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CAPÍTULO 04

last update publish date: 2021-09-07 22:30:30

      De manhã cedo — após o delicioso café expresso, que tomou na padaria da esquina, com três pães de queijo —, num sábado ensolarado, sozinho no apartamento (este localizado no quarto andar de um condomínio, na zona norte), tomou uma inusitada decisão.

       Ainda triste, mas já recuperado, decidiu dar uma olhada na única foto que tinha de Vera, a foto especial, que havia guardado numa das gavetas do guarda-roupa.

      Por orientação do doutor Fernando, todas as fotos de Vera — ou dos dois juntos — estavam na casa de seus pais. Deveriam permanecer lá por pelo menos três ou quatro anos, até que as ignóbeis feridas sarassem.

      Entregou todas as fotos… menos aquela. Era seu mirífico segredo.

      Sentou-se na cama de casal e ficou olhando. Vera — linda e sensual — de pé, na frente do Siena prata que eles haviam comprado juntos.

      Bela, num short jeans e blusa azul, decotada. A pele cor de canela, os cabelos negros, longos e lisos, os olhos esverdeados, as curvas, o sorriso, perfaziam o conjunto de lídima beleza que muito o enfeitiçaram.

      Ainda tinha amor por ela, sem dúvida.

      Muito amor.

      No entanto, a resignação de que não poderia tê-la de volta estava incrustada em seu íntimo, de tal forma que secaram definitivamente suas lágrimas. O tempo amenizava a dor.

      Vendo a foto, de repente lembrou-se dos pesadelos que tivera, todos com a presença do médico de olhos azuis. Sem contar o estranho esdrúxulo diálogo que com ele travara.

      Perguntas sem sentido.

      “Você gosta de Miojo? Tem boa percepção da vida? Gosta de gatos? De cães? De dançar?

      O olhar frio! As indagações. O sujeito surgiu de supetão, como que oriundo do nada. E saiu às pressas, deixando-o perturbado.

      “O que ele queria dizer com aquele estranho diálogo? Que mensagem pretendia me transmitir? Por que estava nos meus pesadelos, sempre matando minha esquisita esposa-zumbi? Preciso encontrá-lo. Urgentemente. Claro! Ele terá que me explicar.

      Não dormiu direito, tal sua tristeza e ansiedade. Revirou-se na cama.

      Pelo menos não teve pesadelos.

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