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capítulo 8 Leandro narrando

last update Veröffentlichungsdatum: 10.09.2026 21:34:14

Autora: Edivania Rios

História ambientada na década de 2000

Protagonistas: Leandro e Raquel

Estou furioso com a Nair — essa mulher não tem o menor senso, me tira do sério a todo instante. Difícil conviver com gente que não sabe a hora de parar.

— O que tem a minha filha brincar com os brinquedos da sua, Leandro? — ela pergunta, como se não soubesse exatamente o que faz.

— Olha só: se quiser ficar aqui, é assim. Não misture as coisas. Traga da sua casa a papinha, os brinquedos e tudo o que a sua filha precisar. Sou muito individualista, e também vingativo.

Ela morde os lábios de raiva, os olhos cheios de medo. Não tenho dó. Nunca tive confiança em ninguém — fui criado pelos piores homens do mundo, aqueles que sabem tirar vantagem de tudo e de todos. Vejo Raquel saindo de perto dali, para não ouvir a discussão. Subo para o meu quarto: como se não bastasse Nair, apareceu mais uma doida para me atormentar. Eu mereço, né?

Eu nasci para ser líder, não admito perder tempo com futilidades — como passeios no parque, dias na praia ou conversas inúteis. Nesse auge da minha amargura, juro: se ela aparecer na sala, eu saio e vou para a cozinha. Preciso focar na minha reeleição. Se alguém descobrir que engravidei a mulher do meu próprio pai, nunca mais serei prefeito de Ity — um erro desses destrói qualquer família, e qualquer carreira. Preciso descobrir qual é a fraqueza da Raquel.

Mandei Nair ir embora e fui procurar Raquel. Ela estava no quarto dela, com a minha filha no colo, e quando me viu, puxou o lençol rápido para cobrir o corpo.

— O que foi, Leandro?

— Veste uma roupa. Te espero no quarto da minha filha.

Fui até lá, e enquanto esperava, bateu uma sensação estranha no peito: meu Deus, será que o Senhor ainda cuida de mim? Uma fagulha pequena esquentou esse coração cheio de ódio. O que ela pensa que está fazendo, ficando com a minha filha no seu quarto? Vai ser desgastante brigar com ela o tempo todo.

Ela chegou com Isabela dormindo no colo, os cabelos espalhados nos braços dela — parecia uma mãe perfeita, coisa que eu sei muito bem que ela não é.

— Coloca ela no berço. Vamos conversar no meu escritório.

— Está bem.

Ela veio atrás de mim.

— Fala, Leandro — disse ela. Estendi a mão para que ela passasse na frente. Ela obedeceu, andando rápido pelo corredor. Abri a porta do escritório, levantei as persianas e puxei uma poltrona para ela se sentar. Ela agradeceu com um gesto, fechou dois botões da blusa que deixava o colo quase aparecendo e se acomodou.

— Por que estava com Isabela no seu quarto?

— Ela estava com sono, e…

— Entendi. A legítima madrasta — falei com sarcasmo, e os olhos dela ficaram grandes. — E o que você veio fazer aqui, afinal?

— Primeiro: não sou sua madrasta. Depois: vim pela minha filha. E quero ter liberdade para ficar com ela, cuidar dela como eu quiser.

— Ah, é? E o que foi feito da sua vida enquanto esteve fora? Posso saber? Teve namorados? Conheceu um homem de verdade? Porque o meu pai nunca foi digno de ser marido de ninguém.

— Sim, tive um namorado muito melhor que você. Depois casei com um senhor que já faleceu.

— Credo… eu nunca casaria com uma mulher que parece matar maridos. Matou dois: o meu pai e esse tal de “gostosão”.

— Não! Ele não era o gostosão. O gostosão está vivo — eu só o abandonei por causa da minha filha.

— Mas Raquel… ficar com ele não atrapalharia você de chegar perto da menina?

— O que isso tem a ver com você? — ela franziu a testa.

— Tem a ver que isso atrapalha a minha política. Já tenho a Nair para vigiar, mais uma mulher causando rebuliço vai piorar tudo.

Ela ficou pensativa por uns instantes.

— Olha, Leandro: eu sei muito bem a hora de procurar o meu ex. Qual é a sua reclamação, afinal? Quer me tirar do seu caminho?

— Não quero que você leve a minha filha para o seu quarto. E não quero invadir a sua privacidade — mas por favor, tranque a porta quando estiver lá dentro, certo?

Ela me olhou e deu um sorriso de canto.

— Está com medo de mim, Leandro?

— De você? Eu te vejo como a minha madrasta — respondi firme. Nossos olhares se cruzaram, e por um segundo senti que ela ficou tímida.

— Eu nunca fui sua madrasta. Fui mais para a sua ficante. Meu erro, eu sei. E nunca fiquei com o seu pai — se serve de consolo, o meu maior arrependimento foi ter ficado com você. Antes eu não tinha nada, talvez ele pudesse me dar uma vida melhor… mas eu estraguei tudo.

— Claro que ia dar! Quando você engravidasse, ele mandava te matar. Fez isso com a minha mãe, chegou a pedir para me abortar também. A minha filha só nasceu porque eu usei de toda a minha esperteza para proteger vocês duas.

— E o que você achou de eu ser a mãe da sua filha?

— Na hora eu não gostei. Mas fui eu que fiz a criança… no fundo, eu gostei.

— E por que você saiu daquela casa?

— Porque não suporto a sujeira do que fiz, de ter me envolvido com a mulher do meu próprio pai. E você… como sabia que eu estava vindo?

— Te acompanhei no Orkut. Vi as suas fotos, os seus discursos… percebi que é um político metido, mentiroso, vaidoso, que adora enganar esse povo que sonha com uma vida melhor. E sei que não está disposto a fazer nada de verdade por eles.

Comecei a rir.

— Quer beber algo?

— Quero um conhaque.

Fiquei surpreso, mas logo voltei ao normal. Ela não é mais aquela menina ingênua e medrosa de antigamente. Cresceu. Mudou. Conheceu o mundo.

— Ô patrão — a voz da empregada bateu à porta —, a Lisa deu a papinha da Isabela para a Maya, porque a menina ficou olhando com vontade.

— Eu já falei que não é para dar! Quando a Bella olha as coisas da outra, a Nair nem liga — respondi, irritado, e até esqueci que Raquel estava ali.

— Mas patrão, é só uma criança…

— Como assim? Você não deixa a filha da Nair comer o que é da Isabela? — perguntei para Raquel.

— Não. Porque a Nair não deixa a minha filha comer nada que seja da filha dela.

— Então a menina não é minha?

— Claro que não! Deus me livre!

— Pois então: não deixe aquela pestinha pegar nada da minha filha, ouviu bem?

— Sabe de uma coisa, Leandro? Não quero que a minha filha seja mesquinha igual o pai.

— Então ensina ela a ser trouxa igual a mãe, jogada de um lado para o outro.

— Não, Leandro… você não merece nenhuma compaixão.

— Como assim? — ergui a sobrancelha de uma vez, me inclinando para frente.

— Você é mesquinho, não tem jeito, não pensa antes de falar, diz tudo o que vem na cabeça.

— Ah, é bonito isso? E eu sou o golpista? Você casou com um velho rico e ainda se deitou com o filho dele… imagina quantas trapaças já fez por aí — falei encostado na parede, curioso para saber onde ela quer chegar.

— Você é um homem mau, sem nenhuma dignidade. E está no lugar perfeito: virou político. As suas atitudes mostram exatamente quem você é: cruel. E se eu não te parar, você vai se espalhar como pólvora por todo canto — e essa pólvora pode virar uma bomba fatal.

Sacudi a cabeça: uma doida querendo me dar lição.

— Pague para ver, Raquel.

— Eu tenho muito dinheiro, Leandro. Não vim aqui de mãos abanando. Não tenho medo de você, vim preparada.

— Pague para ver. Nem todo o seu dinheiro vai te fazer chegar perto da sua filha se você tentar virar a cidade contra mim.

— Aqui, Leandro, são duas vidas que estão se perdendo por causa do seu egoísmo.

Fiquei calado por um bom tempo, pensando.

— Só estou te avisando: você vai colher exatamente o que plantou.

— Você já passou por cima de algumas leis, não é mesmo? E eu sou a viúva do seu pai…

— Vou investigar cada coisa sobre você, Raquel. E não cairei sozinho: se você destruir a minha carreira, eu destruo a sua também.

Olhei para a porta, depois para o líquido no meu copo, e voltei os olhos para ela, que me encarava firme.

— Está combinado? — perguntou.

— Raquel… a sua vingança vai muito além da minha política, não é? É sobre o nosso passado.

— Ah, Leandro… eu conheço gente, conheço o mundo. Posso fazer muita coisa com você. O que nós fizemos vai ser só um aperitivo para a sociedade conservadora daqui, e um presente para os seus adversários.

— O que está falando, mulher?

— É isso mesmo. Você quer me destruir, e eu não vou ficar de braços cruzados.

— Eu só pedi para não dar a comida da minha filha para a outra, nem deixar elas brincarem juntas… e você resolveu me desafiar.

— Você é perigoso. Está juntando o útil ao agradável, e o seu veneno pode ser fatal.

— Não há nada de agradável em usar o poder para machucar pessoas… seria fácil, mas não me serve — falei. Ela levantou da cadeira, veio até mim e parou bem na minha frente. Baixinha como é, teve que levantar o rosto para me olhar nos olhos… e de repente, ela me beijou.

Eu a beijei de volta, apertando-a forte contra mim, com toda a vontade que guardei por tanto tempo. Ela gemeu baixinho, e aquele som me deixou louco de desejo. A boca dela é deliciosa, eu poderia ficar ali saboreando por horas. Mas então lembrei: ela está me usando de novo, querendo me ter nas mãos.

— Agora, se quiser ficar perto da sua filha, vai ter que trabalhar. Vai fazer os serviços domésticos. Se me desobedecer, uso todo o meu poder para tirar ela daqui — e só eu irei visitá-la. Pode fazer o que quiser contra mim, Raquel… mas você não faz ideia do que sou capaz, até de perder a minha eleição. Eu sou doido, mulher! Vai limpar a poeira de todos os móveis todos os dias, para aprender a se arrepender de ser tão má e calculista.

Ela me deu um tapa forte no rosto e limpou a boca com a mão, cheia de repulsa. Eu amando provocá-la. Coloquei a mão firme no seu pescoço, prendendo a cabeça dela contra a porta, os olhos dela brilhando de ódio.

— Por que finge que não gostou? — rosnei perto do ouvido dela. — O seu joguinho me intriga. Deve estar acostumada a seduzir qualquer homem para levar vantagem.

— E você caiu igual um patinho! Nem precisei fazer força, você caiu rápido. Tão rico, tão bonito… e um fantoche meu.

Ela saiu batendo a porta, me deixando furioso. Cobra! Fui atrás dela, peguei ela bem na porta do quarto, empurrei-a para dentro, apertei-a contra a parede e comecei a beijá-la com toda a fúria que havia em mim.

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