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CAPÍTULO 2

작가: Canto da Névoa
A enfermeira calou na hora, com o rosto todo sem graça.

Ela não esperava que Susana expusesse o próprio marido sem mudar a expressão.

E, ao mesmo tempo, aquilo parecia verdade.

Afinal, como alguém ficaria casada sete anos sem ter filhos?

O olhar dela para Susana ficou ainda mais cheio de pena.

Susana não contou a verdade.

A verdade era que Vinícius não queria que ela tivesse um filho dele.

Na primeira noite de casamento, ele tinha dito a ela, frio como gelo:

— Eu tenho muito trabalho e não tenho tempo para me preocupar com criança, então eu não quero. Não crie esperança, e não tente negociar isso comigo.

Naquela época, ela entendeu. Achou que ele realmente estava ocupado.

Mas agora...

Ela mais ou menos entendeu por que ele não queria filhos.

Ele tinha medo de que, se ela tivesse um filho, a mulher que ele amava se incomodasse.

O mais ridículo era que, pouco tempo atrás, ela tinha pensado, de um jeito tão idiota, em contar a Vinícius que ele tinha uma filha.

Passos voltaram a se aproximar. Quando Susana levantou a cabeça, deu de cara com os olhos impenetráveis de Vinícius.

Ele estava com o comprovante de pagamento na mão, e o jeito que ele olhou para ela era pior do que olhar para uma estranha.

Então ele tinha ouvido a calúnia sobre a tal "disfunção erétil"?

Mas, pensando bem.

E se tivesse ouvido, e daí? Ela já não queria se importar.

Vinícius realmente recolheu o olhar rápido, virou as costas e foi embora, indiferente.

Susana não se surpreendeu.

Vinícius sempre foi assim.

A impaciência, o desinteresse, a preguiça de gastar energia com ela, ele nunca escondia.

Mesmo que ela quisesse brigar, era difícil até brigar.

Ela só engolia aquilo, dia após dia, preso no peito, sem conseguir soltar.

Mesmo tendo marido, ela não tinha em quem se apoiar.

E não tinha nenhum suporte emocional.

Esse também tinha sido um dos motivos para ela ter tido a filha escondida e criado a filha sem ele saber.

Com passos pesados, Susana voltou para a sala individual dela.

Ela abriu a gaveta de baixo da mesa, e lá dentro havia duas pilhas de documentos, quietas.

Antes de ela e Vinícius registrarem o casamento, Sr. Augusto já tinha procurado Susana e entregado dois acordos.

Um era o acordo pré-nupcial, e o outro era... o acordo de divórcio.

A origem dela não chegava nem perto do que a família Santos queria ver, e ela e Vinícius eram de mundos totalmente diferentes. Se não fosse por aquela confusão enorme de anos atrás, a família Santos nem teria deixado ela entrar pela porta.

O velho não gostava dela.

E o acordo de divórcio tinha um prazo de sete anos.

Quando o prazo terminasse, o acordo de divórcio entraria em vigor.

Naquele tempo, Vinícius nem olhou o conteúdo. Ele assinou direto, e até hoje provavelmente nem sabia que esse acordo existia.

E agora, para o acordo de divórcio entrar em vigor...

Faltavam só três meses.

Susana não queria desperdiçar nem mais um segundo. Ela guardou os papéis na bolsa, terminou o trabalho do dia arrastando o corpo cansado e voltou para a casa onde só ela e Vinícius moravam.

Assim que trocou o sapato, ela viu Vinícius descendo a escada.

Susana ficou parada.

E não viu em Vinícius nenhuma intenção de conversar com ela, nem de explicar o que tinha acontecido na emergência.

Quando ele passou por ela, Susana finalmente recuperou a própria voz:

— Vamos nos divorciar.

— Eu te dou três meses para resolver a transferência e a divisão do patrimônio.

Aí, sim, Vinícius parou.

Os dedos longos, que abotoavam a abotoadura de pedra preciosa, pararam por um instante, e os olhos escuros e frios a examinaram de cima a baixo:

— Só porque hoje eu acompanhei a Yasmin no hospital?

Só.

Então ele sabia que ela ia se importar com isso, e mesmo assim não disse uma palavra.

Susana encarou ele de frente, a voz bem baixa:

— Sim.

Certo ou errado, ela não queria discutir.

E Vinícius também não ficaria sabendo mais nada sobre a existência da filha.

Os olhos de Vinícius quase não tinham emoção, e ele não se importava se ela estava fazendo birra:

— Em casa, você pode fazer seu teatro, mas lá fora, como minha esposa, você sabe o que tem que fazer.

Aquilo era, na prática, para proteger a imagem elegante de Yasmin.

Ele não ligava para o que Susana sentia.

Susana entendeu. Mesmo que ela tivesse visto com os próprios olhos as cenas de amor intenso deles, e daí?

Vinícius não achava que devia nenhuma explicação para a esposa.

— Pode ficar tranquilo.

Sem perceber, Susana apertou a palma da mão, a dor ajudou ela a manter a voz calma:

— Depois do divórcio, isso já não tem nada a ver comigo.

Talvez por surpresa, Vinícius olhou para Susana, que sempre cedia, mas agora tinha mostrado uma ponta de resistência.

Não havia nenhuma emoção a mais em seu olhar.

— Eu não tenho tempo para lidar com o seu humor agora.

— Se você se incomoda tanto, pode procurar um advogado e fazer um acordo.

Em sete anos de casamento, ele não só não amou, como nem criou o hábito de ter ela por perto. Ele aceitou sem hesitar.

Susana não enrolou. Com uma decisão gelada, ela passou direto pelo homem alto e subiu para arrumar as coisas dela.

Vinícius estreitou os olhos frios, e o olhar acompanhou as costas magras de Susana.

Só que foram dois segundos.

Ele já tinha adivinhado o que Susana queria fazer.

A reação mais "forte" de Susana dessa vez não significava nada para Vinícius.

Não era a primeira vez que ela fazia alguma coisa para chamar a atenção dele.

Ele nunca precisou gastar esforço com isso.

Porque Susana sempre abaixava a cabeça no fim.

Sem resposta, ela fingia que nada tinha acontecido e se convencia sozinha.

Em poucos dias.

Então, para ele, o que ela sentia não "valia" tanto assim.

Ele recolheu o olhar, pegou o casaco e saiu de novo, sem nem olhar para trás.

Susana entrou no quarto e olhou para a casa que ela tinha arrumado e construído com cuidado por sete anos, sem saber por onde começar.

Nesse momento, o WhatsApp tocou.

Quando viu aquele avatar de desenho aparecendo, o olhar dela amoleceu na hora.

Ela abriu o áudio.

A voz infantil saiu de novo no fone:

— Mãe... no mês que vem eu vou para a Cidade J te ver... Aí a gente vai ficar juntas sempre.

Os olhos de Susana arderam.

Ela ergueu o rosto de repente, forçando aquela vontade de chorar a voltar.

Ainda bem.

Ela ainda tinha a filha.

Ainda bem.

Ela não tinha contado a Vinícius sobre a existência da criança.

Ao mesmo tempo, Yuri ligou. Ela parecia animada e preocupada ao mesmo tempo:

— A nossa menina vai mesmo?

— Vai no mês que vem.

Yuri fez um som com a língua e soltou uma frase absurda:

— Vinícius não é estéril? Se ele souber que você já teve uma menina escondida dele e que você ainda planeja deixar o pai de lado e ficar com a criança, ele não vai enlouquecer?

Susana riu, com um pouco de autoironia:

— Ele não vai.

Vinícius nem se importava com ela, ele ia se importar com isso?

Ele ainda tinha feito aquela coisa ridícula com a própria futura parente, no início da gravidez, e do jeito mais absurdo possível.

Se ele ligava ou não para a filha, ele já não tinha o direito de ser pai.

E sobre esse papo de estéril...

O olhar de Susana ficou distante por um instante.

Na verdade, no primeiro ano depois do casamento, como Vinícius sempre se prevenia e ela não engravidava, Susana acabou ouvindo uma conversa dos empregados.

Eles diziam que Vinícius provavelmente era estéril.

A família Santos tinha tentado arranjar para Vinícius um casamento por conveniência com uma moça de família do mesmo nível.

Vinícius nunca aceitou, e ainda tinha dito, ele mesmo, que não teria filhos.

Uma coisa puxando a outra, o boato de que o herdeiro não podia ter filhos foi se espalhando.

E, somando isso ao fato de que, nesses sete anos, ela e Vinícius não tinham filhos em público, para quem via de fora aquilo parecia confirmar tudo.

Nos primeiros anos, Susana acreditou, e até achou que não fazia diferença, desde que vivesse bem, filho seria só um extra.

Mas Vinícius e ela sempre se preveniam.

E, nessa parte, a capacidade dele sempre tinha sido... boa.

Mesmo sem amor, ela não podia negar isso.

Só que, depois, ele passou a evitar o assunto de criança o tempo todo.

E ela mesma acabou acreditando de vez nesse boato.

Mas foi só naquele dia...
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