Na minha rua tem um boteco que vende 'PF de domingo' desde os anos 80. O dono, Seu João, insiste em manter o preço acessível: R$25 com sobremesa e café. É incrível ver a fila que forma – desde idosos até jovens hipsters que descobriram o lugar pelo Instagram. Eles mantêm o cardápio tradicional: bife acebolado, ovo estalado, banana frita... Uma vez perguntei por que não inovavam, e ele respondeu: 'Gente, domingo é dia de conforto, não de novidade.' Concordo plenamente.
Quando era criança, odiava almoços de domingo porque achava chato ficar horas à mesa. Hoje, entendo o valor. Trabalho em home office e passo a semana comendo rápido, mas no domingo faço questão de preparar algo especial, mesmo que simples. Um omelete com queijo mineiro e pão de queijo já vira um banquete quando acompanhado de um café fresquinho. Percebi que não é sobre a complexidade do prato, mas sobre dedicar tempo para apreciar a comida e o momento.
Cresci em uma família onde o almoço de domingo era quase um ritual sagrado. Minha mãe acordava cedo para preparar o feijão, enquanto meu pai cuidava da carne – geralmente uma peça suculenta assada ou um frango bem temperado. A mesa sempre tinha arroz branco, farofa crocante, batata palha e uma salada fresca. O cheiro tomava conta da casa e atraía até os vizinhos. Era mais que comida; era o momento em que todos paravam para conversar, rir e até discutir futebol. Até hoje, quando visito meus pais, esse almoço me traz uma sensação de lar que nada substitui.
E não é só na minha família. Vejo amigos postando fotos de suas mesas cheias no domingo, com pratos que variam de acordo com a região: no Nordeste, tem o baião de dois; no Sul, o churrasco é rei. É uma tradição que une o país, mesmo com suas diferenças.
Moro em um prédio antigo no centro de São Paulo, e os domingos aqui têm um cheiro característico: é o aroma do almoço subindo pelos andares. Cada família tem seu jeito, mas o padrão é arroz, feijão, carne e salada. Meus vizinhos de baixo fazem um strogonoff incrível; já os do lado preferem uma macarronada caseira. Acho fascinante como essa refeição vira um ponto de encontro até para quem mora sozinho – muitos pedem marmita de restaurantes locais que só abrem aos domingos para servir pratos especiais. É como se a cidade toda respirasse mais devagar nesse dia.
Meu avô sempre dizia que domingo sem almoço completo não era domingo de verdade. Na nossa casa, era uma festa: panelas enormes de feijoada, couve refogada no alho e laranjas para cortar a gordura. A sobremesa era canja de galinha, mas não aquela simples – levava cenoura, mandioca e até um pouco de gengibre para dar um toque especial. O que mais me marcava era a paciência dele explicando como cada prato tinha história, desde os tempos dos escravos até as adaptações modernas. Hoje, quando faço uma feijoada em casa, sempre coloco uma laranja no prato em homenagem a ele.
2026-07-17 11:39:54
4
View All Answers
Scan code to download App
Related Books
A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou
Caçador de Flores
7.2
31.7K
Minha esposa, uma "santa" devota, impunha uma castidade rígida, sendo que a intimidade só era permitida no dia 16 de cada mês. Por cinco anos, aceitei cada regra fria por amor, crente na sua pureza. Mas a ilusão ardeu junto com o hotel que fui socorrer. Em meio às chamas, encontrei minha esposa não rezando, mas nos braços de outro homem, protegendo uma criança que escondiam de mim.
Em um dia, eu era a garota gorda e indesejada, rejeitada pelo filho do Beta. No minuto seguinte, o próprio filho do Alfa apareceu... e me reivindicou.
Eu não sabia por que Osborne veio atrás de mim quando eu estava no meu momento mais sombrio. Mas logo aprendi uma coisa, ele não quer apenas o meu corpo. Ele quer tudo de mim.
Ele diz que sou sua companheira. Mas a forma como ele me toca, me segura, me respira... Isso não é apenas o destino. É uma obsessão, crua, selvagem e consumidora.
E a parte mais louca? Eu acho que quero ser consumida.
Fui à casa do meu chefe para trabalhar como ama de leite do filho dele, mas um acidente constrangedor deixou minha blusa completamente manchada.
Tentei resolver tudo às pressas, só que a situação saiu ainda mais do controle. Quanto mais eu me esforçava para me recompor, mais difícil ficava ignorar o peso do olhar dele sobre mim.
E, sob aquele olhar ardente, meu corpo reagiu de um jeito vergonhoso.
Mais tarde, no banheiro, eu já estava sem forças, tentando lidar sozinha com aquele desejo que só crescia e se tornava quase insuportável, quando meu chefe apareceu diante de mim e segurou minha maciez entre as mãos.
— O bebê não deu conta de tudo. Então o papai aqui cuida do resto.
Depois de dizer isso, ele se inclinou e envolveu a ponta do meu seio com a boca.
Depois de ser usada como banco de sangue pela amante do meu marido, eu morri de doença em um apartamento alugado que ele, um bilionário, me ofereceu por caridade.
Hoje era o terceiro dia desde a minha morte, e meu filho de seis anos finalmente percebeu que algo estava errado.
Ele se cortou com um brinquedo, mas eu não o consolei.
Ele abriu um biscoito e tentou colocá-lo em minha boca, mas eu não o impedi.
Ele se deitou em meus braços, agarrando minhas roupas e sussurrando "mamãe", mas eu não respondi.
Sem saber o que fazer, ele encontrou meu celular e ligou para o pai bilionário.
— Papai, por que a mamãe ainda está dormindo?
O homem respondeu enviando uma foto dele e de sua amante em uma farta ceia de Véspera de Natal, e disse com frieza:
— Ela está apenas dormindo, não está morta. Hoje é Véspera de Natal, estou muito ocupado. Diga a essa sua mãe que só venha me procurar quando estiver disposta a admitir seu erro.
A ligação foi encerrada, e Mateus ficou parado por um longo tempo.
Ele pegou o último biscoito da casa que estava no lixo, partiu-o em dois e ofereceu um pedaço à minha boca.
— Mamãe, vamos comer também.
Eu estava grávida de três meses quando o meu marido me mandou beber no lugar da assistente dele.
— A Mariana Mello é uma moça ingênua, sem experiência de vida, frágil, e não sabe beber. Que mal há em você ajudá-la um pouco? — Ele disse.
Eu estava prestes a dizer que já estava bêbada, mas Samuel Reis me empurrou à força uma jarra de bebida nas mãos:
— Eu sei qual é o seu limite. Para de frescura. Você vai beber tudo isso!
Enquanto falava, ele ainda bajulava os clientes à mesa:
— A minha esposa, na época, enfrentava o campo de batalha do mundo dos negócios sozinha. O que a sustentava era essa capacidade de beber sem cair. Podem beber com ela à vontade. Encham os copos dela!
Num instante, os meus ouvidos ficaram cheios de risadinhas maldosas, e, diante de mim, Mariana se encolheu atrás do meu marido, soluçando baixinho:
— Chefe, isso está me assustando. Eu só quero ir para casa.
Antes que eu dissesse qualquer coisa, Samuel, com cuidado, levou-a embora primeiro e deixou-me sozinha ali, em frente a um grupo de homens embriagados.
Eu soltei um riso amargo e bebi todo o conteúdo do copo de uma só vez.
Anos de silêncio e de engolir tudo calada só me trouxeram humilhação.
Eu já não tinha mais vontade de manter este casamento.
Meu marido Alfa, Ryder, sempre detestou o som de um filhote a chorar.
Mas, recentemente, ele começou a cuidar do filhote recém-nascido da minha irmã adotiva, ficando ao lado dele no berçário todas as noites até o amanhecer.
Toda vez que Ryder saía do nosso quarto para o berçário, uma dor forte e inexplicável perfurava meu peito.
Essa agonia durava a noite inteira, até o amanhecer, quando ele voltava.
Eu finalmente tinha chegado ao meu limite.
No Festival da Lua Cheia, anunciei na frente de toda a alcateia que estava rejeitando nosso Laço de Companheiro.
A conexão mental da alcateia explodiu em sussurros de que a batalha havia danificado minha mente.
Uma luz dourada acendeu nos olhos de Ryder enquanto ele me encarava, descrente.
— Por eu estar ocupado demais para verificar se você estava bem quando se feriu, você está rejeitando nosso laço por causa de um filhote de seis meses?
Eu não o encarei. Em vez disso, meu olhar se demorou na leve marca de batom borrada dentro da gola dele.
Minha voz tremeu, mas não vacilou.
— Já que você ama tanto o filhote dela, assim que nosso laço for rompido, você poderá ser abertamente o pai.