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Tarde demais para você, Sr. Bilionário.
Tarde demais para você, Sr. Bilionário.
Author: Mabby

Prologue

Author: Mabby
last update publish date: 2026-08-22 15:00:05

Paige's POV

Seis anos atrás

Eu não conseguia conter as lágrimas ao perceber que o único garoto que deixei entrar na minha vida seria justamente a pessoa que acabaria me destruindo.

— Você não pode negar tudo assim, depois de tudo o que vivemos — chorei, tentando lutar contra a verdade que estava bem diante dos meus olhos.

Seu olhar preguiçoso caiu lentamente sobre mim de onde estava, e havia uma expressão sombria em seus olhos que eu nunca tinha visto antes.

— Bom, então me observe, Paige. E só para corrigir você, nós não vivemos nada juntos. Mas foi divertido brincar com você — disparou.

Senti meu coração se despedaçar em milhares de pedacinhos com aquelas palavras.

— Precisamos fazer alguma coisa em relação a este bebê, ao nosso bebê — gritei, deixando as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

— Seu bebê, não nosso — retrucou friamente, jogando-se no sofá atrás dele, como se o peso daquela situação não significasse absolutamente nada para ele.

— Você realmente espera que eu mate nosso filho? — perguntei, já temendo a resposta. Ele já tinha mencionado isso antes, então por que eu ainda esperava que mudasse de ideia? Ele nem teria tocado no assunto se não tivesse pensado nisso.

— O que quer que você faça com seu filho não é problema meu — disparou, e suas palavras foram como um choque percorrendo todo o meu corpo.

— Você não pode negar que dormiu comigo, e sabe, no fundo, que este bebê é seu. Então por que está fazendo isso, Jace? Por quê? — gritei, tomada pela dor.

— Olha, eu aceito que dormi com você, mas com certeza não fui eu que engravidei você. Por que não vai perguntar aos seus inúmeros namorados que gozaram dentro de você? Talvez algum deles assuma a responsabilidade — disse, em um tom entediado.

Isso só podia ser um sonho, não podia?

— O que isso significa? Você sabe muito bem que não tenho nenhum outro namorado além de você. Então do que está falando? — perguntei, incapaz de esconder meu choque diante de suas palavras.

— Ah, poupe-me de todo esse melodrama. Quando terminar com tudo isso, pode ir embora e fechar a porta atrás de você — dispensou-me, caminhando em direção ao banheiro e deixando-me ali, com as lágrimas escorrendo pelo rosto e o coração em pedaços.

— Só para você saber, se alguém perguntar quem é o responsável por essa criança que você está carregando e você ousar dizer meu nome, eu juro que vou negar que algum dia conheci você. E acredite em mim quando digo que vou tornar sua vida um inferno — ameaçou antes de desaparecer no banheiro, batendo a porta com força atrás de si.

Fiquei sozinha, entregue ao meu próprio destino, deixando que meus soluços silenciosos se transformassem em um choro alto e desesperado.

Eu deveria ter escutado a mamãe.

---

Nunca temi tanto voltar para casa quanto naquele momento. Não consigo encarar minha mãe desse jeito, não depois da promessa que fiz a ela. Ela não pode reviver, através de mim, tudo o que meu pai fez com ela.

— Mãe, cheguei! — gritei, como sempre fazia, esperando que ela não estivesse em casa.

Ela não podia me ver daquele jeito. Saberia que havia algo errado sem que eu sequer precisasse contar.

Para meu alívio, fui recebida pelo silêncio, o que deveria me dar tempo suficiente para pensar em um plano.

Eu deveria saber que deixar Jace entrar na minha vida acabaria apenas em lágrimas — e grávida aos dezesseis anos.

A faculdade começa em dois meses, e eu não posso ir para a faculdade grávida. Com certeza cancelariam minha matrícula, mas também não consigo matar meu filho. Eu nunca me perdoaria por isso.

Sentada no chão do meu quarto, com as lágrimas escorrendo continuamente pelo rosto, fiquei olhando para uma foto que minha mãe e eu tínhamos tirado apenas alguns dias antes, na minha cerimônia de formatura.

Ela estava tão feliz por eu finalmente estar indo para a faculdade, como sempre sonhei. Sua princesinha estava finalmente crescendo. Ela chorou tanto naquele dia que pensei que havia alguma coisa errada, mas garantiu que estava tudo bem. Disse que estava apenas feliz com o nosso progresso e por eu não ter me tornado uma criança amarga e triste por causa da ausência do meu pai.

Ela sempre esteve ao meu lado, trabalhando em dois empregos para garantir que eu tivesse o melhor da vida.

Ela não pode descobrir sobre este bebê.

Isso acabaria com ela, e eu não posso fazer isso com ela.

Com esse pensamento em mente e o coração pesado, tomei uma decisão drástica.

Peguei uma caixa e uma pequena bolsa e coloquei dentro delas tudo o que conseguia carregar.

Não vou permitir que minha mãe sofra o mesmo destino que sofreu dezesseis anos atrás, quando meu pai a abandonou. E, com a faculdade começando em dois meses, não conseguirei esconder o bebê por muito tempo. Então, o melhor é ir embora.

Lancei um último olhar ao redor do meu quarto e me despedi silenciosamente do meu porto seguro.

Minha mãe sempre dizia que eu poderia fazer qualquer mudança que quisesse quando sentisse que o quarto já não estava do jeito que eu gostava. Ela sempre quis que eu me sentisse confortável — e eu me sentia. Mas não posso mais me dar ao luxo de ficar ali.

Agora tenho um bebê para cuidar.

Entrei no quarto da minha mãe e inspirei profundamente seu perfume que ainda pairava no ambiente, deixando-me envolver por aquele conforto uma última vez.

Deixei um bilhete sobre sua cama impecavelmente arrumada e tentei reunir coragem.

Eu estava prestes a enfrentar o mundo completamente sozinha.

"Sinto muito, mãe, mas isso é o melhor a fazer. Eu te amo hoje, amanhã e para sempre. Por favor, cuide de você por mim. Voltarei um dia, quando tiver certeza de que consigo encarar você. Você sempre estará no meu coração, e espero que um dia consiga me perdoar."

Vestindo um moletom para esconder o rosto, saí de casa sem olhar para trás.

Cheguei à estação de trem e embarquei no primeiro trem com destino ao sul, rumo a um futuro incerto.

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