INICIAR SESIÓNAntes que chegasse o fim da tarde para que eu pudesse ir, conforme a permissão que eu tinha do príncipe, fui até o jardim dos empregados. Era um pequeno espaço ao ar livre, cercado com madeiras finas e enfeitadas, pintadas de branco. Tinha alguns pergolados espalhados sobre o gramado e eu sentia falta de flores, visto que era um jardim. Comecei a leitura de um livro sobre a antiga monarquia em Noriah, antes da divisão entre norte e sul. Quando percebi estava organizando mentalmente o que eu faria naquela noite. E imaginando como seria reencontrar Dom depois do ocorrido na enfermaria.
- Pensando no que fará amanhã?
Fiquei surpresa ao ouvir Magnus atrás de mim. Levantei os olhos surpresa para ele. Usava bermuda, camiseta e tênis de corrida.
- Na verdade, não... Vou sair hoje. – expliquei.
Os poucos presentes no jardim imediatamente foram até o príncipe, cumprimentando-o e fazendo reverência. Claro que mesmo depois que voltaram ao que estavam fazendo, os olhares pairaram sobre nós: curiosos e maliciosos.
- Hoje? Mas... O dia de saída é amanhã.
- Eu pedi permissão ao príncipe Dereck. Como bem sabe alteza, meu irmão está em casa. É muito importante para mim ficar com ele o máximo de tempo que eu conseguir.
- Entendo... Só não entendo quando dispensa algumas regalias. No entanto pede outras.
- Eu não diria uma regalia, Alteza. É de importância, por isso fiz o pedido. Parece-me que de alguma forma isso lhe incomodou.
- Não... Se meu irmão julgou importante, quem sou eu para contestar? Nem todos tem sua ousadia, senhorita Lee.
- Não vi como um ato de ousadia, mas como eu disse, não entendo porque lhe incomodou tanto eu sair para ver meu irmão e minha família.
- E seu noivo? O verá também?
- Creio que sim... – falei confusa.
- Hoje ou amanhã?
- Eu... Não sei.
Olhei-o pedindo mais explicações. Eu estava brava com a invasão à minha vida pessoal.
- Preciso dar satisfações da minha vida pessoal? – perguntei. – Achei que o que eu fazia fora do castelo não lhe interessava, Alteza.
- Realmente não interessa. A não ser que você precise fazer algo fora do que está no seu contrato. Então sim, precisa justificar.
- Preciso m****r-lhe por escrito, assinado, o motivo? – ironizei furiosa.
- Não... Esqueça. Realmente o que você faz fora do seu horário de trabalho não me diz respeito.
O sol estava quente, anunciando uma noite agradável. A primavera já tinha ares de verão, anoitecendo cada vez mais tarde.
- Eu... Vou correr. – ele disse.
- Fiquei à vontade, Alteza.
- Caso queira pisar na grama, fique à vontade também. – ele disse rindo.
- Não... Obrigada.
- Já sei que você gosta de regalias.
- De algumas posso abrir mão.
Ele tirou a camisa e começou a se alongar. Eu poderia fechar meus olhos para não ver o corpo perfeito dele na minha frente. Ele tinha um abdômen esculpido como um desenho e sem nenhuma gordura. Um homem... Que eu nunca tinha visto daquela forma na minha frente. Havia visto Kim, mas ele não contava. Se era intenção dele chamar a atenção, havia conseguido. As conversas de todos no jardim foram ficando cada vez mais escassas e não havia nenhum olhar ali que não fosse para ele. Percebi algumas tatuagens no corpo do príncipe, o que me impressionou. Jamais me passou pela cabeça que ele poderia ter o corpo tatuado. Tentei novamente focar no meu livro que era a coisa mais útil que eu tinha para fugir meus olhos dele. Logo ele saiu para sua corrida, deixando a camiseta jogada no banco que eu estava sentada. Dobrei-a e coloquei no encosto, para quando ele lembrasse de buscar. Enquanto ninguém escondia os olhares, eu tentava disfarçar. Não sabia se ele corria sempre naquele lugar ou se estava fazendo aquilo somente naquele dia. Também não conseguia entender porque ele ficou tão incomodado por eu sair algumas horas antes do que deveria. Isso não interferiria em nada no meu trabalho ou na vida do príncipe. Ele também soube no dia anterior que meu irmão estava em casa. Devia imaginar que eu estaria com saudade depois de tanto tempo sem vê-lo. Magnus não sabia sobre meus encontros em grupos secretos nas noites de sábado... E nunca saberia.
Eu levantei. Iria tomar um banho e me arrumar para sair. Logo estaria na hora. Enquanto saía do jardim, fui andando devagar pela calçada ao lado do gramado gigantesco. Quando vi ele estava ao meu lado, o corpo inteiramente suado, ainda assim perfeito e belo. Tentei desviar o olhar.
- Já vai?
- Sim. – confirmei.
- Sem pisar na grama?
- Sem pisar na grama. – confirmei.
- Poderia parar um pouco de andar?
Eu parei e encarei-o:
- O que exatamente você quer, Alteza?
- Você... Viu minha camisa?
Acho que ele não queria realmente perguntar aquilo. No entanto, respondi:
- Você deixou no banco... Quer que eu busque?
- Não.
Eu ia voltar a caminhar quando ele disse parou na minha frente. Olhei para cima para alcançar os olhos dele.
- Eu... Estive pensando...
Eu continuei a fitá-lo. Parecia difícil para ele dizer o que queria. Arqueei minhas sobrancelhas indagativamente.
- Se eu convidasse você para jantar comigo, aceitaria?
Eu senti meu coração acelerar. Olhei para o chão, para o gramado... Só não conseguia olhar nos olhos dele com medo que meu corpo me denunciasse o que eu sentia com aquele convite.
- Eu gostaria de falar sobre... Os problemas atuais que estamos tendo com a monarquia em Noriah.
- Quando? – perguntei com voz baixa, inaudível.
- Hoje.
- Hoje?
- Sim... Hoje. – ele confirmou.
- Eu... Pedi para o príncipe Dereck permissão para sair mais cedo. Quero ver minha família. Isso é importante para mim. Não poderia ser amanhã?
- Não. Eu... Tenho compromisso amanhã. E depois... E talvez depois também. É difícil conseguir uma noite livre...
- O que sua mãe diria se soubesse sobre isso?
- Ela não saberia. Ela tem um jantar importante hoje, fora do castelo.
- Por isso tem que ser exatamente hoje?
- Sim.
Era escolher entre jantar com o príncipe Magnus e falar sobre a monarquia e seus problemas ou ter uma noite de aventuras com Dom, tentando resolver também as dificuldades do reino. Eu estava confusa. Havia planejado cada minuto do tempo que eu estaria com Dom naquela noite. Claro que eu veria Leon e minha mãe, mas a noite de sábado era dedicada ao movimento anti monarquia, os beijos ardentes e carícias com Dom e o término do noivado com Léo.
- Eu aceito. – me vi dizendo quase sem entender porque eu havia dito sim.
- Há uma sala no segundo andar, duas portas depois da sala de Lana. Estarei esperando você lá.
- O príncipe Dereck estará? – perguntei.
- Não... A não ser que você queira. – ele indagou olhando nos meus olhos.
- Por mim... Tudo bem.
- Algo mais que você queira saber? – ele perguntou.
- Faz tempo que tem as tatuagens?
Ele riu:
- Eu me referi ao jantar.
- Me desculpe.
- Tudo bem... Algumas tatuei há mais tempo, outras são mais recentes. Mas todas tem um significado especial.
- Mais alguma pergunta?
- Posso... Retirar-me?
- Claro... Se estiver tão incomodada assim com a minha presença.
- Estou incomodada com sua falta de roupa. – confessei.
- Duvido que não tenha visto um homem sem camisa antes na sua frente, senhorita Lee. – ele falou maliciosamente.
Eu não respondi.
- Ou o fato de eu estar sem camisa desperta algo na senhorita?
- Alteza, você é muito pretensioso.
Ele sorriu e disse:
- Nos vemos à noite. Dezenove horas na sala indicada. Os guardas autorizarão sua entrada.
- Ok.
Eu não sabia se havia feito certo em aceitar. Enquanto voltava para dentro do castelo, ele disse:
- Senhorita Lee?
Parei e olhei-o interrogativamente.
- Quer que eu use camisa?
Eu virei e continuei meu caminho. Magnus não costumava ser daquele jeito. Sempre fora mais sério. O fato de ele estar agindo maliciosamente comigo me deixava ainda mais confusa. Estaria ele tendo algum tipo de sentimento por mim ou somente brincando com a nova criada? Até que ponto eu podia confiar naquele homem? Ou no seu irmão?
Quando cheguei ao meu quarto, deitei na cama e tive muita incerteza quanto à minha decisão. Era perigoso jantar com Magnus. Eu levaria mais quinze dias para ver Dom novamente. Isso se mais uma vez Dereck permitisse que eu tivesse uma regalia a mais. Não era só Dom que importava, mas também o que aconteceria no encontro secreto. Eu precisava saber o que realmente estava acontecendo fora do castelo quanto à popularidade da rainha Anne, bem como sobre a tentativa de atirarem nela. Eu sabia que podia procurar Dom no hospital no domingo, mas não tinha certeza se ele queria que eu fizesse aquilo.
Tomei um banho e coloquei um jeans e uma camisa branca. Completei com um scarpin. Eu não tinha outra roupa para vestir.
Sofia chegou.
- Então, deu certo? O príncipe deixou você sair?
- Sim... – eu disse.
- Já está indo?
- Não.
- Como assim? – perguntou ela confusa deitando na minha cama.
- Sofia... O príncipe Magnus me convidou para jantar no segundo andar.
Ele me fitou sem dizer uma palavra. O silêncio foi ficando pesado entre nós duas, então eu disse:
- Eu aceitei.
- Eu... Imaginei que você teria aceitado. Então o jantar é para você?
- Você... Sabe do jantar? – perguntei.
- Ele pediu para preparar um jantar especial para dois, sem carne. – ela disse piscando os olhos várias vezes. – Sem carne... E com muito sorvete de morango. Eu devia imaginar que não era para Lady Vitória.
Ela levantou da cama e disse:
- Kat, eu não sei se fico feliz ou triste por você.
- Nem eu. – confessei.
- Isso é um tanto quanto arriscado. Jantar com o príncipe Magnus... A rainha sabe?
- O que você acha? Claro que não. Ela jamais aceitaria isso.
- Então... Um risco maior fazendo algo escondido dela. Aqui ela sabe tudo que acontece.
- Eu... Sei. Mas não tenho medo da rainha. Bem... Só um pouco. – confessei.
- E se Magnus estiver apaixonado por você?
- Não... Ele não está.
- Como você sabe?
- Porque... Eu sei.
- Então porque diabos ele convidou você para jantar? Quando acha que uma empregada do castelo jantou com o príncipe? Nunca...
- Estou um pouco assustada com tudo. Não sei se deveria ter aceitado. Mas foi mais forte que eu quando o vi... Todo suado com seu corpo perfeito e tatuado...
- Você falou com ele quando ele estava correndo sem camisa?
- Sim...
- Então sua situação é ainda pior... Todo mundo sabe que ele correu hoje sem camisa exibindo seu belo corpo a quem quisesse ver. Acho que este é o assunto do ano entre os empregados.
- Eu... Não voltei para a ala comum hoje.
- Verá todas as mulheres suspirando pelo príncipe Magnus... E sonhando, amiga. Mas para você isso não é um sonho... É como se fosse um conto de fadas.
Eu ri:
- Às vezes também parece que estou vivendo um conto de fadas... Mas daí a realidade de faz voltar a ver tudo como realmente é.
- Você... Não está apaixonada por ele, não é mesmo? Eu vi nos seus olhos que você gosta do seu noivo.
- Do meu noivo?
- Dom...
- Dom... – falei confusa, lembrando que havia dito a ela que Dom era meu noivo. Explicar a verdade naquele momento estava fora de questão. Ela jamais entenderia. – Sofia... Eu deixei a oportunidade de ver Dom para jantar com Magnus, com quem fico todos os dias junto. Sinceramente não sei se fiz certo. Eu pensei em Dom todos estes dias que não o vi. E agora que posso encontrar-me com ele eu simplesmente abro mão.
- Pode ver Dom amanhã. – ela disse. – Precisa ver o que o príncipe realmente quer.
- Tem razão.
- Você... Não vai com esta roupa, não é mesmo?
- Eu não tenho outra.
- Boa noite, senhorita Lee. Sou Sofia, sua fada madrinha. – disse ela fazendo uma reverência e mostrando os belos dentes brancos que quase saíam de sua boca de tão feliz que ela estava.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







