LOGIN— Vô... Vô, acorda, por favor... Acorda pra mim...As lágrimas embaçavam tudo à sua frente. Larissa abraçou os ombros de Samuel e tentou sacudi-lo de leve, implorando por uma reação. A dor era tão violenta que parecia haver uma mão esmagando seu coração por dentro.Durante todos aqueles dias, fez o possível para não pensar na morte da mãe. Sabia que, se cedesse à culpa, talvez não conseguisse mais se reerguer. E, se desmoronasse, poderia perder até o Grupo Moretti, que tanto lutava para proteger.Por isso continuou trabalhando, enfrentando um problema atrás do outro, obrigando-se a afastar a imagem de Heloísa presa naquele carro em chamas.Mas, durante o sono, não havia como fugir.Dez anos se passaram, e o pesadelo continuava o mesmo.A noite tingida de vermelho pelo incêndio. A fumaça negra subindo em ondas. Sua mãe presa dentro do carro, lutando desesperadamente enquanto o fogo tomava tudo.Até não haver mais movimento.Até restar apenas um corpo carbonizado, diante dos olhos dela e
A esperança de ver Samuel finalmente acordado deixou Larissa num misto de alegria e ansiedade durante todo o trajeto. Chegou ao hospital o mais depressa que pôde e, ao avistar Arthur conversando com o professor Valério diante do quarto, correu até os dois.— Meu avô acordou?A pergunta saiu antes mesmo que recuperasse o fôlego.Desde que Samuel entrou em coma, Larissa vivia entre o medo de perdê-lo e a culpa pelo que aconteceu. Não houve um único dia em que deixasse de desejar vê-lo abrir os olhos. Agora, tão perto daquela possibilidade, mal conseguia controlar o tremor das mãos.Arthur encontrou a esperança estampada no rosto dela, e suas sobrancelhas se contraíram.— Larissa, primeiro, preciso te explicar uma coisa...Ele nem terminou.Bastou aquela expressão para o sangue fugir do rosto de Larissa.— Explicar o quê? — A voz lhe saiu trêmula. — Se for notícia ruim, não me conta. Eu mesma vou entrar e ver.Tentou passar por ele, mas Arthur segurou seu braço e a puxou para um abraço.O
— Tenho certeza de que a Srta. Larissa vai nos surpreender antes dela e dar a Aurimare mais um motivo de orgulho.Larissa sustentou o olhar do vice-prefeito Caetano. O elogio era generoso, mas vinha acompanhado de uma expectativa enorme. Era impossível não sentir o peso daquela responsabilidade.Ainda assim, já não era a menina que se deixava intimidar pela pressão. Hoje, desafios daquela dimensão despertavam nela uma vontade ainda maior de vencer.Sobretudo porque carregava uma dívida com o próprio passado. O sistema que desenvolveu quando criança, ainda cheio de falhas, acabou contribuindo para a morte de sua mãe. Não podia mudar o que aconteceu, mas podia dedicar o talento que lhe restou a criar algo que realmente fizesse a diferença.Ao fim do almoço, Larissa acompanhou Caetano e Álvaro até os carros. Antes que partissem, porém, entregou um presente a cada um.— Soube que o senhor é um grande apreciador de pintura, vice-prefeito Caetano. Recentemente, tive a sorte de adquirir uma o
Pamela ficou atônita. As palavras morreram em sua garganta antes que conseguisse formular uma resposta.Augusto já saiu do quarto. Do corredor, sua voz chegou seca, numa ordem aos funcionários:— Fiquem de olho nela. Não deixem que faça nenhuma loucura.Pamela golpeou a cama com os dois punhos, repetidas vezes, sem parecer sentir a menor dor. O peito subia e descia violentamente sob as ataduras.Larissa!Ela odiava aquela mulher com todas as forças.Podia ter tudo o que sempre quis. Tudo. E agora, por culpa daquela desgraçada, sua vida estava em ruínas!...Enquanto Pamela a culpava por todas as próprias desgraças, Larissa já estava na casa de Alisa.Sabendo que a amiga receberia alta naquele dia, providenciou com antecedência uma cuidadora e uma funcionária para ajudar com as refeições e os afazeres domésticos.Alisa continuava na cadeira de rodas, tomando cuidado para não apoiar o pé machucado. Mas, quando percebeu que Larissa já estava de saída, firmou as mãos nos apoios da cadeira,
Pouco depois, Larissa entrou no carro e passou por Arthur sem lhe conceder um último olhar.Alisa, por outro lado, não deixou de reparar nele. Parado ali, com aquela expressão de marido apaixonado que a mulher acabou de abandonar, Arthur chegava a dar pena.Mas a atitude de Larissa merecia muito mais sua admiração.— Amiga, você tá me surpreendendo cada vez mais!Arthur acompanhou o carro se afastar, sentindo as têmporas latejarem. Levou a mão à testa e massageou a região, tentando aliviar a pressão.Enquanto isso, Augusto chegou ao quarto de Pamela.— Por que aquelas notícias ainda estão na internet? — Ela o recebeu aos gritos. — Você não disse que ia resolver? Estão me xingando de tudo quanto é nome! Afinal, está fazendo alguma coisa ou não?Seu rosto desaparecia sob camadas de gaze, deixando à mostra apenas a boca, as narinas e um par de olhos que transbordavam ódio.— Gael me contou que você está atacando o Grupo Moretti. E então? Como estão as coisas? — Pamela nem esperou a respos
Leandro levou Alisa em direção ao carro, mas ela não parava de olhar para trás.— A gente vai deixar a Lari sozinha com aquele homem? Tem certeza de que ela vai ficar bem?— O Sr. Augusto tem cara de quem come gente no café da manhã, eu sei. Mas não vai fazer nenhuma loucura com a Srta. Larissa.Alisa assentiu. A resposta conseguiu tranquilizá-la um pouco.Enquanto isso, Larissa observava Augusto se aproximar.— Já pensou na minha proposta, Sr. Augusto?— Tanta pressa por quê? — Ele parou diante dela. O terno preto, feito sob medida, acompanhava a largura de seus ombros, e uma corrente metálica reluzia discretamente junto ao pescoço. — Está com medo de não conseguir segurar o Grupo Moretti?Larissa deixou os lábios se curvarem, mas o sorriso não chegou aos olhos.— Estou preocupada é com o estrago. Quando dois lados resolvem se destruir, ninguém sai inteiro.Não havia nada de frágil naquela mulher diante dele. Larissa sustentava seu olhar com a mesma firmeza com que acabava de lhe faze
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol







