FAZER LOGINO vapor já começava a embaçar os espelhos quando Marina ajustou a temperatura da água. O jantar tinha acabado há menos de vinte minutos, um jantar onde seus pés descalços haviam percorrido a canela de Ricardo sob a mesa, onde cada garfada parecia carregada de promessas não ditas. Agora, com a casa silenciosa e a mãe dela visitando uma tia em outra cidade, Marina planejava seu próximo movimento.
Deixou a porta do banheiro entreaberta, o suficiente para que o som da água pudesse ser ouvido no corredor. Tirou a roupa com movimentos deliberadamente lentos, imaginando que talvez ele estivesse do outro lado, escutando, imaginando. O espelho embaçado refletia seu corpo em fragmentos, a curva de um quadril, o arco de um seio, antes que o vapor apagasse completamente sua imagem.
Entrou no boxe e deixou a água correr por seu corpo, sabendo que o vidro fosco transformaria sua silhueta em uma sombra tentadora para quem passasse. Lavou os cabelos com movimentos exagerados, arqueando as costas para que os seios se projetassem.
Foi então que ouviu a porta do banheiro ranger.
— Marina?
A voz de Ricardo soou tensa. Marina sorriu para si mesma, sabendo que ele vira sua bolsa no corredor – o sinal perfeito para que ele soubesse que ela estava lá.
— O quê? – ela respondeu, fazendo questão de parecer surpresa.
— Preciso da minha escova de dentes.
— Ah, tá na gaveta – ela respondeu, mas em vez de esperar, abriu a porta do boxe o suficiente para revelar seu corpo ensopado. – Pega aí.
O choque no rosto dele foi quase cômico. Ricardo paralisou, seus olhos escuros percorrendo cada centímetro de seu corpo molhado antes de se forçar a olhar para o chão.
— Marina, fecha isso.
— Por quê? – ela desafiou, abrindo um pouco mais a porta. – Você nunca viu uma mulher nua antes?
A tensão no ar ficou palpável. Ricardo respirou fundo, seus punhos se apertando e soltando. Marina viu o momento exato em que sua resistência quebrou.
Em dois passos, ele estava no boxe, ainda completamente vestido, a água encharcando sua camisa branca até ficar transparente contra seu torso.
— Você não para, não é? – ele rosnou, empinando-a contra a parede fria do boxe.
Marina sorriu, sentindo o corpo duro dele pressionando suas costas. – Não quando sei que você quer tanto quanto eu.
A água escorria por eles, transformando a roupa dele em uma segunda pele que revelava cada músculo tenso. Marina alcançou para trás e encontrou o volume rígido em suas calças.
— Olha só o que você fez – ela murmurou, esfregando a palma da mão sobre ele.
Ricardo prendeu seu pulso contra a parede e inclinou-se para morder seu pescoço. – Você não tem ideia do que eu posso fazer.
Com a outra mão, Marina guiou seus dedos entre suas próprias pernas, mostrando a ele como estava molhada – e não era só por causa da água do chuveiro.
— Prove.
O gemido que saiu da garganta dele foi quase animal. Em um movimento fluido, Ricardo ajoelhou-se no chão do boxe, suas mãos fortes abrindo suas coxas antes que sua língua encontrasse seu centro.
Marina gritou, seus dedos se enrolando nos cabelos dele enquanto a água caía sobre ambos. A sensação era intensa, a língua dele alternando entre círculos lentos e batidas rápidas, seus dedos entrando nela em um ritmo que a fazia ver estrelas.
— Assim... assim mesmo – ela gemia, seus quadris se movendo contra seu rosto.
Ricardo olhou para cima, seus olhos encontrando os dela enquanto sugava seu clitóris com uma pressão que fez suas pernas tremerem. Marina sentiu o orgasmo se aproximando como um trem desgovernado – até que ele parou subitamente.
— Não tão rápido – ele sussurrou, levantando-se para beijá-la enquanto seus próprios dedos continuavam o trabalho.
A água escorria por seus rostos unidos, tornando o beijo mais molhado, mais sujo. Marina podia sentir seu próprio gosto na boca dele, e a ideia a excitou ainda mais.
— Quero você dentro de mim – ela implorou, suas mãos abrindo seu cinto com urgência.
Ricardo respondeu virando-a contra a parede novamente. – Então pegue.
Marina guiou ele para dentro com um gemido que ecoou no banheiro todo. A água quente, o vapor, o corpo dele atrás dela – tudo se misturava em uma sensação que a fazia sentir-se embriagada.
— Mais forte – ela ordenou, e Ricardo obedeceu, suas mãos segurando seus quadris com uma força que certamente deixaria marcas.
O som da pele batendo contra pele se misturava ao barulho constante da água caindo do chuveiro, abafado, quase cúmplice. Os gemidos de Marina ecoavam abafados pelas paredes de azulejo úmido, misturando-se aos palavrões roucos que Ricardo sussurrava contra seu ouvido, a voz grave, carregada de luxúria e adoração. Ele se movia dentro dela com precisão crua, intensa, como se cada estocada fosse parte de uma conversa silenciosa entre os corpos.
Marina sentiu outro orgasmo se formando em sua barriga, mais forte que o anterior, subindo rápido, incendiando suas pernas, seu peito, sua garganta. Ela agarrou os ombros molhados de Ricardo, os dedos cravando levemente em sua pele, sentindo cada fibra de músculo tensionar e se contrair sob seu toque.
Foi quando a luz do banheiro piscou — uma oscilação rápida, mas suficiente para quebrar o transe por um segundo.
— A água... — Ricardo foi o primeiro a perceber. A temperatura caiu quase de repente, e o vapor quente começou a dissipar no ar.
— O chuveiro tá esfriando — ele murmurou, sem parar os movimentos, sem permitir que o instante quebrasse a tensão entre eles.
Marina riu, mesmo com o corpo inteiro tremendo de prazer, os músculos pulsando em expectativa.
— Acho que usamos toda a água quente — ela disse com a voz entrecortada, tentando soar casual, mas falhando quando ele afundou novamente dentro dela com uma força deliciosa.
Ricardo respondeu com uma última investida profunda e certeira, os quadris colidindo com os dela com um estalo úmido. Marina gritou seu nome, o som rasgando de sua garganta como se não houvesse mais controle algum, apenas entrega. O orgasmo veio como uma onda violenta, despedaçando o que restava de sua razão. Ela sentiu o corpo se dobrar contra o dele, os joelhos querendo ceder.
Ricardo segurou-a firme, os braços envolvendo sua cintura com força protetora enquanto o próprio corpo tremia, seu prazer atingindo o auge. Ele se manteve dentro dela até o fim, enterrando o rosto em seu pescoço, a respiração quente e irregular batendo contra sua pele.
Por alguns minutos, tudo que se ouvia era a respiração pesada dos dois, o som da água agora gelada jorrando sem piedade, e os corações batendo em sincronia acelerada.
Quando Marina finalmente conseguiu recuperar o fôlego, virou-se em seus braços, os cabelos molhados colando-se às costas e ao rosto. Seus olhos ainda estavam semicerrados pelo prazer recém-vivido, mas havia brilho e diversão neles.
— Ainda bem que sua escova de dentes era tão urgente — ela provocou, um sorrisinho nos lábios enquanto lambia a boca dele, lenta, deliberadamente.
Ricardo balançou a cabeça, mas o sorriso que se formou em sua boca era um misto de rendição e desafio. Ele passou a mão pela curva da cintura dela, puxando-a contra seu peito, ignorando o frio da água como se ainda estivessem no auge da febre.
— Você devia saber que me provocar assim tem consequências — ele disse, rouco, os olhos escurecidos enquanto a encarava. — Ainda mais num banheiro.
— Eu sabia. — Ela arqueou uma sobrancelha. — Foi exatamente por isso que fiz.
— Perigosa — ele sussurrou, encostando a testa na dela, os lábios ainda úmidos roçando os dela num quase beijo.
— Você adora — ela respondeu, rindo baixinho.
— Maldição, adoro mesmo.
Ficaram ali por mais alguns segundos, os corpos colados sob o jato frio do chuveiro, como se o mundo inteiro estivesse resumido àquele instante. Àquela guerra particular que insistiam em travar — um jogo de vontades, de corpos, de desejos que se entrelaçavam e incendiavam cada canto onde se tocavam.
Ricardo finalmente desligou o chuveiro com um gesto rápido, pegando uma toalha e a envolvendo em torno de Marina com cuidado, como se quisesse protegê-la até do ar. Ela se deixou embalar, mas os olhos ainda o desafiavam.
— A próxima batalha é minha — ela murmurou contra o peito dele.
— Veremos, general — ele retrucou, puxando-a para fora do boxe com um sorriso malicioso.
Sabiam que aquela guerra estava longe de terminar. E ambos adoravam cada combate.
O vapor já começava a embaçar os espelhos quando Marina ajustou a temperatura da água. O jantar tinha acabado há menos de vinte minutos, um jantar onde seus pés descalços haviam percorrido a canela de Ricardo sob a mesa, onde cada garfada parecia carregada de promessas não ditas. Agora, com a casa silenciosa e a mãe dela visitando uma tia em outra cidade, Marina planejava seu próximo movimento.Deixou a porta do banheiro entreaberta, o suficiente para que o som da água pudesse ser ouvido no corredor. Tirou a roupa com movimentos deliberadamente lentos, imaginando que talvez ele estivesse do outro lado, escutando, imaginando. O espelho embaçado refletia seu corpo em fragmentos, a curva de um quadril, o arco de um seio, antes que o vapor apagasse completamente sua imagem.Entrou no boxe e deixou a água correr por seu corpo, sabendo que o vidro fosco transformaria sua silhueta em uma sombra tentadora para quem passasse. Lavou os cabelos com movimentos exagerados, arqueando as costas para
A chuva batia contra as janelas da sala como tambores anunciando o que estava por vir. Marina se aconchegou no sofá, seus pés descalços encolhidos sob o shorts de seda que subia a cada movimento. O filme na TV era apenas ruído de fundo — ela escolhera aquela comédia romântica clichê de propósito, sabendo que Ricardo jamais assistiria sozinho.— Passa o controle — ele pediu, estendendo a mão sem tirar os olhos da tela.Marina se esticou exageradamente, deixando o shorts subir mais um pouco. — Não alcanço.Ricardo suspirou e se inclinou, seu braço roçando em suas pernas. Quando seus dedos se encontraram no controle, Marina não soltou.— Marina... — sua voz soou como um aviso.— O quê? — ela puxou o controle, trazendo-o junto. Seus rostos ficaram a um palmo de distância.Ele recuou como se tivesse levado um choque.Meia hora depois, Marina deu o golpe final. Bocejou teatralmente e deixou a cabeça cair no ombro dele.— Cansada? — Ricardo perguntou, rígido como uma tábua.— Muito — ela mur
O vapor do banho ainda envolvia o corpo de Marina quando ela saiu do box, as gotas escorrendo por sua pele cor de mel. A toalha branca, pequena demais para cobri-la decentemente, mal conseguia envolver seu torso. Ela se secou com movimentos lentos, deliberados, sabendo que o som da água parando certamente chamaria sua atenção.Com um último olhar no espelho embaçado, Marina deixou a porta do banheiro entreaberta, apenas o suficiente para que, se alguém passasse pelo corredor no momento certo, pudesse ter uma visão privilegiada.E então ela esperou.O corredor estava silencioso, apenas o tic-tac do relógio na sala ecoando na casa vazia. Marina começou a se enxugar com cuidado extra, passando a toalha pelos seios com movimentos circulares, alongando o corpo como um gato ao sol. Foi então que ouviu um passo hesitante no corredor, seguido por uma pausa que dizia tudo.Ricardo estava lá.Ela podia sentir seu olhar como um toque físico percorrendo suas costas nuas, parando na curva de suas
O táxi da mãe de Marina mal havia desaparecido no fim da rua quando um novo tipo de eletricidade tomou conta da casa. Marina permaneceu na varanda, os dedos enroscados na grade ainda quente do sol da tarde, observando até o último instante em que o carro dobrou a esquina. Três dias. Setenta e duas horas de liberdade perigosa.Dentro de casa, Ricardo já havia se trancado no escritório - seu refúgio desde aquela noite no sofá. Marina sorriu ao ouvir a porta se fechar com um clique mais alto que o necessário. Ele estava se protegendo. Mas ela não pretendia deixá-lo escapar tão fácil.O vestido deslizou por seu corpo como um segundo pele quando ela se trocou no quarto. Vermelho. Justo. O tecido tão fino que quase transparente sob a luz certa. Marina se observou no espelho, ajustando as alças para deixar os ombros completamente à mostra, puxando o decote um pouco mais para baixo. Satisfeita, deslizou os dedos entre as pernas por um instante, imaginando as mãos dele no lugar dos seus. Já es
O calor do verão parecia ter se instalado para sempre naquela casa. O ar-condicionado quebrado há semanas transformava os cômodos em estufas úmidas, e Marina, de 22 anos, já não sabia mais como se refrescar. Vestindo apenas um shorts curto e um top de alcinha que deixava seus ombros dourados pelo sol à mostra, ela se esticou no sofá da sala, tentando captar algum vento da janela aberta.Era sua segunda semana de volta à casa da mãe após o término com Lucas. Dois anos de relacionamento tinham ido por água abaixo quando ele confessou que a traía com uma colega de trabalho. Marina jurou que nunca mais confiaria em homem algum—mas, nos últimos dias, havia um olhar que a fazia questionar essa decisão.Ricardo, seu padrastro, estava sentado na poltrona ao lado, fingindo ler um livro. Ele tinha 45 anos, o corpo ainda firme de quem nunca abandonara o hábito de levantar pesos na garagem, e um jeito calmo que sempre a tranquilizara. Nos cinco anos desde que ele se casara com sua mãe, Marina nun
A espera tinha sido um suplício calculado. Três dias. Setenta e duas horas de abstinência programada. Quatro mil trezentos e vinte minutos de tortura deliberada. Ela contara cada um.Seu apartamento parecia ter se transformado numa cela de prisão, cada objeto banal - a escova de cabelo sobre a pia, a xícara de café pela manhã, a cama desfeita - lembrando-a de sua ausência. Até seus sonhos tinham se tornado cúmplices, trazendo visões úmidas que a faziam acordar com os lençóis entre as pernas e seu nome nos lábios.Quando o celular finalmente vibrou na mesa de cabeceira às 2h47, ela já estava acordada. O coração disparou antes mesmo de ler a mensagem. Seus dedos tremiam ao desbloquear a tela."Escritório. Agora."Nada mais. Nunca mais. Ele nunca desperdiçava palavras quando ações falariam mais alto.O prédio da faculdade estava deserto àquela hora, os corredores iluminados apenas pelas luzes de emergência que lançavam sombras alongadas sobre as paredes. Seus passos ecoavam no silêncio,







