แชร์

Capítulo 7

ผู้เขียน: Caçador de Flores
Ao notar o terror remanescente no olhar de Nanda, tive a certeza de que a coragem para morrer havia se dissipado por hoje, o que me fez soltar um suspiro de alívio. No entanto, a teimosia daquela mulher parecia inabalável, pois ela se recusava a dar o braço a torcer.

— Pois eu vou morrer mesmo assim! — Retrucou ela, erguendo o queixo em um gesto de desafio infantil. — Assim que você sair por essa porta, pulo daqui.

Arqueei as sobrancelhas diante daquela ameaça vazia e respondi sem hesitar, com um tom carregado de sarcasmo prático:

— Pular? Fique à vontade, isso já não é da minha conta. Só tem um detalhe, a altura deste andar é insuficiente. Imagine o cenário trágico onde você se joga, não morre e acaba tetraplégica numa cama pelo resto da vida. Tenho uma sugestão mais eficiente. Sugiro que você desça, compre um saco plástico resistente, suba até o terraço, prenda o saco na cabeça bem firme e só então se jogue. Garanto que assim o serviço fica completo e você morre de verdade.

— Você é inacreditável! — Gritou Nanda, trêmula de raiva, com o rosto corado de indignação, mas a curiosidade mórbida a traiu. — E para que diabos serve o saco plástico na cabeça?

— Para facilitar a vida da limpeza urbana e não dar trabalho aos garis. — Expliquei com uma frieza calculada. — Assim, quando você se esborrachar lá embaixo, seus miolos ficam contidos no saco em vez de espalhados pelo asfalto para os outros limparem.

— Gustavo, você não é humano! — Exclamou ela, fechando os olhos com força, horrorizada com a imagem gráfica que descrevi, e desatou a me xingar.

A reação visceral dela me confirmou o que eu precisava saber, pois mostrava que o instinto de sobrevivência falava mais alto do que o desejo de morte. Com a consciência tranquila, estendi a mão em sua direção.

— Chega de drama. Devolva meus documentos, preciso ir embora. Pode começar a se arrumar para o seu grande salto.

Nanda recuou, balançando a cabeça negativamente, com uma expressão de fúria misturada a vergonha.

— Não devolvo! Quem você pensa que é para ditar como devo morrer? E depois de ter visto... tudo o que viu, não pense que vai sair daqui impune.

— Não tenho tempo para suas birras, garota. Faça o favor de morrer logo, tenho vidas reais para salvar. — Disparei, impaciente.

Aproveitando um momento de distração dela, avancei e arranquei minha carteira de suas mãos num movimento rápido. Sem esperar por uma réplica, virei as costas e caminhei a passos largos em direção à saída, ignorando os protestos que ecoavam atrás de mim. Embora tivesse salvado sua vida, a arrogância daquela menina mimada minava qualquer simpatia que eu pudesse nutrir por ela.

— Volte aqui! — Berrou ela, a voz embargada de frustração. — Gustavo, não vou esquecer isso! Você vai me pagar!

Fingi não ouvir e deixei o quarto, levando minha bagagem comigo. O que eu não sabia, contudo, era que naquele breve embate físico pela carteira, algo havia ficado para trás. Sozinha no quarto, Nanda abriu a mão que mantivera fechada, revelando a pequena foto 3x4 que ela conseguira subtrair do meu documento.

Ela encarou a imagem do meu rosto sério e um sorriso enigmático, quase perverso, curvou seus lábios.

— Olhando bem, até que ele é bonito... — Murmurou ela para si, guardando o retrato como um troféu. — Equipe 2 de Bombeiros, Gustavo. Gravei seu nome. Você não vai fugir de mim.

Enquanto eu deixava o hotel, alheio ao fato de que acabara de me tornar o alvo da obsessão de alguém, minha mente já estava focada na missão. Corri para o batalhão e, ao chegar, o capitão me recebeu com uma expressão de surpresa ao notar a mala em minha mão.

— Gustavo? Por que trouxe a bagagem? — Indagou ele, franzindo o cenho.

A estranheza dele era justificada. Bombeiros em missões de alto risco, como incêndios florestais, raramente levam pertences pessoais; usamos o mesmo uniforme de combate da partida até o retorno, ou até a morte. Não havia necessidade de malas onde estávamos indo.

— Deixei tudo organizado em casa. — Menti, forçando um tom casual para esconder a dor. — Não queria que minha esposa sofresse vendo minhas roupas espalhadas caso eu não volte.

Preferi aquela desculpa a ter que explicar que meu casamento com Ariana havia se desintegrado e que aquela mala continha tudo o que me restava.

— Ora, Gustavo... não fale como se fosse uma despedida definitiva. — Suspirou o capitão, com um olhar compadecido. — Mas a situação mudou. Acabamos de receber o comunicado de que o equipamento pesado foi transportado por via aérea e, graças a uma chuva torrencial inesperada, o fogo foi controlado. Nossa equipe vai apenas para o rescaldo e apoio logístico. Você não precisa ir se não quiser.

— Eu vou, capitão. Estou pronto. — Respondi de imediato.

Eu já havia me despedido de Ariana em minha mente; estava preparado para o fim.

— Tem certeza? — Insistiu ele, hesitante. Ele sabia que eu não tinha filhos, mas a ideia de enviar um homem para longe da família sem necessidade extrema o incomodava. — O trabalho lá agora é basicamente limpeza e estatística.

— Faço questão. Mais um par de braços sempre ajuda. — Reforcei, tentando demonstrar entusiasmo.

Por dentro, senti uma dualidade estranha. Fiquei aliviado por saber que não haveria mais vítimas fatais, mas a chama de esperança de um fim heroico para minha própria dor se apagou. Voltar para casa e encarar o vazio deixado por Ariana era um cenário pior do que o fogo. Então, insisti em partir.

Quando chegamos à região da serra, o cenário era desolador. Embora as chamas estivessem extintas, a terra negra e fumegante contava a história da tragédia. Mergulhei no trabalho braçal, usando a exaustão física para silenciar os pensamentos.

Passei os dias seguintes acampado na encosta, vivendo em condições precárias. Não estive na linha de frente do combate, mas vi o preço que ela cobrou. Corpos de bombeiros e voluntários eram trazidos da mata, muitos irreconhecíveis, carbonizados pelo calor infernal que varrera a região dias antes.

Acompanhei cenas que partiriam o coração mais duro, cenas que incluíam esposas abraçadas aos filhos e pais idosos desmaiando de dor ao reconhecerem os restos mortais de seus filhos. A atmosfera era pesada, impregnada de luto e cheiro de cinzas.

Diante daquela dor coletiva, senti uma inveja amarga. Aqueles homens morreram, mas deixaram pessoas que os amavam, que choravam por eles e sentiam sua falta. E eu? Durante todos aqueles dias no inferno, meu celular permaneceu mudo. Nenhuma ligação de Ariana. Nenhuma mensagem perguntando se eu estava vivo.

Se eu estivesse naquele saco preto, talvez fosse melhor. Pelo menos devolveria aqueles homens às suas famílias que os valorizavam. Para a mulher com quem dividi minha vida, eu não passava de um detalhe insignificante, uma sombra na casa.

...

Enquanto isso, na cidade, a rotina de Ariana seguia inalterada.

Ao sair de uma longa reunião no Grupo Freitas, ela sentiu uma pontada súbita no peito, uma palpitação dolorosa que a fez parar e levar a mão ao coração. Seu assistente, percebendo o desconforto, aproximou-se rapidamente.

— Sra. Ariana, a senhora está pálida. Quer que eu cancele a agenda da tarde para que possa descansar?

— Não é necessário, estou bem. — Respondeu Ariana, recuperando a postura rígida de sempre.

Um pensamento intrusivo a fez pegar o celular. A tela estava vazia. Nenhuma notificação de Gustavo. Franziu a testa, incomodada não pela preocupação, mas pelo silêncio atípico dele.

— O Gustavo tem dado trabalho esses dias? O hotel entrou em contato? — Perguntou ela ao assistente, com o tom de quem pergunta sobre um funcionário problemático, e não sobre o marido.

— Não, senhora. Nenhuma novidade. — Respondeu o assistente, estranhando a pergunta repentina, já que a chefe raramente demonstrava interesse na vida do esposo.

— Entendo. Pode ir, não preciso mais de você por hoje. Vou resolver um assunto pessoal.

Movida por uma inquietação que não sabia nomear, Ariana se dirigiu ao hotel onde havia "hospedado" Gustavo. Meia hora depois, estava na recepção, estendendo seu cartão preto exclusivo com arrogância.

— Quero o registro de entradas e saídas de Gustavo. Agora.

A recepcionista, reconhecendo a cliente VIP, consultou o sistema e respondeu com cautela:

— Sra. Ariana, o Sr. Gustavo não está hospedado aqui. Ele fez o check-in no primeiro dia, mas saiu poucas horas depois levando toda a bagagem. Nunca mais retornou.

— O quê? — Ariana sentiu o sangue subir ao rosto.

Aquilo era inaceitável. Gustavo sempre fora previsível, submisso. A ideia de que ele havia desobedecido suas ordens e sumido sem deixar rastros feriu seu ego. Imediatamente, discou o número dele.

A chamada caiu direto na caixa postal.

Ariana desligou o aparelho com força, os olhos faiscando de irritação. Não havia medo ou saudade em seu semblante, apenas a fúria de quem perdeu o controle sobre uma posse.

— Gustavo, que joguinho ridículo é esse que você está tentando jogar comigo? — Disse ela para o telefone mudo, convicta de que aquilo não passava de uma tentativa dele de chamar sua atenção.
อ่านหนังสือเล่มนี้ต่อได้ฟรี
สแกนรหัสเพื่อดาวน์โหลดแอป

บทล่าสุด

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 100

    A curiosidade estava matando a todos.— Deve ser algum magnata que se aposentou e vive nos bastidores. — Especulou um homem na fileira da frente. — Para ensinar o Luiz, deve ser um senhor de idade, bem experiente.— Valeu cada centavo o ingresso para estar aqui! — Comemorou outro.A plateia gritava e aplaudia como se estivesse em um show de rock ou num encontro de fãs. Ariana e seus três acompanhantes não eram exceção; com os rostos vermelhos de tanto entusiasmo, batiam palmas com força. E, claro, entre um aplauso e outro, não perdiam a chance de me alfinetar.— Ô, seu inútil! — Gritou um dos empresários na minha direção, aproveitando o barulho. — Viu só? A sua opinião não vale um centavo furado! O que importa é o que esse mestre do Senhor Luiz vai dizer. Isso sim é ouro!— Tem gente que assiste a dois vídeos de autoajuda na internet e já se acha o lobo de Wall Street — zombou o outro, rindo com escárnio. — É patético!— Dona Ariana, um conselho de amigo: divorcie-se. — Disparou o terc

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 99

    Os três empresários pareciam ter recebido uma sentença de morte. Petrificados em suas cadeiras, sentiam como se estivessem sentados sobre espinhos e, num esforço desesperado, forçaram um sorriso amarelo para Ariana. Um deles, tentando recuperar o fôlego, perguntou com a voz trêmula:— Vocês... vocês vão mesmo acreditar nesse leigo?Naquele momento, Ariana também estava atônita. Ao repassar mentalmente as críticas que Gustavo havia acabado de fazer, ela percebeu com um choque de realidade que ele não estava inventando nada; as falhas apontadas eram reais e graves, e Gustavo não havia falado da boca para fora. No entanto, o orgulho cultivado ao longo de cinco anos de casamento a impedia de aceitar que aquele marido, que ela sempre considerou medíocre, pudesse ter uma visão de investimento tão afiada. Por instinto, ela escolheu a negação.— Posso garantir a vocês que ele nunca teve contato com o setor de investimentos. — Apressou-se Ariana em explicar, tentando convencer a si mesma tanto

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 98

    — Se você for capaz de apontar falhas reais nos nossos projetos, engulo minhas palavras e me dou cem tapas na cara aqui mesmo, admitindo que sou cego! — Provocou Tómas, com um sorriso de canto, cheio de malícia. — Mas se não conseguir dizer nada com nexo, ou se começar a falar asneira, não espere que eu tenha consideração pela Sra. Ariana na hora de te colocar no seu lugar.Olhei para as três pastas alinhadas sobre a mesa e um sorriso frio brotou nos meus lábios. Eu não imaginava que, nos dias de hoje, as pessoas fizessem fila para passar vergonha de graça.Mas se eles insistem tanto em serem humilhados, quem sou eu para negar? Eu realizaria esse desejo.Peguei a primeira pasta, a de João. Meus olhos varreram os dados principais e, com um gesto de descaso, joguei o arquivo de volta. O movimento foi calculado: a pasta bateu bem no peito dele, fazendo-o recuar.— O seu projeto é pura maquiagem. Parece bonito, cheio de análises de mercado coloridas e avaliações de risco que impressionam l

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 97

    — Abra bem esses olhos e veja com clareza a grandeza do projeto do Grupo Freitas! — Gritou Ariana, a voz tremendo de raiva.Naquele instante, ela foi invadida por uma sensação avassaladora de impotência. O grupo de sua família estava à beira do colapso, afundando em uma crise sem precedentes, e Gustavo, seu marido, não apenas era incapaz de ajudar, como piorava tudo com aquele ciúme infantil e pragas rogadas contra o próprio sustento.Movida por um impulso de fúria cega, Ariana abriu a pasta de documentos e a arremessou sobre a mesa, bem diante de Gustavo, querendo esfregar na cara dele o quanto ele era patético por duvidar dela.Franzi o cenho, encarando Ariana com o mesmo olhar que se dedica a alguém desprovido de inteligência. Sem dar muita importância, baixei os olhos para o dossiê que ela havia jogado na minha frente. Bastou uma leitura dinâmica, um mero relance, para que o problema gritasse nas entrelinhas.Havia uma falha ali. Um erro colossal, suficiente para decretar o fracass

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 96

    Li a mensagem e ergui a cabeça, varrendo o salão com os olhos até encontrar o palco principal. De fato, Luiz estava lá em cima, esticando o pescoço e olhando para todos os lados, visivelmente ansioso à minha procura. Digitei a resposta sem demora:[Já estou no salão. Pode dar início à apresentação. Subirei ao palco em instantes.]Guardei o celular e fiz menção de me levantar para ir em direção ao palco, mas nem tive tempo de tirar o corpo da cadeira. Ariana, rápida, segurou meu braço com força, me impedindo de sair.— O que foi? A verdade doeu tanto que você não aguenta mais ouvir? Está fugindo de vergonha?— Me solta! — Rosnei, franzindo a testa e lançando um olhar gelado para ela.Mas Ariana não largou. Pelo contrário, apertou ainda mais, com uma expressão de quem estava perdendo a paciência com uma criança birrenta.— Chega, Gustavo! Admito que peguei pesado no que disse agora há pouco, mas você vai continuar com esse showzinho até quando? Já deu! Tudo isso é só porque você é insegu

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 95

    O clima pesou de vez quando João, o mais exaltado do grupo, soltou uma risada carregada de escárnio e disparou sem dó:— Tem gente que é uma piada mesmo. Se não tem competência para construir o próprio império, que pelo menos tenha a decência de assumir que é um encostado. Se quer viver às custas de mulher, engole o choro e aceita a humilhação quieto, porque é esse o preço que se paga por ser um fracassado!Mal ele fechou a boca, Tómas, que estava ao lado, estufou o peito e emendou, cheio de arrogância:— O Sr. João está coberto de razão, falou tudo! Gustavo, não se iluda achando que usar o divórcio como ameaça vai funcionar com a Sra. Ariana. Mulher de sucesso não perde tempo olhando para um sujeito como você. Meu conselho? Peça desculpas agora mesmo, baixe a cabeça e volte a pilotar o fogão, que é o seu lugar. Porque no dia em que ela resolver assinar esse divórcio de verdade, você vai ficar na rua da amargura, sem ter onde cair morto.Como se não bastasse a humilhação dos dois, Rena

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 10

    — Gustavo! Seu canalha! Que direito você tem de me deixar assim? — Gritou ela, a voz embargada pela angústia.Assim que entrou no carro e bateu a porta, isolando-se do caos lá fora, Ariana finalmente sucumbiu ao turbilhão emocional que vinha reprimindo. As lágrimas brotaram num instante, quentes e d

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 11

    Ela não passava de uma ex-mulher que nunca se importou comigo. Esperar que eu continuasse preocupado com seus sentimentos, ou permitir que suas ações ainda tivessem o poder de abalar minhas emoções, seria um erro imperdoável da minha parte.Para mim, Ariana agora era apenas uma desconhecida. Eu havi

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 9

    Passada meia hora, o celular de Ariana vibrou com a notificação que ela tanto aguardava. Era a mensagem de seu assistente.[Sra. Ariana, descobri o que aconteceu. Não houve incêndios na cidade nos últimos dias, mas a região serrana do oeste sofreu com uma queimada florestal devastadora. A situação f

  • A Castidade Que Me Prendeu, a Traição Que Me Libertou   Capítulo 14

    Assim que cliquei no vídeo, a música alta e distorcida de um bar explodiu nos alto-falantes do meu celular. No centro da tela, um homem e uma mulher estavam abraçados, íntimos demais, parecendo um casal de namoradinhos vivendo a fase de lua de mel. E aquela mulher... Meias pretas, salto alto, cabelo

บทอื่นๆ
สำรวจและอ่านนวนิยายดีๆ ได้ฟรี
เข้าถึงนวนิยายดีๆ จำนวนมากได้ฟรีบนแอป GoodNovel ดาวน์โหลดหนังสือที่คุณชอบและอ่านได้ทุกที่ทุกเวลา
อ่านหนังสือฟรีบนแอป
สแกนรหัสเพื่ออ่านบนแอป
DMCA.com Protection Status