تسجيل الدخولA espera tinha sido um suplício calculado. Três dias. Setenta e duas horas de abstinência programada. Quatro mil trezentos e vinte minutos de tortura deliberada. Ela contara cada um.
Seu apartamento parecia ter se transformado numa cela de prisão, cada objeto banal - a escova de cabelo sobre a pia, a xícara de café pela manhã, a cama desfeita - lembrando-a de sua ausência. Até seus sonhos tinham se tornado cúmplices, trazendo visões úmidas que a faziam acordar com os lençóis entre as pernas e seu nome nos lábios.
Quando o celular finalmente vibrou na mesa de cabeceira às 2h47, ela já estava acordada. O coração disparou antes mesmo de ler a mensagem. Seus dedos tremiam ao desbloquear a tela.
"Escritório. Agora."
Nada mais. Nunca mais. Ele nunca desperdiçava palavras quando ações falariam mais alto.
O prédio da faculdade estava deserto àquela hora, os corredores iluminados apenas pelas luzes de emergência que lançavam sombras alongadas sobre as paredes. Seus passos ecoavam no silêncio, o salto alto martelando no piso de mármore como contagem regressiva para algo inevitável.
A porta do escritório dele estava entreaberta. Um convite. Uma armadilha. Para ela, eram a mesma coisa.
A luz âmbar da lâmpada de mesa desenhava um retângulo dourado no chão. Ele estava sentado atrás da mesa, a postura perfeita de professor, os óculos repousados no nariz, os dedos entrelaçados sob o queixo. O traje impecável - camisa branca com as mangas cuidadosamente dobradas até os antebraços, colete cinza, gravata solta - contrastava com o olhar que a devorava viva.
— Tranca a porta - ordenou, sem levantar a voz.
O clique da fechadura ecoou como um tiro no silêncio. Seus dedos hesitaram no ferrolho.
— Chave também.
O metal gelado girou com um rangido final. Agora estavam trancados. Sozinhos. Exatamente como ele queria.
— Tira a roupa. - Ele tirou os óculos com movimentos deliberados, limpando as lentes no tecido do colete. - Devagar. Quero ver você se desfazer.
O vestido preto - que ela escolhera sabendo que ele aprovaria - deslizou pelos ombros como líquido, revelando a lingerie que ele mandara comprar na semana anterior. A calcinha de renda preta era quase decorativa, tão fina que mal servia seu propósito. O sutiã combinava, com alças que se cruzavam nas costas como uma teia de aranha.
— Gire.
Ela obedeceu, completando uma volta lenta sob seu olhar escrutinador. O ar condicionado fez seus mamilos endurecerem sob o tecido transparente.
— Melhor que no meu sonho - ele murmurou, levantando finalmente. Seus passos eram silenciosos, predatórios. - Você sonhou comigo?
— Não - ela mentiu, os dedos se contorcendo nas laterais das coxas.
Ele riu, baixo e rouco, enquanto puxava o celular do bolso do colete. A tela mostrava seu histórico de buscas: "sonhos eróticos frequentes causas", "como parar de fantasiar", "vício em sexo perigoso?".
— Mentira tão patética - seus dedos traçaram sua clavícula, parando no ponto onde o pulso acelerado saltava sob a pele. - Você está pingando por mim agora, não está?
Ela não respondeu. Não precisava. Seu corpo sempre traía seus segredos melhor que qualquer palavra.
Com um movimento brusco, ele a empurrou contra a mesa. Papéis voaram, uma caneta rolou para o chão com um clique metálico. A madeira gelada queimou sua pele nua.
— Inclina.
Quando ela se curvou, ele puxou a renda para o lado com um dedo, assobiando baixo ao encontrar seu úmido evidente.
— Tão molhada que escorre pelas coxas - observou, esfregando os dedos nela antes de levá-los à boca. - E o gosto... ainda lembra a mim.
O primeiro tapa veio sem aviso. Duro. Preciso. Na junção perfeita entre a coxa e a nádega. Ela gritou, os dedos se agarrando à beirada da mesa.
— Conta.
— Um - ela gemeu.
O segundo foi mais forte, deixando a pele ardendo.
— Dois.
Quando chegou em cinco, suas pernas tremiam. Em dez, lágrimas quentes escorriam por seu rosto, misturando-se ao batom vermelho que ele gostava tanto.
— Olha o que você faz comigo - ele rosnou, guiando sua mão para sentir sua ereção através do tecido da calça. - Toda sua culpa.
O som do zíper sendo puxado pareceu amplificado no silêncio do escritório. Quando ele finalmente entrou nela, foi de um golpe só - brutal, sem preparação, arrancando um grito que ele abafou com a palma da mão.
— Quieta - ordenou contra seu ouvido. - Quero ouvir só os gemidos que eu te deixar fazer.
Cada investida era uma afirmação de posse. Ele a puxava pelos quadris, batendo nela com força suficiente para mover a mesa centímetros a cada empurrão. No espelho à frente, ela via seu reflexo - rosto avermelhado, lábios inchados, olhos vidrados de prazer.
— Você é minha - ele rosnou, uma mão enroscando em seus cabelos para puxar sua cabeça para trás. - Minha puta. Minha viciada. Minha criação.
Ela concordou com um murmúrio incoerente quando seus dedos encontraram seu clitóris, esfregando com a pressão perfeita que só ele conhecia.
— Vem - ordenou, mordendo seu ombro. - Vem agora.
O orgasmo a atingiu como um tsunami, arrancando-lhe o fôlego, fazendo seus músculos se contraírem em torno dele como uma luva. Ele não parou, continuando a se mover dentro dela enquanto as ondas de prazer ainda a sacudiam.
— De novo - exigiu, girando-a para sentá-la na beirada da mesa. - Quero ver seu rosto quando você quebrar.
Desta vez foi mais lento, mais cruel. Cada centímetro de penetração prolongado até a agonia. Quando ela finalmente chegou ao limite novamente, ele puxou seus cabelos para trás, forçando seu pescoço a se estender.
— Abre.
Ela abriu a boca obediente, aceitando cada jato quente em sua língua, engolindo como a boa garota que ele a fizera ser.
Quando ele finalmente a soltou, ela deslizou da mesa para o chão, os joelhos fracos, o corpo ainda tremendo de aftershocks.
— Agora você pode implorar — ele disse, afastando-se para se arrumar com movimentos precisos.
E ela o fez. Com palavras roucas. Com lágrimas que queimavam trajetórias salgadas em seu rosto. Com promessas que sabia que nunca conseguiria cumprir.
Ele a levantou no colo então, carregando-a até a janela aberta que dava para o campus vazio. Quando a penetrou novamente - devagar, quase carinhosamente - foi com um murmúrio contra seu pescoço:
— Amanhã você volta. E depois de amanhã também. Até o dia em que eu disser chega.
E ela sabia, com a certeza sombria de quem encontrou seu vício perfeito, que ele nunca diria.
A chuva batia contra as janelas da sala como tambores anunciando o que estava por vir. Marina se aconchegou no sofá, seus pés descalços encolhidos sob o shorts de seda que subia a cada movimento. O filme na TV era apenas ruído de fundo — ela escolhera aquela comédia romântica clichê de propósito, sabendo que Ricardo jamais assistiria sozinho.— Passa o controle — ele pediu, estendendo a mão sem tirar os olhos da tela.Marina se esticou exageradamente, deixando o shorts subir mais um pouco. — Não alcanço.Ricardo suspirou e se inclinou, seu braço roçando em suas pernas. Quando seus dedos se encontraram no controle, Marina não soltou.— Marina... — sua voz soou como um aviso.— O quê? — ela puxou o controle, trazendo-o junto. Seus rostos ficaram a um palmo de distância.Ele recuou como se tivesse levado um choque.Meia hora depois, Marina deu o golpe final. Bocejou teatralmente e deixou a cabeça cair no ombro dele.— Cansada? — Ricardo perguntou, rígido como uma tábua.— Muito — ela mur
O vapor do banho ainda envolvia o corpo de Marina quando ela saiu do box, as gotas escorrendo por sua pele cor de mel. A toalha branca, pequena demais para cobri-la decentemente, mal conseguia envolver seu torso. Ela se secou com movimentos lentos, deliberados, sabendo que o som da água parando certamente chamaria sua atenção.Com um último olhar no espelho embaçado, Marina deixou a porta do banheiro entreaberta, apenas o suficiente para que, se alguém passasse pelo corredor no momento certo, pudesse ter uma visão privilegiada.E então ela esperou.O corredor estava silencioso, apenas o tic-tac do relógio na sala ecoando na casa vazia. Marina começou a se enxugar com cuidado extra, passando a toalha pelos seios com movimentos circulares, alongando o corpo como um gato ao sol. Foi então que ouviu um passo hesitante no corredor, seguido por uma pausa que dizia tudo.Ricardo estava lá.Ela podia sentir seu olhar como um toque físico percorrendo suas costas nuas, parando na curva de suas
O táxi da mãe de Marina mal havia desaparecido no fim da rua quando um novo tipo de eletricidade tomou conta da casa. Marina permaneceu na varanda, os dedos enroscados na grade ainda quente do sol da tarde, observando até o último instante em que o carro dobrou a esquina. Três dias. Setenta e duas horas de liberdade perigosa.Dentro de casa, Ricardo já havia se trancado no escritório - seu refúgio desde aquela noite no sofá. Marina sorriu ao ouvir a porta se fechar com um clique mais alto que o necessário. Ele estava se protegendo. Mas ela não pretendia deixá-lo escapar tão fácil.O vestido deslizou por seu corpo como um segundo pele quando ela se trocou no quarto. Vermelho. Justo. O tecido tão fino que quase transparente sob a luz certa. Marina se observou no espelho, ajustando as alças para deixar os ombros completamente à mostra, puxando o decote um pouco mais para baixo. Satisfeita, deslizou os dedos entre as pernas por um instante, imaginando as mãos dele no lugar dos seus. Já es
O calor do verão parecia ter se instalado para sempre naquela casa. O ar-condicionado quebrado há semanas transformava os cômodos em estufas úmidas, e Marina, de 22 anos, já não sabia mais como se refrescar. Vestindo apenas um shorts curto e um top de alcinha que deixava seus ombros dourados pelo sol à mostra, ela se esticou no sofá da sala, tentando captar algum vento da janela aberta.Era sua segunda semana de volta à casa da mãe após o término com Lucas. Dois anos de relacionamento tinham ido por água abaixo quando ele confessou que a traía com uma colega de trabalho. Marina jurou que nunca mais confiaria em homem algum—mas, nos últimos dias, havia um olhar que a fazia questionar essa decisão.Ricardo, seu padrastro, estava sentado na poltrona ao lado, fingindo ler um livro. Ele tinha 45 anos, o corpo ainda firme de quem nunca abandonara o hábito de levantar pesos na garagem, e um jeito calmo que sempre a tranquilizara. Nos cinco anos desde que ele se casara com sua mãe, Marina nun
A espera tinha sido um suplício calculado. Três dias. Setenta e duas horas de abstinência programada. Quatro mil trezentos e vinte minutos de tortura deliberada. Ela contara cada um.Seu apartamento parecia ter se transformado numa cela de prisão, cada objeto banal - a escova de cabelo sobre a pia, a xícara de café pela manhã, a cama desfeita - lembrando-a de sua ausência. Até seus sonhos tinham se tornado cúmplices, trazendo visões úmidas que a faziam acordar com os lençóis entre as pernas e seu nome nos lábios.Quando o celular finalmente vibrou na mesa de cabeceira às 2h47, ela já estava acordada. O coração disparou antes mesmo de ler a mensagem. Seus dedos tremiam ao desbloquear a tela."Escritório. Agora."Nada mais. Nunca mais. Ele nunca desperdiçava palavras quando ações falariam mais alto.O prédio da faculdade estava deserto àquela hora, os corredores iluminados apenas pelas luzes de emergência que lançavam sombras alongadas sobre as paredes. Seus passos ecoavam no silêncio,
A mensagem chegou às 3:17 da manhã."Você sonhou comigo hoje?"Ela acordou com o som da notificação, o celular iluminando seu quarto escuro. O coração disparou antes mesmo de ler. Não precisava checar o remetente. Ninguém mais mandava mensagens nesse horário. Ninguém mais falava com ela daquele jeito.Ela digitou uma resposta antes que o sono a deixasse pensar direito."Sim."Três pontinhos apareceram. Sumiram. Voltaram."O que eu fiz com você no sonho?"Seus dedos congelaram sobre a tela. Porque ele sabia. Claro que sabia. No sonho, ele a tinha encurralado na sala de arquivos da biblioteca, a mão dele tapando sua boca enquanto a outra—O celular vibrou novamente."Amanhã. Sala de arquivos. Meia-noite."Ela não respondeu. Não precisava.O dia seguinte passou em um borrão. Ela atravessou as aulas como um fantasma, a pele sensível onde ele a tinha marcado na véspera. Quando o professor de Literatura mencionou Crime e Castigo, ela quase derrubou a cadeira ao se levantar rápido demais.Às







