FAZER LOGINEu e minha mãe acompanhamos Leon na ambulância, junto do médico e uma enfermeira. Leon ainda estava desacordado, mas já estava com os cortes limpos e com pontos. Olhando-o na maca, eu me senti mais forte. Não importava o que eu tivesse que fazer no fim. A vida de meu irmão valia qualquer sacrifício.
A viagem até o hospital B levou mais de uma hora. Assim que chegamos, Domênico desceu junto.
- Você vai acompanhá-lo? – perguntei.
- Farei a cirurgia. – ele me disse.
- Você?
- Algum problema?
- Não... – falei confusa.
Não pensei que ele fosse fazer a cirurgia. Entendi então que o problema não era o médico cirurgião. Ele só não podia operar naquele hospital.
Quando outros enfermeiros chegaram para ajudar, eu senti medo de que alguma coisa desse errado. Não pude evitar as lágrimas.
- Ele vai ficar bem, Katee.
Olhei para o médico, que piscou para mim com um sorriso acolhedor.
Ele me reconheceu, assim como eu o reconheci no momento que o vi. O que havia acontecido entre nós na noite anterior havia sido forte... Eu senti aquilo quando o beijei. Fiquei um pouco envergonhada por nos encontrarmos naquela situação. Mas saber que Leon estava nas mãos de Dom me deixava mais tranquila. Eu confiava muito naquele desconhecido. E sabia que ele faria qualquer coisa para salvar meu irmão.
Quando entramos na sala de espera, Léo estava nos esperando com seu pai. Nos cumprimentamos e minha mãe foi conversar com o pai dele, que queria saber o que havia realmente acontecido.
- Como você está? – Léo perguntou.
- Destruída por dentro. – confessei.
Ele me abraçou:
- Vai dar tudo certo. Aqui é um bom hospital.
- E não deveria ter bons hospitais em todas as zonas? – perguntei.
- Kat, não é hora de discutirmos isso.
- Será que não, Léo? – perguntei ironicamente. – Tem noção do que acabou de acontecer conosco? Pessoas da E não podem depender do hospital para uma cirurgia.
- Mas eu achei que não fosse desta forma.
- Eu também achei. No entanto quando precisamos soubemos que é assim que funciona. Os pobres sempre tendo que depender da bondade dos ricos.
- Kat, não é assim... Você não me deve nada. Fiz isso por amor a você.
- Exatamente... Por amor a mim. – eu sorri sem conseguir esconder a ironia.
Ele se calou. Léo sempre foi um revolucionário da monarquia também. Então ele sabia exatamente do que eu estava falando. Mais uma vez estávamos numa situação criada pela rainha Anne e sua má condução no gerenciamento do reino.
Meu telefone tocou e eu li: “Traidor: nunca atender”. Eu ia desligar, mas resolvi não fazer isso. Eu já estava com tantos problemas que pior não iria ficar. Além do mais, tinha bastante ira para poder descontar no traidor do Dereck. Afastei-me um pouco e disse:
- Alô.
- Por que não me atendeu antes? – ele perguntou.
- O que você quer?
- Falar com você.
- Fale. Você tem um minuto.
- Você está louca?
- O tempo está passando. Quando der um minuto eu vou desligar.
- Ok, você venceu. Eu sei porque você não foi escolhida.
- Fale rápido... O tempo está correndo.
- Minha mãe descobriu que você esteve na enfermaria e que desmaiou naquele dia.
- O que isso tem a ver com a escolha de outra pessoa e não a mim?
- O seu envolvimento com Magnus.
- Eu não tive nenhum envolvimento com Magnus.
- Ele pegou você... Ele a levou até a enfermaria. Ele quis saber notícias... Ele se preocupou.
- E por isso eu não mereço o emprego? – perguntei ironicamente. – Vocês são loucos.
- Katrina, ainda há uma chance.
- Eu não quero chance, Dereck.
- Me ouça, por favor.
- Me ouça você. Eu não quero mais fazer parte dos seus planos. Você me usou o tempo todo e eu acreditei que desta forma conseguiria o emprego. Eu nem tinha certeza se realmente queria ajudar você neste plano que sequer sei se existe. No momento eu acho que você ajudou a me eliminar. Foi você que teve a certeza de qual de nós trairia a rainha. Você nunca quis ficar contra ela não é mesmo? Tudo era um plano... Um jogo.
- Isso não é verdade.
- Dereck, eu não quero ouvir mais nada.
Eu desliguei. Ele continuou ligando. Léo chegou perto de mim e disse:
- Melhor não atender se ele é um traidor.
Olhei para ele. Entendi que ele havia lido no meu telefone quando tocou. Léo era esperto.
- Eu preciso avisar Kim. – eu disse.
- Eu já o avisei. Ele queria vir para cá, mas eu disse que era melhor não. É longe.
- Sim... Não quero estragar o domingo de mais ninguém.
- Você já comeu? – ele perguntou.
- Não... Mas não estou com fome.
Ele insistiu e levou eu e minha mãe para comermos algo. O Hospital da B era bem diferente do da E. Parecia mais um shopping que um hospital. E assim era Noriah, um lugar onde os poucos privilegiados podiam ter de tudo. E privilégios eram somente na A e B. Depois disso começava a vida difícil das pessoas. Tive tanta raiva de tudo. Pensei na pessoa que atropelou meu irmão e fugiu. Por que as pessoas eram assim? Ele não se preocupou se Leon estava vivo ou morto? Ele poderia deitar no travesseiro de noite e dormir, não tendo certeza se havia matado uma criança horas antes? Acho que sim... A rainha Anne dormia todas as noites em seus travesseiros confortáveis sabendo que diariamente pessoas morriam por sua causa: de fome, de doença, de tristeza pela vida que levavam.
Léo pediu um prato vegetariano para mim. Ele sempre se preocupava com isso. Talvez eu devesse baixar um pouco a guarda com ele. Não havia motivos para tratá-lo daquela forma. Ele só gostava de mim...
O pai de Léo era tão gentil quanto ele. Antes de ir embora havia dito várias vezes que poderíamos ligar para ele se precisássemos de qualquer coisa a qualquer hora. Léo preferiu esperar junto comigo.
Dom voltou para nos dar notícias no fim do dia. Assim que o vimos, nos levantamos imediatamente. Meu coração bateu forte e eu senti um leve enjoo. O que ele diria sobre a vida de Leon?
- A cirurgia deu certo. – ele disse.
Abracei minha mãe imediatamente. Foi como se tirasse um peso da minha cabeça naquele momento. Eu me senti imensamente melhor e meu corpo pareceu mais leve.
- Já podemos vê-lo? – pediu minha mãe.
- Sim. Assim que ele acordar da anestesia.
- Obrigada, doutor. – disse minha mãe.
- Leon ficará no melhor quarto do hospital. E será atendido por médicos da A, que virão diariamente acompanhar a evolução dele. – explicou Dom.
Todos olhamos confusos para ele. Léo perguntou:
- Mas isso costuma ser normal por aqui? Meu pai tem tanta influência assim na B? Ou seria na A? – perguntou ele confuso.
- Intervenção real. – explicou Dom, me olhando fixamente. – Parece que alguém daqui conhece o príncipe de Noriah.
Eu suspirei e senti meu coração acelerar de uma forma que eu nunca senti antes. Quando todos os olhares se voltaram para mim, eu corei e falei com voz trêmula:
- Eu havia dito... Que conhecia alguém da realeza... Mas vocês não acreditaram em mim.
- Fui informado enquanto realizava a cirurgia.
- Mas... Você ainda virá atendê-lo? – perguntei esperançosa.
- Não mais. Conforme a realeza, só médicos da A. – ele disse visivelmente irritado com o acontecido.
- Obrigado, doutor. – disse Léo apertando a mão dele. – Nos conhecemos de algum lugar?
- Creio que não... – garantiu Dom. – Sou bom em guardar fisionomias.
- Pode ser... Tenho a impressão de já tê-lo visto.
- Talvez no hospital. – disse ele.
- Pode ser. – falou Léo com uma ruga na testa, pensativo.
Dom foi saindo. Esperei ele se afastar um pouco de todos e fui atrás dele:
- Doutor, mais uma pergunta...
Fui em direção a ele. Quando cheguei perto ele me olhou, com a sobrancelha arqueada, esperando o que eu falaria.
- Bem... Eu gostaria de saber se nos veremos novamente. – falei corajosamente.
Eu não o deixaria escapar assim. Precisava conversar com ele, agradecer, entender tudo que estava acontecendo e explicar sobre o príncipe, antes que ele pensasse mal de mim.
Ele sorriu:
- Eu disse que nos encontraríamos e isso aconteceu, não foi?
- Isso foi ontem.
- Acho que serve para outros dias também.
Ele foi saindo.
- Dom. – eu disse e ele virou-se novamente para mim. – Obrigada por tudo que fez pelo meu irmão hoje.
- Eu fiz minha parte, Katee. E acho que você vai ter que fazer a sua. – ele disse olhando na direção de Léo.
- Esta é a parte difícil. – expliquei.
- Acho que agora você não vai poder terminar com ele.
Eu fiz um gesto afirmativo com a cabeça.
- Ainda bem que eu não sou um homem ciumento. – ele sorriu e saiu.
Eu não pude evitar sorrir no meio daquela tragédia. Foi bom poder contar com Dom naquele dia. Eu sabia que ele havia atendido Leon da melhor maneira possível. Agora eu teria que encarar Léo e minha mãe e explicar sobre Dereck. O pior é que eu nem sabia o que exatamente dizer. Mas quando cheguei na sala de espera novamente, minha mãe já indagou:
- Kat, como a realeza interveio nisso tudo? E desta vez eu tenho certeza que não foi seu pai.
- Mãe... Eu não menti quando disse que conhecia o príncipe Dereck.
- Não mentiu quando me falou sobre isso também. – disse Léo.
- Não menti. – confirmei.
- Eu preferi não acreditar em você. – ele confessou.
- Eu sei... Mas agora vocês sabem a verdade. O príncipe Dereck havia prometido ajudar-me a conseguir o cargo de dama de companhia.
- Mas pelo visto ele mudou de ideia. – disse minha mãe.
- E o que ele quereria em troca? – perguntou Léo confuso e visivelmente bravo.
- É uma história longa e complicada... E eu não posso contar a vocês.
- Como assim? – perguntou minha mãe.
- É como eu disse... Não posso contar.
Os dois me olharam preocupados.
- Por mais que vocês queiram, eu não posso contar. Só garanto que eu não estou fazendo nada errado. E que o príncipe não é uma pessoa ruim... Ao menos eu acho, pois ele tentou me ajudar com Leon.
Eu vi Dom saindo pela porta. Ele já havia trocado de roupa e se vestia sem o jaleco. Eu deixei minha mãe e Léo e corri novamente até ele.
- Doutor?
Ele parou do lado de fora da porta e eu fui até lá. Ele ficou me olhando, esperando pelo que eu falaria. Eu nem sabia exatamente o que dizer. Então arrisquei:
- Quando será o próximo encontro secreto?
- Não devemos falar sobre isso aqui. Nem deveríamos saber nossas identidades verdadeiras. Você sabe disso.
- Quando eu olhei para você, sabia quem era. Será que realmente estamos seguros com nossas máscaras? – perguntei.
- Acho que se não beijarmos muitas pessoas por aí sim. – ironizou ele.
- Vou vê-lo novamente?
- Se continuar com seus ideais creio que sim. Mas já não sei se você tem os mesmos pensamentos que nós. Afinal, não é todo mundo que tem privilégios com a monarquia.
- Eu disse que os príncipes não pareciam pensar como a rainha.
- Sim... Porque são homens. E você é uma mulher.
- Do que você está falando?
- Katee, você acha mesmo que o príncipe está ajudando você por pura bondade?
- Ele poderia ter qualquer mulher que quisesse... Por que quereria eu?
- De qual príncipe estamos falando?
- Dereck.
Dom riu:
- Dereck quer qualquer uma. Se fosse Magnus eu daria mais credibilidade.
- Mas ele não é ruim, Dom. Ele vê defeitos na mãe.
- Ele lhe disse isso?
- Ele me propôs vigiar a rainha. Eu lhe daria informações. Ele tem amigos dentro do conselho e tentaria intervir nas decisões dela, sabendo antes suas intenções. Garantiu-me que ela é muito pior do que imaginamos.
- E o que ele lhe prometeu em troca?
- Me ajudaria a conseguir o emprego.
- E pelo visto não deu certo. Você não é a nova dama de companhia.
- Ele tentou me ajudar. Eu achei que ele estava sendo sincero.
- Eu também vou tentar lhe ajudar a ser a dama de companhia. E eu estou sendo sincero.
- Dom... Eu não sei como você faria isso.
- Não me chame de Dom aqui, por favor. – ele olhou para os lados. – Não é seguro. Além do mais, seu namorado está vindo. – observou.
Quando Léo se aproximou, eu apertei a mão de Dom e disse:
- Obrigada por tudo, doutor Domênico. Serei eternamente grata por tudo que fez por meu irmão.
- Não fiz nada mais que minha obrigação, senhorita Lee. Espero que dê conta de agradecer a todos. – dizendo isso ele saiu.
Léo me olhou confuso, sem entender nada. Mas eu entendi muito bem o que ele quis dizer. Realmente, eu tinha muitas pessoas para agradecer. E esperava que ninguém me cobrasse de uma forma que eu não pudesse pagar. Na verdade eu não poderia pagar de forma alguma. Eu não tinha nada a oferecer para ninguém.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







