POV: AuroraO relógio da cozinha marcava onze e quarenta e sete quando Aurora Valente entendeu que o silêncio do pai não era distração nem atraso. Rafael podia esquecer aniversários, promessas e até o nome de um homem a quem devia dinheiro, mas nunca deixava o café esfriar na xícara de porcelana azul. Naquela noite, a xícara permanecia cheia sobre a mesa, o telefone dele estava desligado e a porta do escritório tinha sido arrombada por dentro.Aurora caminhou entre papéis espalhados e gavetas vazias, tentando conter a respiração. Havia uma mancha escura no tapete, mas era vinho, não sangue. O cofre atrás do quadro estava aberto. Dentro dele, restavam um passaporte vencido, uma fotografia de sua mãe e um envelope com o nome dela.O bilhete tinha apenas duas linhas: “Não confie em ninguém que use o corvo. Se Ghost vier, diga que eu tentei impedir.”Ela releu até ouvir os motores.Não foi o ruído disperso de motos cruzando a avenida. Era um trovão organizado, grave e crescente, que fez o
Last Updated : 2026-07-05 Read more