens nesse horário. Ninguém mais falava com ela daquele jeito.Ela digitou uma resposta antes que o sono a deixasse pensar direito."Sim."Três pontinhos apareceram. Sumiram. Voltaram."O que eu fiz com você no sonho?"Seus dedos congelaram sobre a tela. Porque ele sabia. Claro que sabia. No sonho, ele a tinha encurralado na sala de arquivos da biblioteca, a mão dele tapando sua boca enquanto a outra—O celular vibrou novamente."Amanhã. Sala de arquivos. Meia-noite."Ela não respondeu. Não precisava.O dia seguinte passou em um borrão. Ela atravessou as aulas como um fantasma, a pele sensível onde ele a tinha marcado na véspera. Quando o professor de Literatura mencionou Crime e Castigo, ela quase derrubou a cadeira ao se levantar rápido demais.Às







