Quando peguei 'O Nonagésimo Nono Adeus' pela primeira vez, a capa já me sugeria algo sobre ciclos e despedidas. A história gira em torno de um personagem que, após perder alguém importante, começa a contar cada despedida como um ritual de cura. O título refere-se ao momento em que ele finalmente consegue se libertar do luto, no seu 99º adeus.
Achei fascinante como o autor transforma algo tão doloroso em uma jornada quase poética. Cada adeus representa uma pequena vitória, uma forma de reconhecer a dor sem deixar que ela defina quem você é. O 99º não é o fim, mas sim um recomeço.
Uma amiga me recomendou essa obra dizendo que o título era a chave para entender toda a trama. E ela estava certa! A autora constrói uma metáfora linda sobre como processamos a ausência. Cada capítulo corresponde a um adeus diferente, com objetos, músicas ou até cheiros servindo como âncoras para memórias.
O nonagésimo nono não é o último, mas é o mais importante. Representa o instante em que a saudade vira ternura, quando você para de contar porque aprendeu a viver com o vazio. Fiquei impressionado com como algo tão simples - um número - pode carregar tanta emoção.
Meu coração acelerou quando entendi o simbolismo por trás desse título. O número nove tem um peso cultural enorme, associado a completude e transformação. Multiplicado por onze, ele reforça a ideia de um processo longo e repetitivo, mas necessário. A protagonista vive esses adeuses como etapas de um luto que ela precisa atravessar, não ignorar.
O que mais me pegou foi a forma como o livro mostra que algumas despedidas não são sobre esquecer, mas sobre aprender a conviver com a ausência. O 99º adeus é quando ela finalmente consegue sorrir ao lembrar, sem chorar.
Li esse livro numa tarde chuvosa, e o título ficou ecoando na minha cabeça depois que fechei a última página. A narrativa joga com a ideia de que certas perdas exigem mais do que um simples 'tchau'. O protagonista precisa se despedir simbolicamente inúmeras vezes antes de seguir em frente - seja queimando cartas, revisitando lugares ou até conversando com memórias.
O nonagésimo nono adeus funciona como um limiar psicológico. É quando ele percebe que não está mais contando, que a dor virou parte da história dele, mas não governa mais seus dias. A beleza está justamente nessa imperfeição: não são cem adeuses, porque o amor nunca some completamente.
2026-06-11 03:57:00
11
View All Answers
Scan code to download App
Related Books
Você e Eu, o Adeus Final
Tiny
6
2.7K
No dia em que a família de Miguel Borges faliu, ele deixou uma carta de despedida e foi sozinho para as montanhas nevadas com a intenção de se suicidar.
Eu corri atrás dele sem pensar em mais nada e passei dez horas procurando por ele na neve.
Quando meu coração já estava em frangalhos, vi a secretária dele fazendo uma transmissão ao vivo no Instagram do pedido de casamento.
Os amigos dele zombavam nos comentários: [Você vai virar noivo, não tem medo de a sua mulher ficar brava?]
A resposta dele foi extremamente fria: [Eu só prometi a ela o título de esposa. O resto, nem pense em querer.]
[Ela entrou na família trazendo cem milhões de dólares em investimento. Vai engolir esse desaforo assim mesmo?]
Foi como se eu visse Miguel, do outro lado da tela, soltando um riso de desdém ao responder: [Cem milhões de dólares em troca do status de esposa, ela não sai perdendo. Se não fosse por ela, a Luana não teria sido forçada a ir para o exterior. Esses últimos dias são a minha compensação para a Luana.]
Minhas unhas cravaram na carne. Queimei tudo o que dizia respeito a ele.
No dia do casamento, ele enlouqueceu me procurando por toda parte.
Mas, no salão de festas do outro lado da avenida, eu acabava de colocar no dedo o anel de diamante que outro homem havia me dado.
Ele não sabia que, enquanto contava os dias para o fim do nosso relacionamento, eu também me preparava para me casar com outra pessoa.
Meu companheiro prometido, August Sterling, se apaixonou pela minha irmã, Anna Morgart.
No entanto, era para eu ser a companheira destinada dele.
Mesmo assim, ele não sentia nada por mim. Repetidas vezes, adiava o nosso ritual de acasalamento.
Por causa desses adiamentos, o vínculo de companheiros destruía o meu corpo com uma agonia insuportável.
Ainda assim, August virava as costas para mim. Seus olhos só se fixavam no menor corte na mão de Anna.
Na nonagésima nona cerimônia marcada, August me abandonou de novo por causa dela.
Ele apenas disse:
— Anna está de mau humor hoje. Preciso levá-la ao parque de diversões para animá-la. O ritual pode esperar até a semana que vem.
Enquanto August ia embora, eu cerrei os dentes e forcei meu corpo a conter o caos que fervia dentro de mim.
August ainda tinha uma última chance.
A Deusa da Lua prometeu que, se pela centésima vez August decidisse adiar a cerimônia, eu receberia o direito de escolher romper o vínculo de companheiros.
Susana Costa amou Nathan Ribeiro em silêncio por cinco longos anos. Por ele, escolheu permanecer em uma cidade que ficava a milhares de quilômetros de sua terra natal, longe de tudo o que conhecia. Quando a noiva de Nathan fugiu, abandonando-o no cerimônia do noivado, foi Susana quem, sem hesitar, deu um passo à frente e aceitou o anel, consciente de que aquele gesto selava um destino doloroso, o de que Nathan jamais a amaria.
No dia do casamento, bastou Bianca Santos sussurrar que estava com "dores no coração" para que Nathan abandonasse sua esposa recém-casada, virando as costas e correndo desesperado para os braços de outra mulher. Todos riam de Susana. Riam e diziam que ela era como uma trepadeira parasita, incapaz de sobreviver sem a árvore robusta que era Nathan; zombavam de sua humildade excessiva e de sua insistência cega.
Até mesmo Susana, por muito tempo, acreditou nessa mentira. No entanto, qualquer amor, por mais profundo que seja, tem um limite. Ser ignorada, negligenciada e colocada repetidamente em segundo plano drena a alma, gota a gota, até secar. E quando Nathan finalmente decidiu olhar para trás, a garota que um dia usou todo o seu amor para permanecer ao seu lado já havia partido, dissolvendo-se no vento, para nunca mais voltar.
Gustavo e Anabela viviam em constante conflito desde a infância, transformando qualquer encontro em motivo de briga.
Naquele ano, entre todas as famílias tradicionais do círculo social, apenas eles dois restavam como candidatos adequados para um casamento arranjado.
Gustavo jurou que jamais se casaria com Anabela, nem que a morte o levasse antes.
Despertando súbito interesse pela provocação, Anabela sorriu e declarou:
— Então o casamento está decidido. Agora só você precisa morrer logo.
No dia da cerimônia, Gustavo espalhou dezenas de galinhas pelo local, determinado a humilhá-la perante todos os convidados.
Ela manteve a expressão impassível, pegou uma das aves e começou a chamá-la de marido.
A vontade de Gustavo de continuar provocando-a desapareceu por completo.
Observando Anabela, que insistia em se casar com ele apesar de tudo, Gustavo sussurrou com desprezo:
— Você vai se arrepender.
Três anos depois, Anabela flagrou Gustavo traindo pela nonagésima nona vez. Só então ela compreendeu o verdadeiro significado das palavras dele sobre arrependimento.
Dos dez aos dezoito anos, meus pais me obrigaram a escrever duzentas e noventa e nove dívidas.
Cada centavo que eu pedia a eles era considerado um empréstimo — algo que eu teria que pagar quando me tornasse adulta.
Até que sofri um acidente de carro... Na hora de pagar a cirurgia, ainda me faltavam três mil no cartão.
Sem saída, fui implorar ajuda aos meus pais.
Mas eles apenas sorriram friamente:
— Júlia Monforte, você já tem dezoito anos. Não temos mais obrigação nenhuma com você. Escreva uma nova dívida!
Com lágrimas nos olhos, escrevi minha tricentésima dívida.
Após a cirurgia, abri o Instagram e me deparei com uma publicação da minha irmã adotiva.
Na foto, ela estava em um cruzeiro internacional, celebrando seu aniversário de dezoito anos como uma princesa, cercada de gente a bajulando.
O presente dos meus pais para ela? Um apartamento de alto padrão no centro de São Paulo... e a chave de um Maserati.
Até meu amigo de infância... olhava para ela com olhos cheios de amor.
Ela agradecia: "Obrigada às pessoas que eu mais amo, por me darem o melhor que eu poderia ter."
E eu, segurando aquela dívida toda amassada nas mãos, simplesmente sorri.
Depois que eu quitar essa dívida... uma coisa é certa — não preciso mais de uma família assim.
Estou prestes a firmar um vínculo de sangue com outro lorde vampiro.
Mas meu parceiro de um século, Kaelan, não faz ideia.
Ele está ocupado demais se aproximando da nova assistente humana dele, Sylvia.
Eles passam noites inteiras no escritório, sob o pretexto de "pesquisar sangue sintético".
Ele até transformou o nosso aniversário de cem anos na festa de aniversário dela.
Diante de todos, Kaelan apresentou a ela um bolo Floresta Negra decorado com Sinos de Prata.
Eles riam, passando glacê um no outro. Até esqueceram que aquelas flores são um veneno mortal para mim.
Meu poder se despedaçou. A agonia me rasgou por dentro enquanto sombras se agitavam, incontroláveis. Os guardas da minha família tiveram que arrastar meu corpo convulsionando para longe. E, enquanto eu me recuperava sozinha no caixão frio e escuro, Kaelan ainda estava na festa, se banhando nos aplausos para ele e Sylvia.
O sangue em minhas veias virou gelo. Um século de amor e esperanças virou cinzas.
Naquele momento, eu aceitei o acordo da minha família. Sem hesitar.
Uma união com o lorde do Trono de Obsidiana — um vampiro que dizem ser a própria encarnação do poder.
O Nonagésimo Nono Adeus' me pegou de surpresa com sua profundidade emocional. A história gira em torno da ideia de que despedidas não são finais, mas transformações. Cada 'adeus' no livro é uma camada que se descasca, revelando como o amor e a dor podem coexistir de formas inesperadas. A protagonista, com sua jornada de perdas aparentemente intermináveis, acaba descobrindo que o ato de deixar ir pode ser também um jeito de reencontrar a si mesma.
O que mais me marcou foi a forma como o autor constrói a metáfora do rio - sempre fluindo, mas nunca o mesmo. Isso reflete perfeitamente o ciclo de despedidas e recomeços que permeia a narrativa. No final, fica a sensação de que saudade é só amor sem lugar pra ir, e que talvez noventa e nove adeuses sejam necessários para aprendermos a valorizar o centésimo encontro.
O protagonista de 'O Nonagésimo Nono Adeus' é o Gabriel, um jovem que lida com a perda de forma única: ele escreve cartas para a pessoa que partiu, como um ritual de despedida. A cada carta, ele revisita memórias e sentimentos, quase como se estivesse conversando com ela. A narrativa acompanha sua jornada emocional, misturando passado e presente de maneira poética.
Outro personagem central é a Sofia, a irmã do Gabriel, que tenta ajudá-lo a superar o luto enquanto enfrenta seus próprios conflitos. A relação entre os dois é cheia de nuances — ela é prática, ele é sonhador, e essa dinâmica cria cenas tocantes. Há também a figura da avó, Dona Isaura, cujas histórias e sabedoria ancestral oferecem um contraponto delicado à dor dos netos.
Imerso nas páginas de 'Adeus', de Aluísio Azevedo, encontramos uma crítica social afiada disfarçada em um enlace amoroso. O livro narra a história de Eulália, uma jovem que enfrenta as convenções da época ao se apaixonar por um homem casado, desafiando a moralidade hipócrita do século XIX. Azevedo, mestre do naturalismo, usa essa trama para expor as contradições da sociedade brasileira, onde valores como honra e família muitas vezes escondem corrupção e falsidade.
Eulália não é apenas uma protagonista; ela é um símbolo da mulher oprimida pelo sistema. Seu 'adeus' ao amante reflete não só a despedida de um amor proibido, mas também o luto pela liberdade que nunca teve. Azevedo constrói cenários vívidos—salões aristocráticos, ruas sujas do Rio de Janeiro—que contrastam com a pureza dos sentimentos da personagem. A linguagem é crua em alguns momentos, deliberadamente, para mostrar a realidade sem filtros. Ler essa obra é como abrir um retrato do Brasil antigo, onde os dilemas humanos continuam surpreendentemente atuais.