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CAPÍTULO 05

last update Date de publication: 2021-09-07 22:31:09

      Mantendo a rotina, domingo, após a missa, Macto almoçou com os pais, a irmã e Marcelo, o namorado dela. Conseguiu, obviamente, disfarçar seu maquiavélico estado de espírito.

      Optou por não contar a eles sobre a conversa que tivera com o médico e sua pretensão de encontrá-lo, pois corria o risco de ser mal interpretado.

      Débora anunciou que iria se casar com Marcelo dentro de seis meses. Excelente notícia, uma vez que Marcelo se mostrou uma pessoa de bem, um sujeito realmente honesto, simpático, além de possuidor de ótimo caráter.

      O almoço foi tranquilo.

      Na segunda-feira, de manhã — entre curioso e ansioso —, pediu dispensa do trabalho e seguiu para o eficiente e surreal hospital Medicory, que era particular e pertencia, segundo lhe disse o pai “G****e”, a um grupo constituído por quatro sócios.

      Controlou a emoção, ao entrar naquele enorme prédio de cinco andares, pintado de amarelo-claro, que muito marcou sua existência.

      Ali Vera sofreu e viveu os últimos dias de sua curta vida. O maldito câncer a derrotou.

      “Meu amor se foi naquele lugar. Se foi de modo... Arre! Não posso pensar nisso agora. Não posso! Deus, me dê forças.

      Piscou os olhos, respirou fundo e passou a mão direita nos cabelos, para evitar se emocionar e perder a concentração.

      Refez-se, no minuto seguinte.

      Diante do balcão, conversou com a bela moça da recepção e conseguiu marcar audiência com o diretor, que — ciente de seu doloroso drama — o recebeu educada e amistosamente, em sua sala, localizada no segundo andar.

      Cumprimentaram-se.

      Contou o motivo de sua visita. Então, teve uma desagradável surpresa!

      Ninguém conhecia um médico branco, alto, magro, loiro e com olhos azuis-cerúleos, ali.

      → Não é possível → disse ao diretor.

      Indignado, contou todos os detalhes da conversa que tivera com o suposto médico. Tudo, tudo. Não ocultou nada.

      O diretor, pasmo diante da inusitada história, para convencê-lo, mostrou duas grandes pastas, contendo fotos e os dados pessoais — os profissionais, também — dos funcionários e médicos do hospital.

      Macto olhou as fotos fixamente, uma por uma. Analisando os rostos! De modo otimista, achando realmente que iria encontrá-lo.

      Todavia, para seu desgosto, não havia nenhum médico branco, alto, magro, loiro e de olhos azuis ali trabalhando. Os seis loiros existentes possuíam os olhos verdes ou castanho-claros. Médicos que lhes eram plenamente desconhecidos.

      → Meu Deus! → Macto murmurou, temeroso, as mãos na cabeça: → Meu Deus! Como é possível?

      Calou-se, triste, sem saber mais o que dizer. Fechou a pasta maior.

      → Sinto muito, amigo → disse o diretor, encarando-o, meio que constrangido. → Provavelmente deve ter sido algum visitante maluco ou parente de algum paciente, que decidiu puxar conversa. Ou talvez fosse um pastor dessa igreja que você citou. Qual é mesmo o nome dela?

      → Igreja Geral da Ressurreição → respondeu, após voltar à calma.

      → Pois é. A hipótese mais aceitável é a do pastor. De vez em quando alguns deles entram e ficam zanzando pelos corredores, para abordar as pessoas, com o intuito de convencê-las a frequentar sua igreja. Talvez ele, de alguma forma, até soubesse do estado grave e irreversível em que sua esposa se encontrava.

      → Isso seria desumano, doutor. Um crime. E ele usava roupas brancas e até uma bata do hospital, que deve ter comprado ou furtado. Ou seja, queria mesmo se passar por médico. Aquilo foi realmente intencional! Sem querer ofender, doutor, mas não há como impedir que esse tipo de maluquice aconteça ou volte a se repetir?

      → Na verdade, por incrível que pareça, é primeira vez que acontece. Um pastor usando bata, que o abordou na ala dos internados, no 5º andar? Você é o primeiro a reclamar desse tipo de abordagem. Irei fazer um relatório, dando os detalhes dessa nossa conversa, e enviar para os donos. Mas de antemão quero lhe contar uma novidade: por coincidência, o hospital irá instalar, dentro de três meses, câmeras de vigilância nos corredores de todos os andares. A decisão inclusive já foi tomada pelos donos. Por enquanto só temos câmeras na entrada do hospital, no térreo, pois é ali que os incidentes acontecem. Os malucos não fazem loucuras na ala dos internados, no 5º andar, por exemplo, o que foi o seu caso. É uma pena ainda não termos, naquela noite, câmeras nos andares de cima. Sinto muito, amigo. De verdade. Nem sei mais o que dizer.

      → Tudo bem → murmurou. → É que a conversa foi tão surreal, tão sem sentido, que… sei lá. Eu devia ter desconfiado…

      Pediu desculpas ao diretor, despediu-se e — profundamente frustrado —, voltou para o apartamento.

      Antes de almoçar, tomou uma decisão. Iria encontrar aquele falso médico, nem que levasse o resto da vida para isso.

      → Irei achá-lo, seu desgraçado → murmurou, decidido. → Você terá que me explicar. Ah, se vai!

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