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Capítulo 31 - Leon vale qualquer sacrifício

last update Data de publicação: 2021-06-24 03:56:23

Léo ficou conosco o tempo todo, até Leon acordar. Minha mãe foi primeiro vê-lo. Enquanto isto liguei para meu pai e expliquei que estava tudo bem e Leon fora de perigo. Ainda havia algumas ligações de Dereck em meu celular e eu não retornei. Kim me ligou:

- Kat, como ele está?

- Por sorte tudo bem agora. – expliquei.

- Eu gostaria de estar aí com você, mas é longe para mim... Além do mais tinha algumas clientes para atender.

- Eu entendo, Kim. Está tudo bem, não se preocupe.

- Kat, eu preciso confessar uma coisa.

- O que houve?

- Eu contei ao príncipe Dereck sobre o que aconteceu com seu irmão...

Fiquei em silêncio. Em meio à tantas preocupações eu nem me dei em conta de como ele teria sabido sobre o acidente e a localização de meu irmão.

- Como você contou?

- Ele me ligou.

- Dereck ligou para você? – perguntei surpresa.

- Sim... Como ele encontrou meu número eu não sei. Mas queria saber porque você não estava atendendo ele.

- E daí você decidiu contar tudo?

- Eu... Achei que ele pudesse ajudar de alguma forma.

- Talvez... Mas no fim devo a Léo e a ele agora.

- Léo conseguiu ajudá-la?

- Claro... Pediu ajuda ao pai. E quando tudo já estava resolvido, o príncipe decidiu intervir e dar a meu irmão atendimento que só a Zona A recebe. – falei ironicamente, não contendo minha indignação.

- Nestas horas é melhor esquecer estas coisas, Kat. Você precisa pensar em Leon.

- Eu sei... Mas ainda tem uma coisa que você não sabe.

- O que eu ainda teria para saber?

Olhei para Léo atento ao que eu dizia e me afastei um pouco para não ser ouvida.

- Kim, o médico que atendeu meu irmão na E era Dom.

- Dom? Dom mascarado, da noite anterior?

- Sim, ele mesmo.

- Mas como você o reconheceu, Kat?

- Eu soube na hora que era ele.

- Eu não o reconheceria em lugar algum. Como você conseguiu?

- Eu não sei...

- Bem, você teve bastante intimidade para saber, não é? – ele disse e eu tinha certeza de que ele estava rindo naquele momento. – Ele reconheceu você?

- Sim.

- Mas como assim? As identidades verdadeiras não deveriam ser secretas? Isso me dá medo de continuar frequentando este grupo maior.

- Eu não tenho medo... Acho que foi diferente com nós dois. Tivemos alguma ligação na noite que nos beijamos.

- Eu também acho... Ou você não teria me ligado de madrugada para contar. Você nunca fez isso antes.

- Eu sei... Foi diferente... Eu não sei explicar.

- O príncipe estava preocupado que você não o atendia.

- Por isso foi investigar a sua vida também.

- Você sabe que eu gosto dele... Sempre foi meu preferido.

- Kim, eu não entendo Dereck. Fico confusa com tudo em relação a ele. O conheço pouco... Como confiar nele?

- Conhece Dom há quantas horas? – ele questionou. – E me parece que confia nele? E se Dom era um monarquista que estava infiltrado para colher informações? Ele sabe que Katee é na verdade Katrina Lee.

- Dom não é assim...

- E por que acha que Dereck é? Talvez ele sempre lhe disse a verdade, baby.

Fiquei pensando no que Kim falou e fazia sentido. Eu havia dado credibilidade a Dom desde o momento em que olhara para ele na primeira vez e eu o conhecia muito pouco. Se fosse comparar, eu conhecia melhor o príncipe do que o líder anti monarquia.

- Um príncipe ir contra a própria mãe rainha?

- Sabemos que são poucas as pessoas que são a favor da rainha Anne.

- Mas...

- Kat, tente dar um voto de confiança a ele. Ele é o príncipe.

- Por isso mesmo que eu não acredito nele, entende?

- Bem, eu não posso dizer em quem você deve ou não acreditar. Só quero que você reflita bastante. Não neste momento, pois sei que sua cabeça deve estar pensando num milhão de coisas agora. Mas uma hora você vai ter que sentar, se acalmar e resolver o que você vai fazer.

Eu desliguei o telefone e olhei para Léo, que me encarava nervoso. Eu sabia que ele estava pensando mil coisas por eu ter me afastado dele com o celular. E agora ele também sabia que o que eu havia falado sobre Dereck e Magnus não era mentira. Sim, eu estava sob efeito do álcool, mas isso simplesmente me dera coragem de falar o que eu queria. Mas agora eu tinha que voltar para o lado dele, dar uma desculpa e fingir que tudo estava bem. Eu lhe devia a vida do meu irmão. E de alguma forma, devia a Dereck também. Entendia Dom quando ele disse que eu tinha muitas pessoas a agradecer.

Sentei no sofá e logo minha mãe voltou. Ela trazia um sorriso tranquilo no rosto:

- Ele está bem. Conversou comigo.

Senti meu coração cheio de amor e alegria. Leon era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Levantei-me empolgada:

- Posso vê-lo agora?

- Ele está esperando por você.

Assim que entrei no quarto e vi aquele corpo tão pequeno e magro naquela enorme maca meu coração doeu novamente. Ele tinha vários acessos e usava oxigênio.

- Kat... – ele disse sorrindo com os olhos quando me viu.

Fui até ele e lhe abracei com cuidado. Sentir o corpo dele e sua respiração no meu pescoço fazia com que todo sacrifício que eu tivesse que pagar valesse a pena. Ele estava bem e isso que importava.

Por sorte ele não lembrava de quase nada sobre o acidente. Eu achei melhor que fosse assim, pois não teria lembranças ruins futuramente. Eu prometi que estaríamos ali todos os dias para vê-lo, mas ele já havia me garantido que mamãe ficaria com ele no quarto. Certamente aquele quarto não era pago por ninguém menos que a realeza. Era grande e somente Leon estava usando-o.

Quando saí para a sala de espera, minha mãe já se adiantou que passaria a noite com ele.

- Não se preocupe, Laura, eu a levarei em segurança para casa. – garantiu Léo.

- Obrigada, querido. – agradeceu minha mãe. – Obrigada por tudo que fez por nós hoje. Embora a realeza tenha tentado ajudar, foi tarde. Devemos tudo a você.

- Vocês não tem nada a agradecer. Sabe o quanto eu gosto da família de vocês... E de Kat. – ele disse me olhando. 

Eu sabia disso, minha mãe sabia e acho que o mundo todo sabia dos sentimentos dele por mim. Mas lá estava ele, mais uma vez, lembrando que ele gostava de mim. E isso me deixava certa de que eu teria que ser grata eternamente. E isso incluía gentileza, carinho e talvez nunca mais terminar com ele, pois jogaria na minha cara que Leon estava vivo graças a ele. Eu respirei fundo e disse:

- Mãe, amanhã estarei aqui. Então você volta para casa descansar e eu cuido de Leon.

- Kat, você precisa arrumar um emprego. Não podemos continuar assim...

Lembrei que o dia seguinte era segunda-feira e a vida voltava ao normal. Eu iria em busca de um emprego que não existia, voltaria a minha casa sem dinheiro para pagar por nosso aluguel e nem sei se teria comida. Mas eu tinha que seguir... Pois todos dependiam de mim.

- Verdade. – eu disse. – Mas quando acabar o dia virei dormir então. E então você voltará para casa.

- Tudo bem. – ela disse. – Agradeça ao príncipe por mim, por favor.

- Vou fazer isso.

- E precisamos conversar sobre isso também.

- Eu sei.

Aceitei que Léo me levasse embora. No caminho liguei para Kevin para garantir que tudo estava bem com nosso irmão. Ele também ofereceu ajudar nossa mãe nos turnos para acompanhar Leon. Kevin tinha seus defeitos, mas às vezes era um irmão responsável.

Léo perguntou:

- Kevin vai ajudar?

- Sim. – confirmei.

- Por que ele não pode assumir a vida financeira da família?

- Porque todo o dinheiro que tinham investiram em mim.

- Ainda assim... Ele poderia tentar ajudar de alguma forma. Você não dará conta de tudo. Quanto tempo tem para pagar o aluguel?

- Final do mês.

- E você tem dinheiro para pagar?

- Claro que não.

- Sua mãe deve ter alguma economia.

- Acho que tudo que ela tinha salvo de meu pai usou para nossa alimentação.

Ele colocou a mão sobre a minha perna e disse:

- Eu vou tentar ajudar.

Eu retirei a mão dele e disse:

- Você já ajudou... Muito. Mais que eu isso eu não posso aceitar. Uma coisa é você ajudar a salvar a vida do meu irmão. Outra é se responsabilizar pelo pagamento da minha moradia e da comida que minha família come. Eu jamais aceitaria isso.

- Eu sei. – ele disse. – Eu conheço você, Katrina Lee.

- Que bom, Léo. Fico feliz em saber que você entende o que eu posso ou não aceitar.

- Ainda assim, se precisar de algo, quero que saiba que pode contar comigo. Como amigo ou namorado.

- Obrigada... Por tudo que fez por mim e minha família hoje.

- E sobre o príncipe?

Olhei para ele. Sabia que aquela pergunta viria.

- Léo, eu não gostaria de falar sobre isso agora.

- Eu... Começo a entender a situação no castelo naquele jantar.

- Como assim?

- Eu fui até você quando conversava com o príncipe Magnus... Com tantas mulheres no salão, por qual motivo ele foi falar com você? Eu devia imaginar que havia algo estranho acontecendo.

- Como assim? Do que você está falando?

- Do que acontece entre você... E ele.

- Não acontece nada entre mim e o príncipe Magnus. Quem ajudou com o hospital foi o príncipe Dereck.

Ele tirou os olhos do volante por alguns minutos e me encarou:

- Dereck? Mas eu vi a forma como você e Magnus se olharam...

- De que forma nos olhamos? – perguntei confusa.

- Esqueça...

- Quero saber.

- Acho melhor deixar como está. Só não entendo como tudo foi tão rápido. Há dias atrás você era somente Kat Lee, a garota com olhos curiosos que queria mudar o mundo. Agora que você entrou no castelo, me parece que você quer mais que isso. Sinto que estamos perdendo você, Kat.

- Isso não é verdade.

- Como em tão pouco tempo você conheceu os príncipes? Como Dereck ajudou seu irmão desta forma despretensiosa? E... Você mudou seu discurso quanto à monarquia: você era contra, queria a república. Agora já acha que os príncipes podem ser a solução para o reino. Eu ouvi muito bem quando você disse isso na reunião secreta... Nem o próprio Dom concordou com suas palavras.

- De alguma forma eu acho que eles podem ser diferentes da rainha Anne.

- Mas você os conhece tão bem a ponto de saber os pensamentos futuros que eles têm sobre o reino?

- Não. – eu confessei o que eu realmente sentia pela primeira vez. – Eu não sei nada sobre eles... Mas algo me diz que eles podem ser o nosso futuro.

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