* MarcosA playlist continuava baixa. Em determinada música ela parou de só escutar. Começou a cantarolar. Depois cantou de verdade, ainda envergonhada, a voz baixa e um pouco desafinada no refrão. Eu fiquei olhando. Não disfarcei.— Continua — pedi.Ela revirou os olhos, mas continuou. Cantou a música inteira. No final riu de si mesma e escondeu o rosto no meu ombro.— Está horrível.— Está perfeito.Eu levantei, estendi a mão e a puxei para ficar de pé. A manta caiu no chão. Passei o braço pela cintura dela e comecei a balançar devagar, sem coreografia, só acompanhando a música. Ela encostou a cabeça no meu peito e cantou a próxima baixo, quase só para mim. A voz vibrava contra a minha roupa.Eu estava apaixonado de um jeito que doía no peito.Apaixonado pelo jeito que ela cantava errado e não pedia desculpa. Apaixonado pelo peso da cabeça dela no meu peito. Apaixonado pelo fato de que aquela mulher, que tinha sobrevivido sozinha a tanta coisa, agora escolhia ficar ali, descalça, da
Zuletzt aktualisiert : 2026-09-16 Mehr lesen