تسجيل الدخولO táxi da mãe de Marina mal havia desaparecido no fim da rua quando um novo tipo de eletricidade tomou conta da casa. Marina permaneceu na varanda, os dedos enroscados na grade ainda quente do sol da tarde, observando até o último instante em que o carro dobrou a esquina. Três dias. Setenta e duas horas de liberdade perigosa.
Dentro de casa, Ricardo já havia se trancado no escritório - seu refúgio desde aquela noite no sofá. Marina sorriu ao ouvir a porta se fechar com um clique mais alto que o necessário. Ele estava se protegendo. Mas ela não pretendia deixá-lo escapar tão fácil.
O vestido deslizou por seu corpo como um segundo pele quando ela se trocou no quarto. Vermelho. Justo. O tecido tão fino que quase transparente sob a luz certa. Marina se observou no espelho, ajustando as alças para deixar os ombros completamente à mostra, puxando o decote um pouco mais para baixo. Satisfeita, deslizou os dedos entre as pernas por um instante, imaginando as mãos dele no lugar dos seus. Já estava molhada só de pensar.
Na cozinha, começou a preparar o jantar com cuidado teatral. Cada movimento calculado para que quando ele finalmente saísse de seu esconderijo, a encontrasse curvada sobre a bancada, a curva das suas costas exposta, o vestido subindo perigosamente nas coxas a cada pequeno movimento.
O som da porta do escritório se abrindo fez seu coração acelerar.
— Precisa de ajuda?
A voz dele vinha mais grossa que o normal. Marina não se virou imediatamente, terminando de cortar o tomate com dedos lentos antes de responder.
— Pode abrir o vinho, — ela disse finalmente, girando com o copo estendido.
Ricardo parou no meio da cozinha, seus olhos escuros percorrendo seu corpo num relance rápido demais para ser casual. Marina viu o momento exato em que ele engoliu seco, o movimento de sua maçã de adão subindo e descendo sob a pele bronzeada do pescoço.
O ar entre eles ficou pesado enquanto ele se aproximou para pegar a garrafa. Marina fez questão de se mover ao mesmo tempo, seus corpos quase se tocando na pequena cozinha. O calor dele era quase palpável, e ela podia jurar sentir o cheiro de seu aftershave misturado com algo mais primitivo, mais masculino.
— Desculpa, — ela murmurou sem nenhuma intenção de se afastar.
Ricardo abriu a garrafa com movimentos precisos demais, como se concentrar no ato mecânico pudesse distraí-lo da mulher a centímetros de distância. Marina observou como os músculos de seus antebraços se tensionavam com cada movimento, as veias salientes sob a pele quando ele puxou a rolha com um pop suave.
— Você tá nervoso? — A pergunta saiu como um suspiro enquanto ela se inclinava para pegar os copos, seus seios roçando em seu braço.
Ele quase derrubou a garrafa.
— Por que eu estaria?
Marina apenas sorriu, passando os dedos levemente sobre sua mão ao pegar o copo. A eletricidade do toque fez ambos hesitarem por um segundo a mais que o necessário.
O jantar foi uma tortura deliciosa. Marina se sentou de forma que a luz das velas iluminasse perfeitamente seu decote, observando com satisfação como os olhos de Ricardo fugiam para qualquer lugar que não fosse ela - o teto, o prato, a janela - em qualquer lugar exceto onde claramente queriam estar.
— Mais vinho? — Ele ofereceu depois de um longo silêncio, a voz mais rouca que ela já ouvira.
Marina estendeu o copo lentamente, e foi então que aconteceu. Seus dedos se encontraram no cristal úmido. Um toque que poderia ser acidental, exceto pela maneira como nenhum dos dois se moveu para quebrar o contato. Marina sentiu o calor de sua pele através do vidro, viu como seus olhos escureciam enquanto os segundos passavam. Quatro. Cinco. O ar entre eles ficou carregado, quase difícil de respirar.
Foi Ricardo quem finalmente recuou, limpando a boca com o guardanapo como se pudesse apagar o que sentira. Marina sorriu por trás do copo, lambendo os lábios depois de um gole exageradamente lento.
— Tá gostoso, — ela murmurou, mantendo contato visual enquanto a língua limpava uma gota imaginária do canto da boca.
Ele engasgou com o vinho, e Marina sentiu um triunfo perverso ao ver seu aperto no talher ficar branco de tão forte.
Depois da terceira taça - ou seria a quarta? - Marina decidiu que era hora. Levantou-se com um movimento fluido que fingiu ser mais desajeitado que realmente era, deixando o vestido escorregar ainda mais sobre um ombro enquanto "perdia" o equilíbrio.
— Whoops!
Ela caiu diretamente no colo de Ricardo com um pequeno suspiro. Seu corpo quente envolveu o dela num instante, suas mãos grandes encontrando automaticamente sua cintura para estabilizá-la. Marina sentiu seus dedos afundando na carne macia acima dos quadris, tão quentes que quase queimavam através do tecido fino.
E então ela se moveu. Apenas um pequeno ajuste, sentando-se um pouco mais para trás, mas o suficiente para que não houvesse dúvidas. Algo duro e inconfundível pressionava suas nádegas através das camadas de tecido. Ricardo prendeu a respiração, seus dedos se contraindo involuntariamente em sua pele como se tentassem decidir entre empurrá-la para longe ou puxá-la ainda mais perto.
Marina girou no colo dele até ficar de frente, suas coxas agora abraçando seus quadris. Ela podia sentir cada centímetro dele contra seu centro úmido, o calor entre suas pernas aumentando a cada segundo que passava.
— Ricardo… — ela sussurrou, seus lábios a um palmo dos dele.
Por um momento que pareceu durar uma eternidade, ela achou que ele finalmente cederia. Seus olhos estavam escuros como a noite, as pupilas dilatadas até quase engolirem a íris, seus lábios entreabertos como se já pudessem sentir o gosto dela. Marina inclinou-se ainda mais perto, sentindo seu hálito quente misturado com o vinho.
Mas então, com um gemido rouco que veio de algum lugar profundo em seu peito, ele a levantou e colocou-a de pé com um movimento brusco.
— Vamos... vamos limpar a mesa, — ele disse, a voz irreconhecivelmente grossa, os olhos fixos em qualquer coisa que não fosse ela.
Marina ficou parada por um momento, sentindo o batimento cardíaco acelerado entre as pernas, a umidade que agora certamente manchava sua calcinha. Quando ele se virou para pegar os pratos, ela não pôde resistir - deslizou a mão por suas costas e apertou o que encontrou na frente da calça, sentindo o membro duro saltar sob seu toque.
Ricardo soltou um grunhido gutural, jogando os pratos na pia com um estrondo que ecoou pela cozinha.
— Marina, pelo amor de Deus...
Mas ela já estava fugindo, seu riso leve enchendo a casa enquanto corria para o corredor. Na porta de seu quarto, ela olhou para trás por um instante, vendo Ricardo ainda parado na cozinha, suas mãos agora firmes na bancada como se precisasse do apoio para não cair, seus ombros subindo e descendo com a respiração pesada.
Marina fechou a porta devagar, deixando apenas uma fresta - um convite, uma promessa. Amanhã seria outro dia. E ela já sabia exatamente como faria ele se render.
A chuva batia contra as janelas da sala como tambores anunciando o que estava por vir. Marina se aconchegou no sofá, seus pés descalços encolhidos sob o shorts de seda que subia a cada movimento. O filme na TV era apenas ruído de fundo — ela escolhera aquela comédia romântica clichê de propósito, sabendo que Ricardo jamais assistiria sozinho.— Passa o controle — ele pediu, estendendo a mão sem tirar os olhos da tela.Marina se esticou exageradamente, deixando o shorts subir mais um pouco. — Não alcanço.Ricardo suspirou e se inclinou, seu braço roçando em suas pernas. Quando seus dedos se encontraram no controle, Marina não soltou.— Marina... — sua voz soou como um aviso.— O quê? — ela puxou o controle, trazendo-o junto. Seus rostos ficaram a um palmo de distância.Ele recuou como se tivesse levado um choque.Meia hora depois, Marina deu o golpe final. Bocejou teatralmente e deixou a cabeça cair no ombro dele.— Cansada? — Ricardo perguntou, rígido como uma tábua.— Muito — ela mur
O vapor do banho ainda envolvia o corpo de Marina quando ela saiu do box, as gotas escorrendo por sua pele cor de mel. A toalha branca, pequena demais para cobri-la decentemente, mal conseguia envolver seu torso. Ela se secou com movimentos lentos, deliberados, sabendo que o som da água parando certamente chamaria sua atenção.Com um último olhar no espelho embaçado, Marina deixou a porta do banheiro entreaberta, apenas o suficiente para que, se alguém passasse pelo corredor no momento certo, pudesse ter uma visão privilegiada.E então ela esperou.O corredor estava silencioso, apenas o tic-tac do relógio na sala ecoando na casa vazia. Marina começou a se enxugar com cuidado extra, passando a toalha pelos seios com movimentos circulares, alongando o corpo como um gato ao sol. Foi então que ouviu um passo hesitante no corredor, seguido por uma pausa que dizia tudo.Ricardo estava lá.Ela podia sentir seu olhar como um toque físico percorrendo suas costas nuas, parando na curva de suas
O táxi da mãe de Marina mal havia desaparecido no fim da rua quando um novo tipo de eletricidade tomou conta da casa. Marina permaneceu na varanda, os dedos enroscados na grade ainda quente do sol da tarde, observando até o último instante em que o carro dobrou a esquina. Três dias. Setenta e duas horas de liberdade perigosa.Dentro de casa, Ricardo já havia se trancado no escritório - seu refúgio desde aquela noite no sofá. Marina sorriu ao ouvir a porta se fechar com um clique mais alto que o necessário. Ele estava se protegendo. Mas ela não pretendia deixá-lo escapar tão fácil.O vestido deslizou por seu corpo como um segundo pele quando ela se trocou no quarto. Vermelho. Justo. O tecido tão fino que quase transparente sob a luz certa. Marina se observou no espelho, ajustando as alças para deixar os ombros completamente à mostra, puxando o decote um pouco mais para baixo. Satisfeita, deslizou os dedos entre as pernas por um instante, imaginando as mãos dele no lugar dos seus. Já es
O calor do verão parecia ter se instalado para sempre naquela casa. O ar-condicionado quebrado há semanas transformava os cômodos em estufas úmidas, e Marina, de 22 anos, já não sabia mais como se refrescar. Vestindo apenas um shorts curto e um top de alcinha que deixava seus ombros dourados pelo sol à mostra, ela se esticou no sofá da sala, tentando captar algum vento da janela aberta.Era sua segunda semana de volta à casa da mãe após o término com Lucas. Dois anos de relacionamento tinham ido por água abaixo quando ele confessou que a traía com uma colega de trabalho. Marina jurou que nunca mais confiaria em homem algum—mas, nos últimos dias, havia um olhar que a fazia questionar essa decisão.Ricardo, seu padrastro, estava sentado na poltrona ao lado, fingindo ler um livro. Ele tinha 45 anos, o corpo ainda firme de quem nunca abandonara o hábito de levantar pesos na garagem, e um jeito calmo que sempre a tranquilizara. Nos cinco anos desde que ele se casara com sua mãe, Marina nun
A espera tinha sido um suplício calculado. Três dias. Setenta e duas horas de abstinência programada. Quatro mil trezentos e vinte minutos de tortura deliberada. Ela contara cada um.Seu apartamento parecia ter se transformado numa cela de prisão, cada objeto banal - a escova de cabelo sobre a pia, a xícara de café pela manhã, a cama desfeita - lembrando-a de sua ausência. Até seus sonhos tinham se tornado cúmplices, trazendo visões úmidas que a faziam acordar com os lençóis entre as pernas e seu nome nos lábios.Quando o celular finalmente vibrou na mesa de cabeceira às 2h47, ela já estava acordada. O coração disparou antes mesmo de ler a mensagem. Seus dedos tremiam ao desbloquear a tela."Escritório. Agora."Nada mais. Nunca mais. Ele nunca desperdiçava palavras quando ações falariam mais alto.O prédio da faculdade estava deserto àquela hora, os corredores iluminados apenas pelas luzes de emergência que lançavam sombras alongadas sobre as paredes. Seus passos ecoavam no silêncio,
A mensagem chegou às 3:17 da manhã."Você sonhou comigo hoje?"Ela acordou com o som da notificação, o celular iluminando seu quarto escuro. O coração disparou antes mesmo de ler. Não precisava checar o remetente. Ninguém mais mandava mensagens nesse horário. Ninguém mais falava com ela daquele jeito.Ela digitou uma resposta antes que o sono a deixasse pensar direito."Sim."Três pontinhos apareceram. Sumiram. Voltaram."O que eu fiz com você no sonho?"Seus dedos congelaram sobre a tela. Porque ele sabia. Claro que sabia. No sonho, ele a tinha encurralado na sala de arquivos da biblioteca, a mão dele tapando sua boca enquanto a outra—O celular vibrou novamente."Amanhã. Sala de arquivos. Meia-noite."Ela não respondeu. Não precisava.O dia seguinte passou em um borrão. Ela atravessou as aulas como um fantasma, a pele sensível onde ele a tinha marcado na véspera. Quando o professor de Literatura mencionou Crime e Castigo, ela quase derrubou a cadeira ao se levantar rápido demais.Às







