— Vô... Vô, acorda, por favor... Acorda pra mim...As lágrimas embaçavam tudo à sua frente. Larissa abraçou os ombros de Samuel e tentou sacudi-lo de leve, implorando por uma reação. A dor era tão violenta que parecia haver uma mão esmagando seu coração por dentro.Durante todos aqueles dias, fez o possível para não pensar na morte da mãe. Sabia que, se cedesse à culpa, talvez não conseguisse mais se reerguer. E, se desmoronasse, poderia perder até o Grupo Moretti, que tanto lutava para proteger.Por isso continuou trabalhando, enfrentando um problema atrás do outro, obrigando-se a afastar a imagem de Heloísa presa naquele carro em chamas.Mas, durante o sono, não havia como fugir.Dez anos se passaram, e o pesadelo continuava o mesmo.A noite tingida de vermelho pelo incêndio. A fumaça negra subindo em ondas. Sua mãe presa dentro do carro, lutando desesperadamente enquanto o fogo tomava tudo.Até não haver mais movimento.Até restar apenas um corpo carbonizado, diante dos olhos dela e
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