登入Logo Sofia apareceu com um lindo vestido rendado verde. E por incrível que pareça, era exatamente do meu tamanho.
- Entre usar jeans e camiseta, eu fico com o vestido curto de renda comportado. – falei maravilhada com o resultado quando me olhei no espelho. – Agora me diga que tem maquiagem, fada madrinha.
- Mas é claro que sim. Quem não teria maquiagem?
- Achei que pudesse ser proibido inclusive trazer. – falei rindo.
- Não duvido... Mas sempre tem um batom clandestino por aqui.
Em pouco tempo ela voltou com uma maleta com tudo que eu precisava. Ela não ousou fazer a maquiagem porque eu era expert nisso. Já estava quase na hora, então eu não poderia perder muito tempo nos cabelos. Prendi num coque soltinho. Enfim, eu estava longe de me parecer com Katrina, dama de companhia, com seu uniforme que a deixava igual a todas.
- Como estou? – perguntei para Sofia.
- Divina! Vai lá e arrasa. Conquista o príncipe e realiza o sonho de todas nós.
Eu ri:
- Eu não quero isso.
- Quem não quereria o príncipe Magnus?
- Eu... – confessei. – Não posso dizer que ele não mexe comigo, pois de alguma forma, mexe. Mas eu não estou apaixonada por ele. Eu tenho certeza disto.
- Até porque ele te deu um tiro.
Eu ri novamente:
- Ele não fez de propósito, Sofia.
- Igual, se cuide esta noite. Quer levar uma faca?
- Claro que não. Estou segura com ele, acredite.
- Espero que sim. Vou rezar por você.
- Vou precisar de muita oração, amiga.
Saí linda em meu vestido verde rendado. Todos os olhares eram para mim por onde eu passava. O caminho até a escadaria que me levaria até o segundo andar era distante dali. Então aproveitei e me exibi um pouco pelo castelo em Noriah maquiada e vestindo uma roupa feminina e linda.
Quando cheguei à escadaria, antes que eu precisasse pedir autorização para subir, Magnus já me esperava no topo da escada. Ele me olhou demoradamente e eu aproveitei cada minuto daquela admiração mútua que estávamos tendo naquele momento. Ele também estava impecável, usando um terno cinza escuro com gravata no mesmo tom. Ainda bem que Sofia havia me arranjado um vestido, ou eu estaria destoando completamente dele. Era impossível eu não me sentir quase uma princesa enquanto subia elegantemente pela escada, com ele me aguardando com os braços para trás e todos os guardas nos olhando. Eu não teria uma cena de contos de fadas para comparar com aquele momento... Pois acho que aquele momento nunca havia sido vivido igual. Ele era só meu.
Mas como eu digo, eu não sou uma princesa. E ainda por cima, sou uma garota um tanto quanto azarada. Eu estava a três degraus para alcançá-lo quando ouvi:
- Magnus, meu amor...
Sim, era ela: Vitória Grimaldo, a noiva de Magnus. Ela estava no primeiro andar, tentando impedir o que ela sabia que estava acontecendo. Certamente se faria de desentendida. E eu, como não era burra, faria o mesmo. Como pude pensar que aquilo daria certo? Ele tinha um compromisso com ela. Não importava que ele dissesse que não gostava de Vitória. Ainda assim ele não contestou o noivado, assim como provavelmente não contestaria o casamento. E eu também tinha um compromisso: com dois homens. Meu noivo e futuro ex em poucas horas, Léo. E Dom, que eu queria intensamente que me pedisse para oficializarmos algo, de quem eu realmente gostava.
Fiquei parada onde estava. Ela subiu, com seus sapatos caros e seu terno de marca internacional. A bolsa dela devia custar o meu salário do mês, ou até mais. Olhei para Magnus, que estava perplexo. E depois para ela, que mantinha um sorriso no rosto. Quando ela se aproximou, eu disse:
- Lady Vitória, que prazer vê-la.
Ela me olhou dos pés a cabeça e disse:
- Poderia dizer o mesmo... Se lembrasse de onde realmente a conheço.
- Sou só a moça que levou um tiro do príncipe. – eu disse sorrindo ironicamente. – E atualmente a secretária de vossas altezas.
- Magnus, querido, já estava esperando por mim aqui?
Olhei para ele, que pensava no que responder. Mas eu fui mais rápida:
- Lady Vitória, vossa Alteza preparou um jantar especial para vocês. Eu só vim me certificar que tudo estava certo, pois já estou me retirando, visto que estou saindo de folga neste instante, conforme autorização do príncipe Dereck.
- Oh, Magnus, você fez isso mesmo?
- Sim... – ele disse.
Eu não olhei para ele. Desci as escadas firmemente e ouvi quando ela perguntou:
- Mas meu amor, como você sabia que eu viria?
Eu não ouvi a resposta e nem queria saber o que ele diria. Eu poderia até pensar em chorar, mas eu estava com tanta raiva de mim mesma que não consegui. Só senti uma dor forte no peito, segurando as lágrimas que não foram derramadas. Torci para que se afogassem com a comida ou que a cozinheira tivesse esquecido de colocar açúcar no sorvete.
Não sei como seria a noite deles, mas eu apostava que a minha com Dom seria muito melhor.
Usando o vestido do jantar que não aconteceu fui para minha casa, na Zona E, o lugar onde eu realmente pertencia e sempre me aguardariam ansiosos e não me trocariam por ninguém. Quando vi Leon e minha mãe abracei-os com tanta força que quase os esmaguei.
- Kat, você está tão linda. – disse minha mãe.
- Um vestido emprestado. – expliquei.
- Está tão linda...
- Obrigada.
- O que houve com seu ombro. – ela perguntou vendo o curativo.
- É uma longe história. Mas vou contar tudo.
E assim contei a ela tudo que havia acontecido nos últimos tempos, ocultando um fato ou outro que eu sabia que não deveria contar, como por exemplo todas as conversas com a rainha. Ela ficou preocupada por eu não estar mais no cargo de dama de companhia da rainha e sim no escritório dos príncipes.
- Vai ser melhor assim. – eu disse.
- Mas... E o salário?
- Garantiram que será o mesmo. E vou m****r tudo para vocês.
- Mas... Ainda assim é bastante dinheiro. Vou guardar para quando você voltar para casa e puder estudar novamente.
- Não quero que faça isso. Quero que vivam bem. É por isso que eu faço todo este esforço.
- Eu nunca terei como agradecer o que tem feito por mim e seu irmão.
- Eu que nunca terei como agradecer o que você fez por nós toda sua vida, mamãe.
- Eu sempre acreditei em você. Não concluiu a faculdade, como tanto desejava, mas tem um emprego que lhe paga o que nenhum outro pagaria.
- Eu sei... Nunca sonhei com este emprego, com trabalhar dentro do palácio... Mas estou me acostumando, embora sinta muita saudade da minha vida aqui fora. Sinto-me presa às vezes lá dentro.
- Chegaram a cancelar nossa estadia no hospital... No entanto depois disseram que foi um mal entendido. No entanto o doutor Domênico já havia providenciado tudo para nos trazer ao hospital da Zona E.
- Então... Vocês voltaram para o hospital da E?
- Sim. E fomos muito bem tratados. E você não precisou ficar em dívida com a realeza. Pelo menos, não por todo este tempo. – ela explicou.
- Eu... Não soube disso.
- Agora sabe. Agradeça ao seu amigo médico.
- Eu... Vou agradecer... Hoje mesmo, quando encontrá-lo.
- Precisa agradecer Léo também. Embora eu tenha feito isso todos os dias.
- Sim...
- Você tem bons amigos.
- Disso eu não tenho dúvidas. Mas... Como está meu pai?
Ela já desfez a cara de felicidade e voltou a ser a mesma Laura Lee amarga de sempre:
- No quarto, do mesmo jeito de sempre.
Eu fui até o quarto de Adolfo Lee. Estava com muita saudade também.
- Minha princesa.
- Pai...
Eu subi para a cama e o abracei com força, até quase sufocá-lo de tanto carinho. Eu imaginei que ele estava precisando.
- Como sinto sua falta. – ele admitiu.
- E eu a sua. Como se sente?
- Saudade... De você.
- Leon está bem... E em casa novamente.
- Sim, Deus é bom conosco. E até comigo, que nem mereço.
- Não comece, papai. Você merece tudo.
- Eu não mereço.
- Eu só não entendo uma coisa, papai...
- O que?
- De todas as coisas que você acha que fez errado, como você teve coragem de dormir com a rainha Anne Marie?
Ele me olhou atônito. Sim, devia estar passando pela sua cabeça como eu soube da verdade que ele tentou esconder por tanto tempo.
- Eu sei de tudo... Ou quase tudo. – expliquei.
- Quem... Contou-lhe? Sua mãe jurou...
- Minha mãe? – perguntei surpresa. – Ela sabe disso?
Minha mãe sabia da traição. Agora eu tinha certeza disto. Como ela conseguiu não nos contar? Eu agora entendia um pouco a raiva e a indiferença com que ela tratava o próprio marido. Não bastou ser traída... Ele ainda perdeu todo nosso patrimônio no jogo depois de ter passado anos bebendo por todos os bares da Zona E.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







