A noite inteira passou como um borrão de escuridão e metal frio. Mariana não conseguira pregar o olho. Passara horas tateando as paredes do porão, os dedos percorrendo cada fenda, cada parafuso, cada centímetro de concreto úmido. Nada. A porta era maciça, sem fechadura visível do lado de dentro. A única luz vinha de uma fresta estreita perto do teto, por onde a claridade cinzenta do dia seguinte começava a se infiltrar.Ninguém aparecera desde que as trancaram. Nenhuma voz, nenhum passo, nenhuma explicação. Apenas o silêncio pesado e o cheiro de mofo e terra batida.Mariana estava sentada no chão, as costas apoiadas na parede de tijolos, quando ouviu o gemido. Baixo, abafado, mas inconfundível.— Cecília?Silêncio. Depois outro gemido, mais longo.— Cecília, você está bem?— Não — a voz saiu rouca, trêmula. — Não estou.Mariana se levantou com dificuldade, as pernas dormentes, e caminhou até o canto onde Cecília estava sentada sobre uma manta fina que encontraram jogada no chão. Ela e
Última actualización : 2026-10-13 Leer más