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Capítulo 51 - Por que Magnus seria um bom rei?

Penulis: Roseanaautora
last update Tanggal publikasi: 2021-06-28 06:00:33

Dereck era espontâneo. Mas às vezes inconveniente. Eu ficava muito envergonhada quando ele me “empurrava” para os braços de Magnus.

- Vamos continuar o planejamento. – eu disse pegando a caneta das mãos de Dereck. – Obrigada pela caneta. – falei para Magnus. – Foi útil de alguma forma.

Ele continuou sentado sobre a minha mesa, descontraidamente. Logo eu já tinha um bloco cheio de ideias. Dereck realmente não deixava passar nada.

- E as máscaras deixarão tudo mais misterioso. – disse Dereck.

- Pois é... Dependendo da forma como as pessoas estiverem, nem saberemos quem é quem... A não ser na identificação na entrada. – observei.

- E sendo assim, ninguém é de ninguém.

Eu e Magnus olhamos imediatamente para ele. Essa era a intenção de Dereck com o baile de máscaras?

- E eu respeitarei todos. – ele disse um pouco sem jeito.

- Esperamos que sim. – eu disse.

- Dereck, eu acho que você não tem jeito. – disse Magnus.

- Mulheres de máscaras são misteriosas... Belas e também sensuais. Que máscara você vai usar, Katrina? – perguntou Dereck.

- Eu... Não usarei nenhuma. Eu sou uma empregada, Dereck. Mas... Obrigada por sempre lembrar de mim.

- Eu poderia convidá-la. – disse Magnus.

Eu sorri ironicamente:

- Sinceramente, não quero regalias, Alteza.

- Não seria regalia... Seria... – ele pensou.

- Um convite em detrimento de ele ter tentado matá-la. – disse Dereck.

- Eu não tentei matá-la, Dereck. – ele disse bravo. – Foi sem querer...

- Foi modo de dizer, irmão. Estou tentando explicar que você pode deixar Katrina ir ao baile alegando que deu um tiro nela... Sentindo-se culpado por isso...

- Exatamente, Dereck. Eu estava pensando nisso. – disse Magnus.

- Obrigada pelo convite, Altezas, realmente não me importo em não participar do noivado real.

Dereck riu:

- Acho que do noivado nem Magnus gostaria de participar, Katrina. Mas ficar mais velho ele não conseguirá impedir, acredite.

Magnus ficou enigmático e pareceu que seu rosto ficou fechado e seus olhos escuros de repente.

- Vestidos longos antigos para as mulheres... – eu sugeri.

- Sim, um tradicional baile de castelo medieval. Será o maior baile da história de Noriah Sul. – falou Dereck empolgado.

- Sinceramente, a festa me agrada, mas os motivos dela não. – disse Magnus. – Fazer 27 anos me deixa cada vez mais próximo do trono.

Magnus assumiria o trono aos 30 anos, como o filho homem mais velho de Anne Marie Chevalier. Todos sabiam que funcionava daquela forma. Ele só poderia assumir antes caso o atual rei ou rainha morresse. Eu acreditava que por Anne ser relativamente jovem e de forma alguma parecer querer deixar o trono, talvez tentaria mudar as regras.

- Você será um bom rei. – eu disse um pouco sem jeito. Mas eu sentia que precisava dizer a ele o que eu pensava.

- Você acha?

Senti sinceridade na pergunta dele e respondi:

- Sim.

- Por que você acha que Magnus seria um bom rei? – perguntou Dereck ironicamente, querendo ouvir o que eu diria e provavelmente torcendo para eu ficar confusa com minha explicação.

- Pelos mesmos motivos que você também acha, Alteza. – revidei.

- Eu gostaria realmente de ouvir de você, senhorita Lee. – insistiu Magnus. – Seria talvez uma opinião da sua Zona... Ou estou errado?

- Está errado. Não falo de forma alguma representando minha zona. Caso não saiba, cada vez mais o povo lá fora é contra a monarquia. Depois que Noriah Norte virou república, o povo espera ansioso que cheguemos também a este nível. A Rainha Anne é odiada pelo povo. As zonas não oferecem empregos, sendo assim as pessoas tem passado fome e outras necessidades básicas. Há pouco fiquei sabendo que o hospital da Zona E não realiza cirurgias. Isso me deixou ainda mais triste e ao mesmo tempo indignada. Como se quem morasse lá e precisasse não merecesse isso. Quando meu irmão foi atropelado, se eu não conhecesse alguém da C, que conseguiu transferi-lo para a B, ele teria ficado aleijado... Ou estaria morto agora. Por qual motivo um hospital tem um cirurgião se não pode fazer cirurgia? Para mim o único objetivo é simplesmente matar os pobres: de fome, de miséria, de doenças... Nem a faculdade resolve mais a situação das pessoas. O brasão de nossa bandeira exalta a cultura e a educação, mas ela hoje não é sinônimo de nada no reino. Me... Desculpe... Acho que falei demais.

Os dois ficaram um tempo calados. Foi Magnus quem primeiro falou:

- Eu... Sabia sobre algumas destas coisas que você me falou, mas não todas. – ele pareceu confuso e realmente surpreso. – E por que ainda assim você acha que eu seria um bom rei? O fim da monarquia não seria melhor para você, assim como para todos? – ele questionou.

- Nem todos tiveram a oportunidade de conhecer o príncipe Magnus como eu conheci. – admiti. – Vejo inteligência e bondade em vossa Alteza. Vejo pouco conhecimento sobre o que realmente acontece fora dos muros do castelo. Mas vejo em seus olhos que tem vontade de mudar isso.

Eu fiquei um pouco temerosa por dizer o que eu pensava. Não tinha certeza se Magnus estava preparado para saber o que acontecia. E também não sabia se ele realmente não tinha este conhecimento.

- Eu... Nunca quis ser rei, embora tenha sido preparado para isso a minha vida inteira. – ele confessou olhando para o nada. – Sempre achei que Dereck seria o monarca ideal para Noriah. Mas ele não poderia assumir, devido à tudo que isso implicaria.

- Acha que eu seria um bom rei? – disse Dereck impressionado. – Você se prepara para assumir este papel desde que nasceu, Magnus. Ninguém seria melhor rei que você.

A conversa estava bastante séria e tomando uma proporção que me assustava, mas ao mesmo tempo eu estava sabendo de coisas que jamais imaginei saber.

- Vocês dois seriam ótimo reis. – eu disse. – Por isso acho que Noriah poderia lhes dar sim uma chance. Mas... Antes disso precisariam saber quem vocês realmente são. Magnus é o herdeiro do trono, mas nada diz que você não pode ser um conselheiro ou algo do tipo, Dereck, visto que você sabe muito mais sobre Noriah do que realmente fala, não é mesmo?

- Eu falo para Magnus o que sei. – contestou Dereck. – Mas nem sempre a minha visão é a como a sua, Katrina. Você está lá dentro da Zona... Eu simplesmente passo algumas horas lá. Não consigo ver tudo que acontece ou que desagrada o povo.

- Eu entendo...

- Eu... Agradeço pelas suas palavras. – disse Magnus. – Foram importantes para mim.

- Pra mim também. – disse Dereck. – Ter você aqui pode ser bem melhor do que eu imaginei.

- Eu que agradeço por deixarem eu expor minha humilde opinião, altezas. – falei sinceramente.

Eu realmente era uma privilegiada por estar ao lado daqueles dois homens que realmente podiam e queriam fazer a diferença. E eu lutaria com unhas e dentes por eles no poder. Os dois.

Até o final do dia o meu bloco já estava cheio de rabiscos e ideias sobre a festa. Mas as melhores ideias do dia não estavam anotadas ali. Mas estavam encravadas na minha mente... Ideias de revolução. Ideias de um mundo melhor em Noriah. Faltava somente 3 anos para Anne Marie deixar o poder. No entanto era muito tempo para o povo. Não esperariam todo este tempo para tentarem uma chance de uma vida melhor com a coroação de Magnus. Ele já assumiria com fins de expulsão ou morte. Tinha também os boatos de golpe da rainha, não deixando o próprio filho assumir ou comandando por trás dele. Eu tinha minhas dúvidas se Magnus deixaria Anne tomar decisões por ele quando fosse o rei. Mas não o conhecia o bastante para ter resposta para isso. A única certeza que eu tinha era que em três anos, o povo já teria derrubado a monarquia.

Uma batida na porta e apareceu Lana, sem aguardar autorização para entrar. Olhei para a mesa do homem que trabalhava comigo e ele não estava ali. Que momento ele havia saído que nem nos demos em conta?

- Boa noite, Altezas. A rainha deseja falar com a senhorita Lee sobre a festa. Agora.

Eu levantei e a acompanhei com meu bloco. A rainha Anne estava na sala onde eu havia sido recebida para entrevista quando a vi pessoalmente pela primeira vez. Vestia um terno amarelo escuro, quase mostarda e uma saia no mesmo tom. Maquiada de forma perfeita e com os cabelos parecidos recém saídos do salão. Eu a invejei... Pelo batom vermelho sangue que ela usava. De todas as coisas que eu tive que abrir mão para trabalhar ali, a maquiagem era a que mais me fazia falta. Quando em casa, eu usava todos os dias.

Quando me viu, sentada em seu trono, com as mãos confortavelmente recostadas uma de cada lado, ela sorriu irônica e traiçoeiramente.

- Boa noite, senhorita Lee. Fico feliz que tenha se recuperado bem.

- Obrigada, Majestade.

- Poderia me falar sobre suas ideias para a festa?

- Claro. – eu assenti.

Comecei a explicar todas as ideias que havia trocado com os príncipes. Quando acabei ela disse:

- E... O que Magnus pediu de presente?

Quando ela perguntou aquilo eu imaginei que ela já sabia sobre a minha proposta de pedido de presente.

- Pensamos em... Pedir alimentos... Para doar às famílias pobres. Seu filho alega já ter tudo que precisa...

- Pensamos ou foi você que pensou?

- Eu... Pensei e sugeri... E ele achou a ideia... Boa. – eu não conseguia sequer terminar a frase me sentindo em segurança.

O olhar que ela lançava para mim parecia querer me matar ali mesmo.

- Que ótima ideia, senhorita Lee. – disse ela me deixando incrédula. – Lana, por favor, anote que isso deverá ir grifado nos convites. Já chame imediatamente o jornal da Monarquia e agende para amanhã uma transmissão nacional. – ela olhou para mim e sorriu maliciosamente: - Diga ao mundo que a rainha decidiu que no aniversário e noivado de seu filho, futuro rei, todos deverão contribuir com alimentos para saciar a fome dos necessitados. Quem tem mais ajudando e contribuindo com quem tem menos... Como deve ser.

Dizendo isso ela levantou e foi saindo vagarosamente, como que contando os passos. Eu fiquei ali, vendo ela roubar a minha ideia e transmitir em rede nacional como se fosse sua. Antes de passar pela porta ela me chamou com o dedo indicador. Eu fui até lá e ela disse baixo, para não ser ouvida por ninguém:

- Querida, eu vou deixar você crescer mais e mais até ficar enorme e indispensável aqui dentro. Depois eu vou destruí-la e você ficará tão quebrada que jamais conseguira se reconstruir de tão pequenos que ficarão seus pedaços. E eu não falo do seu corpo... Eu falo da sua alma.

Dizendo isso ela saiu e eu fiquei ali, parada, sentindo meu sangue querendo deixar meu corpo, com meu pequeno bloco grudado no peito com tanta força, como se eu o tirasse dali, ela pegaria meu coração e o comeria no jantar.

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