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CAPÍTULO 7 — OLHARES PROIBIDOS

Author: Leila
last update publish date: 2026-03-18 18:00:52

🔥

Aurora tentou seguir o dia como se nada tivesse acontecido.

Mas era impossível.

Tudo dentro dela ainda estava… bagunçado.

A proximidade de Adrian.

O jeito como ele olhou para ela.

A forma como quase—

Ela fechou os olhos por um segundo.

— Para.

Aurora respirou fundo e voltou ao trabalho na cozinha. Cortava legumes com precisão, tentando focar apenas na tarefa.

Mas sua mente não ajudava.

Nem seu corpo.

Porque toda vez que lembrava daquilo…

sentia um calor estranho percorrer sua pele.

— Ridículo… — murmurou para si mesma.

Ela terminou de preparar os ingredientes e limpou a bancada.

Mas, mesmo sem querer…

seu olhar se moveu.

Instintivamente.

Para a porta.

Como se estivesse esperando que ele aparecesse novamente.

Mas não apareceu.

E aquilo a irritou mais do que deveria.

Do outro lado da casa…

Adrian estava no escritório.

Mas não estava trabalhando.

Não de verdade.

Os papéis estavam abertos sobre a mesa.

O laptop ligado.

Mas sua atenção…

não estava ali.

Estava nas câmeras de segurança.

Mais especificamente…

em uma delas.

A cozinha.

Aurora.

Ele observava cada movimento dela.

O jeito como ela se movia.

Como prendia o cabelo.

Como mordia levemente o lábio quando estava concentrada.

Aquilo era um problema.

Um grande problema.

Adrian apoiou-se na cadeira.

Passou a mão pelo rosto.

Irritado.

Consigo mesmo.

Ele não era aquele tipo de homem.

Nunca foi.

Nunca perdeu o controle por ninguém.

Mas Aurora…

era diferente.

E isso o incomodava mais do que qualquer inimigo.

Na cozinha, Aurora terminou o serviço mais cedo naquele dia.

A governanta havia liberado o restante da tarde.

— Pode descansar um pouco — disse a mulher.

Aurora agradeceu.

Talvez fosse exatamente o que ela precisava.

Um tempo longe daquela casa.

Longe dele.

Ela subiu para o quarto, trocou de roupa e decidiu sair um pouco para respirar.

O jardim da mansão era enorme.

Silencioso.

Perfeito para colocar os pensamentos em ordem.

Aurora caminhava lentamente pelo gramado quando ouviu uma voz atrás dela.

— Fugindo?

Ela virou-se.

Jean Luca.

Claro.

— Não estou fugindo.

Ele aproximou-se com aquele sorriso provocador.

— Tem certeza?

Aurora cruzou os braços.

— O que o senhor quer?

— Conversar.

— Sobre?

Ele inclinou a cabeça.

— Sobre você.

Ela suspirou.

— Já disse. Não tenho nada interessante.

Jean Luca riu baixo.

— Você é a coisa mais interessante dessa casa agora.

Aurora estreitou os olhos.

— Isso não é um elogio.

— Depende do ponto de vista.

Ela começou a andar novamente.

Mas ele acompanhou.

— Você sabe que está no meio de algo grande, não sabe?

Aurora parou.

Virou-se para ele.

— Eu não pedi por isso.

Jean Luca deu de ombros.

— Ninguém pede.

Silêncio.

O vento soprou levemente, fazendo alguns fios do cabelo dela se soltarem.

— Por que estão interessados em mim? — perguntou ela finalmente.

Jean Luca a observou por alguns segundos.

Como se estivesse decidindo o quanto deveria falar.

— Porque você está perto dele.

O coração de Aurora acelerou.

— Isso não faz sentido.

— Faz.

Ele se aproximou um pouco mais.

— Adrian Volkov não deixa ninguém se aproximar.

Aurora desviou o olhar.

— Eu trabalho para ele.

— Não é só isso.

Silêncio.

Aurora sentiu algo estranho no peito.

— Você está imaginando coisas.

Jean Luca sorriu de lado.

— Não estou.

Ele olhou diretamente para ela.

— Ele está te observando.

Aurora congelou.

— O quê?

Jean Luca apontou discretamente para a mansão.

— Desde a janela.

Aurora virou o rosto lentamente.

E lá estava ele.

Na varanda do segundo andar.

Parado.

Imóvel.

Observando.

O coração dela disparou.

Por um segundo, os olhares se encontraram.

Mesmo à distância…

ela sentiu.

Aquilo.

A intensidade.

O peso.

O desejo contido.

Aurora rapidamente desviou o olhar.

Mas já era tarde.

Jean Luca soltou uma risada baixa.

— Eu te disse.

Ela virou-se de volta para ele, irritada.

— Isso não significa nada.

— Significa tudo.

Antes que ela pudesse responder…

uma voz cortou o ar.

— Já chega.

Aurora e Jean Luca olharam ao mesmo tempo.

Adrian estava descendo as escadas externas da varanda.

Passos firmes.

Olhar duro.

Direto para Jean Luca.

— Você está incomodando minha funcionária.

Jean Luca ergueu as mãos.

— Eu estava apenas conversando.

— Então pare.

Aurora observava a cena.

E percebeu algo pela primeira vez com clareza.

Aquilo não era só proteção.

Era ciúme.

Mesmo que ele não admitisse.

Adrian parou ao lado dela.

Perto demais.

Como sempre.

— Volte para dentro — disse ele.

Aurora franziu a testa.

— Eu não sou criança.

Ele não desviou o olhar dela.

— Eu não pedi sua opinião.

A irritação subiu.

— E eu não pedi sua permissão para respirar.

Jean Luca riu ao fundo.

— Eu gosto dela cada vez mais.

Adrian lançou um olhar mortal para ele.

— Vá embora.

Jean Luca suspirou.

— Sempre estragando a diversão.

Mas antes de sair, ele disse algo que mudou completamente o clima.

— Só cuidado, Adrian.

Silêncio.

— Porque quanto mais você olha para ela assim…

mais óbvio fica.

E quanto mais óbvio fica…

mais perigoso ela se torna.

Aurora sentiu um frio na espinha.

Jean Luca saiu.

Deixando apenas os dois ali.

Sozinhos.

O silêncio voltou.

Pesado.

Carregado.

Aurora cruzou os braços.

— Eu não sou um problema.

Adrian olhou diretamente para ela.

— Você já é.

O coração dela acelerou.

— Então me demite.

Silêncio.

Ele deu um passo à frente.

Aproximando-se novamente.

— Não.

A resposta foi baixa.

Firme.

Definitiva.

Aurora prendeu a respiração.

— Por quê?

Ele a observou por alguns segundos.

Como se estivesse lutando contra algo dentro dele.

Então disse:

— Porque eu não quero.

E foi nesse momento…

que Aurora percebeu.

Ela não estava mais apenas trabalhando para Adrian Volkov.

Ela estava entrando…

diretamente na tentação dele. 🔥

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