Larissa não conseguia saber se Arthur escapou a tempo.A carroceria caída sobre o canteiro escondia tudo, e o pânico tomou conta dela de uma vez.— Arthur!Nenhuma resposta.— Arthur!Dessa vez, a voz saiu trêmula.Larissa procurou por ele ao redor do carro, cada segundo deixando a espera mais insuportável. Não aguentou mais. Já descia o primeiro degrau para correr até lá quando ouviu, enfim:— Estou aqui.A voz veio baixa, um pouco rouca.Logo depois, Arthur surgiu pelo lado da frente do carro.O terno escuro estava em desordem. Ele avançou com passos largos até parar sob o poste danificado e levantou os olhos para Larissa.— Larissa, não fica com medo. Eu estou aqui.A lâmpada acima dele piscava sem parar, revelando cada marca daquele caos.Uma das pontas da camisa branca escapou da calça e pendia sobre a cintura. A gravata estava torta, alguns riscos de sangue cortavam de leve seu rosto, e até os cabelos, sempre impecáveis, perderam completamente a forma.Ainda assim, Larissa nunca
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