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Capítulo 2

Author: Mabby
last update publish date: 2026-08-22 15:00:54

Ponto de vista da Paige

Coloquei o Alex na cama, beijei suas bochechas e a testa antes de apagar as luzes e deixar a porta aberta, só por precaução caso ele acordasse mais tarde. Ao sair, soltei um suspiro cansado, passando a mão pelo cabelo. O dia tinha sido realmente agitado, e eu estava muito grata por ter conseguido sobreviver — se a dor de cabeça latejante não contasse como nada. Depois de um banho rápido, vesti uma camiseta preta confortável e um short solto, o visual perfeito para dormir. Revisei o trabalho que tinha deixado pela metade porque precisei buscar o Alex na escola, o que me lembrou que precisava contratar uma babá para me ajudar tanto fisicamente quanto emocionalmente. Isso reduziria um pouco os olhares em cima de mim. Só espero que ela não cobre muito. Não acho que consiga lidar com isso agora, mas ao mesmo tempo não posso continuar aguentando os comentários maldosos das pessoas que estavam ficando cada vez mais desconfiadas da minha negação sobre o meu filho.

Acordei bem tarde, percebendo que estava atrasada. Tomei banho rápido e me vesti com uma blusa rosa profissional e uma saia lápis preta — pelo menos eu podia tentar parecer apresentável. Fui ver o Alex, que, graças a Deus, já estava vestido e me esperando. Seus grandes olhos azuis me lembravam tanto do pai, olhando para mim com uma mistura de curiosidade e preocupação. Paramos no McDonald’s para pegar algo para o café da manhã dele, já que estávamos atrasados demais, e decidi comprar o almoço de uma vez antes de deixá-lo na escola e seguir para o trabalho, sentindo-me culpada por não ter tido tempo de preparar uma refeição caseira.

Quando cheguei ao escritório, Grayson falou:

— Senhorita Moretti, você teve sorte de chegar bem na hora.

Vanessa estava ao lado dele, com um sorrisinho no rosto que achei suspeito. A expressão dela já me dava a confirmação de que ela tinha aprontado alguma coisa que só ia aumentar a pressão no meu trabalho.

Ela me olhava como se eu fosse sujeira debaixo do sapato dela, mas eu não podia me importar menos. Eu tinha problemas bem piores do que a autoestima ferida dela.

— Você conseguiu terminar o trabalho de ontem? — perguntou Grayson enquanto juntava alguns arquivos na mesa.

— Sim, senhor — respondi rápido, tentando soar confiante apesar do cansaço. Eu nem conseguia lembrar a última vez que dormira direito sem a pressão do trabalho me esmagando.

— Que bom, porque tenho mais coisas para você. A Vanessa não conseguiu terminar o trabalho dela ontem, então quero que você a ajude a finalizar. Ela precisa ir ao hospital se consultar, está com febre. Não podemos ter uma funcionária doente mexendo em nada por aqui. Não é bom nem para o funcionário nem para a empresa, tenho certeza de que você sabe disso — disse ele, virando-se para olhar a Vanessa, que rapidamente montou uma cara de doente e lastimável na qual eu nunca caio. Como diabos ele consegue acreditar numa mentira tão patética?

— Sinto muito, senhor, eu não sabia que ia piorar tanto. Teria avisado com antecedência, mas preciso ir verificar o que é isso antes que piore — disse ela, fingindo cansaço e apertando o estômago como se fosse vomitar. Mas eu sabia melhor. A licença médica falsa da Vanessa era uma tática conhecida, e eu estava cansada de cobrir para ela ou de tentar fazer o Grayson enxergar quem ela realmente era.

— Entendo, não se preocupe. Pode ir — disse ele para a Vanessa, que acenou com a cabeça devagar antes de sair, não sem me dar uma ombrada de propósito. E o chefe cego e estúpido nem percebeu. Não o culpo, no entanto. A Vanessa tem seus charmes. Por que diabos alguém ia me favorecer, ou sequer olhar para mim, com o tanto que estou uma bagunça? Eu nem consegui manter o namorado do ensino médio.

Antes de sair, Vanessa parou no meu escritório.

— Muito obrigada, Paige. É tão legal da sua parte se voluntariar para terminar a minha parte do trabalho — começou ela ao entrar no meu escritório, com um sorrisinho. A falsidade na voz dela irritava os ouvidos. Custou-me não jogar alguma coisa nela só para ver como reagiria a um hematoma naquela carinha bonita.

— Por nada. Você deveria estar descansando. Por que ainda está aqui? Não vai melhorar se não se cuidar — respondi com um sorriso claramente falso. Duas falsidades podem virar verdade, certo?

— Ah, por favor. Nós duas sabemos que não tem nada de errado comigo — disse ela, jogando as mãos no ar, expressando o que eu chamaria de estupidez.

— Mas teria sido legal, não acha? — sorri docemente para ela, cruzando os braços na frente do corpo.

— Ugh, vadia — ela cuspiu com raiva antes de sair batendo o pé.

— Que irônico — murmurei para mim mesma com um leve risinho, voltando-me para o trabalho à minha frente.

Na hora do almoço, preparei-me para uma pausa, aliviada por ter recebido a ligação de uma possível babá para o Alex. Embora eu preferisse não sair para almoçar, por que não aproveitar a oportunidade? Marquei um encontro no café da rua, já que não ficava tão longe da empresa em caso de emergências. Bati duas vezes na porta do Grayson e abri depois de um fraco “pode entrar” dele.

— Vou sair para o intervalo de almoço agora — avisei da porta, sem entrar completamente no escritório.

— Volte em 15 minutos. Tem muita coisa a fazer. Acabei de receber uma ligação da R&J Technologies. Eles finalmente aceitaram nossa proposta de trabalhar juntos e, por sorte, a reunião será aqui. Então temos que dar o nosso melhor para impressioná-los — disse ele com um sorrisinho malicioso no rosto, provavelmente orgulhoso de finalmente trabalhar com uma das maiores empresas de Nova York. Era uma ótima notícia, na verdade, mas eu sabia melhor do que ficar feliz por uma empresa que provavelmente me jogaria fora algum dia como se eu não importasse.

— Tempo de sobra, obrigada — agradeci, saindo correndo sem lembrar de perguntar a data da reunião. Bom, acho que descubro depois.

Encontrei a mulher no café e discutimos os detalhes. Era uma mulher simples, na casa dos quarenta e tantos, e, por sorte, ela realmente não cobrava muito. Disse que não estava fazendo aquilo pelo dinheiro, que era mais um hobby do que um emprego, e que não se importava. Voltei sentindo uma pontinha de esperança de que finalmente poderia encontrar alguém para me ajudar a equilibrar o trabalho e a maternidade.

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