로그인Duas semanas se passaram como um sopro. Foram dias preenchidos pelo luto silencioso, pela presença constante de Grego e pelos cuidados com Felícia, que, com sua inocência, parecia encontrar sempre uma maneira de me arrancar um sorriso, mesmo quando eu acreditava não ter forças para isso. A dor aguda da perda começava a se transformar em uma saudade constante, uma presença invisível que me acompanhava pelos corredores da mansão. Às vezes, enquanto preparava o café da manhã de Felícia, lembrava-me da minha mãe na cozinha de nossa antiga casa. Em outras ocasiões, bastava sentir o cheiro de um bolo recém-assado para que meu coração apertasse, trazendo de volta as tardes em que nós duas conversávamos enquanto ela preparava alguma receita simples. Ainda havia momentos em que as lágrimas vinham sem aviso, mas eu começava a compreender que não precisava me sentir culpada quando conseguia sorrir. Minha mãe sempre quis que eu fosse feliz. Gostaria de acreditar que, onde quer que estivesse,
POV: Marilua Assim que chegamos à mansão, solto a mão de Grego e agradeço baixinho por ele ter me acompanhado até ali. Não tenho forças para conversar, muito menos para explicar o turbilhão de sentimentos que carrego no peito. Tudo o que desejo é encontrar um lugar onde possa me recolher e tentar descansar, mesmo sabendo que o sono talvez não venha. — Quer comer alguma coisa, Lua? — Grego pergunta, observando meu rosto com preocupação. Balanço a cabeça negativamente. — Não, obrigada. Só quero deitar um pouco. Ele parece querer dizer alguma coisa, mas acaba respeitando meu silêncio. Seus dedos acariciam delicadamente meu braço antes que eu me afaste em direção à escada. — Se precisar de mim, estarei aqui. Concordo com um movimento discreto da cabeça e continuo andando. Cada degrau parece exigir um esforço desproporcional. Meu corpo está exausto, meus olhos ardem e sinto uma pressão incômoda no peito, como se ainda estivesse diante daquela sepultura, observando a terra cobrir o
Meus dedos tocam o rosto de Grego, acariciando sua pele molhada pela chuva. A barba por fazer arranha suavemente minhas pontas dos dedos, e um sorriso pequeno, quase imperceptível, surge em meus lábios. — Você não precisava ter feito tudo isso por mim — murmuro. — Eu sei. — Mesmo assim, fez. — Porque amo você, Marilua. Meu coração aperta. Durante dias, pensei que não teria espaço dentro de mim para mais nada além da saudade. Acreditei que qualquer sentimento diferente da dor seria uma espécie de traição à memória da minha mãe. Mas, olhando para Grego, compreendo que amar alguém não significa esquecer quem perdemos. O amor não apaga a ausência. Apenas nos oferece uma mão quando a saudade parece insuportável. Seguro o rosto dele entre minhas mãos, respirando fundo enquanto tento encontrar coragem para pronunciar as palavras que ficaram presas dentro de mim desde sua declaração. — Eu te amo, Grego. Ele permanece imóvel por um breve instante. Seus olhos verdes se arregalam dis
Máximo chega à mansão na manhã do funeral.Encontro-o na sala enquanto Nina organiza algumas coisas para Felícia. Ele está com os cabelos negros impecavelmente alinhados, como sempre, mas sua expressão descontraída desaparece assim que me vê.— Marilua...Não consigo responder de imediato.Ele se aproxima e me abraça com cuidado, como se tivesse receio de me machucar.— Sinto muito pela sua mãe — murmura. — Se precisar de alguma coisa, pode contar comigo.— Obrigada, Máximo.Afasto-me um pouco, tentando conter as lágrimas que ameaçam voltar.Ele não faz perguntas. Apenas aperta meu ombro e me oferece um sorriso triste.Grego aparece logo depois, trazendo o casaco que deixei sobre o sofá.— Está frio lá fora. Vista este aqui.— Eu trouxe o meu — respondo, apontando para a bolsa.— Eu sei. Mas o seu é mais fino.Ele me ajuda a vestir o casaco antes que eu consiga protestar. O gesto é simples, quase automático, mas Máximo acompanha cada movimento com atenção.Seus olhos passam de Grego p
Meus dedos percorrem lentamente o contorno do rosto de Grego, acariciando sua pele com uma ternura que, até pouco tempo atrás, eu não teria coragem de demonstrar. A barba por fazer arranha de leve minhas pontas dos dedos, mas é a suavidade do olhar dele que mais me comove. Há tanto cuidado na maneira como me observa, tanta preocupação em cada gesto, que um pequeno sorriso triste acaba surgindo nos meus lábios. Desde que minha mãe morreu, sinto como se alguém tivesse arrancado uma parte de mim. Continuo respirando, caminhando e respondendo às pessoas quando falam comigo, mas, por dentro, parece que estou perdida em um lugar do qual não sei como sair. E, mesmo assim, Grego permanece aqui. Não tenta me obrigar a conversar, não exige que eu seja forte e tampouco me pede que pare de chorar. Ele simplesmente fica ao meu lado, como se compreendesse que, naquele momento, sua presença vale mais do que qualquer palavra. Depois de sua declaração de amor, ainda não encontrei coragem para resp
O silêncio da cozinha se adensa, quebrado apenas pelo tilintar suave da colher contra a porcelana. O chá de camomila, antes reconfortante, agora parece amargo na minha boca. A senhora Martha permanece sentada diante de mim, observando-me com aquele olhar bondoso, cheio de compaixão. Sei que gostaria de dizer alguma coisa capaz de aliviar minha dor, mas não existem palavras que possam preencher o vazio deixado pela minha mãe. E eu já não tenho forças para conversar. Preciso ficar sozinha. Quero me recolher no meu próprio mundo, mesmo que esse mundo tenha se transformado em um lugar escuro, cheio de lembranças e perguntas sem respostas. — Dona Martha, a senhora pode me deixar sozinha, por favor? — peço, com a voz trêmula. Ela hesita por um instante, olhando para minhas mãos, que continuam envolvendo a xícara. — Claro, minha querida. Qualquer coisa, me chame. Estarei aqui ao lado, como sempre. Forço um pequeno sorriso, embora meus lábios mal consigam se mover. — Obrigada por tudo







