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Capítulo 3

Author: Xênia
O casamento prosseguia sem problemas.

Quando chegou o momento de os dois trocarem as alianças, Samuel ficou olhando, atordoado, para mim, que estava ao lado.

O mestre de cerimônias o lembrou novamente:

— Os noivos devem trocar as alianças.

O ambiente ficou constrangedor.

— Carolina! — Uma voz grave rompeu o silêncio embaraçoso. — Como você ousa se casar com outro homem pelas minhas costas! — Um homem com uma barriga de cerveja e o rosto tomado pela fúria avançou, acusando-a em voz alta. — Nesses sete anos, sempre te tratei muito bem! Quando estávamos namorando pela internet, eu gastei mais de um milhão com você...

— Do que você está falando? Eu não te conheço. — Carolina entrou em pânico e o interrompeu.

— Foi você quem me disse, naquela época, que fingiria a própria morte, escondendo isso da sua família, para fugir comigo! Assim que eu fui à falência, você arranjou outro homem para se agarrar, não é?

— O que está acontecendo? — Samuel olhou para Carolina, desconfiado.

— Samuel, não dê ouvidos às loucuras dele. Eu realmente não o conheço. Alguém está tentando me incriminar! Samuel, acredite em mim.

Alguns seguranças correram até o homem, tentando tirá-lo do palco, mas ele sacou uma faca.

— Não cheguem perto!

Carolina, assustada, encolheu-se nos braços de Samuel, apavorada.

— Não tenha medo, Carol. Eu acredito em você. — Ele a consolou gentilmente.

— Será que a Bia ficou com ciúmes e contratou alguém para encenar tudo isso? — Disse Carolina, com os olhos vermelhos.

— Beatriz, não bastou roubar a felicidade da Carol? — Samuel franziu a testa e olhou para mim, os olhos cheios de desconfiança e desgosto. — Contratou alguém para encenar isso e destruí-la?

Olhei para ele, perplexa. Queria explicar, mas, de repente, senti que não havia mais necessidade.

Quando viu que eu permanecia em silêncio, o olhar de Samuel ganhou ainda mais convicção. Ele ficou ainda mais certo de que eu era a responsável por aquilo.

— Ah! — Gritos irromperam entre os convidados, e o salão mergulhou no caos.

Recuperei os sentidos e percebi que o homem avançava em direção a Carolina com a faca.

Carolina empalideceu de medo e, em meio ao pânico, empurrou Samuel para a frente.

Ele rapidamente se esquivou da faca que avançava contra ele.

Carolina correu na minha direção para se esconder. Levantei-me e estava prestes a fugir quando ela agarrou meu pulso com força.

— Bia, para onde você pensa que vai? — Ela sorriu de maneira sinistra.

O homem avançou naquela direção e começou a golpear freneticamente com a faca.

Em meio à confusão, Samuel olhou para mim e para Carolina. Depois de hesitar por alguns segundos, puxou Carolina pela mão e a protegeu atrás de si.

Tentei desesperadamente me esquivar, mas não consegui escapar. A lâmina cortou meus dedos e meu pulso. O sangue respingou sobre as teclas pretas e brancas do piano.

O olhar de Samuel vacilou. Ele agarrou meu pulso, puxou-me para os braços e chutou o homem, derrubando-o no chão.

Logo depois, vários seguranças correram até ele e o imobilizaram.

O sangue encharcou o terno branco de Samuel.

Desesperada, senti meus dedos perderem a sensibilidade pouco a pouco.

O homem continuava gritando e berrando, mas eu já não conseguia ouvir mais nada.

Samuel me pegou nos braços às pressas.

— Beatriz, você odeia a Carol tanto assim para usar um método tão cruel e chegar ao ponto de se ferir? — No último instante antes de fechar os olhos, ouvi sua voz trêmula junto ao meu ouvido. — Esta é a última vez que vou tolerar.

Quando acordei, estava no hospital. Samuel me encarava sem piscar, com os olhos ligeiramente escuros.

Fiquei olhando, sem expressão, para o teto e perguntei com a voz rouca:

— Eu ainda posso tocar piano?

— Agora você se arrepende? — Ele soltou uma risada sarcástica. — Quando contratou alguém para incriminar a Carol, você teve alguma compaixão? — Passando suavemente os dedos sobre a faixa que envolvia minha mão, Samuel disse, palavra por palavra. — Isso é a lei do retorno. Você nunca mais poderá tocar piano.

— Lei do retorno? — Puxei levemente o canto dos lábios e murmurei.

A secretária bateu à porta e entrou.

— Sr. Samuel, o relatório da investigação policial ficou pronto. — Ela disse cautelosamente a Samuel e olhou para mim na cama com certa compaixão.

— Beatriz, você sabe quantos anos vai passar na cadeia por subornar alguém para tentar matar uma pessoa? Peça minha ajuda. Talvez eu possa fazer alguma coisa por você. — Samuel olhou para mim com desdém.

— Sr. Samuel, a verdade talvez seja um pouco diferente do que o senhor imagina. Por que não dá uma olhada primeiro? — A secretária, com um ar preocupado, disse.

Samuel recebeu despreocupadamente o relatório que ela lhe entregou.

Passou os olhos por algumas linhas e seu rosto mudou.

— Como isso é possível?

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