INICIAR SESIÓNPoderia ser qualquer pessoa que nos veria, mas o destino quis que fosse Kim, com sua máscara alegre e colorida, bem como suas roupas. Quando ele nos viu olhou diretamente para nossas mãos e disse:
- Agora vocês vão assumir isso?
- Por que não? – disse Dom.
- Acho que não é o melhor momento.
- Por quê? – perguntei confusa ao meu amigo.
- Dom, você vai anunciar que está assumindo a união de dois grupos enormes. Haverá muita pressão sobre você. E também o perigo será maior tanto dentro quanto fora daqui. Katee já não está segura nem dentro do castelo. Vamos tentar proteger todo mundo.
- Você... Tem razão. – disse Dom. – Não havia pensado nisso... Fui levado pela emoção... Justo eu, que sempre priorizei a segurança de todos.
- Precisamos deixar a emoção de fora nestes encontros e sermos levados somente pela razão. – continuou Kim.
Dom me deu um beijo nos lábios e saiu.
- Por que você fez isso, Kim? – perguntei irritada.
- Porque eu sou a razão aqui, querida. Você a perdeu a sua completamente e já faz um bom tempo.
- Isso... Não é verdade.
- Acha mesmo que você vai conseguir manter este relacionamento com Dom nos finais de semana, continuando a flertar com o príncipe Magnus durante a semana e vai ficar tudo bem? Não pensou no que você realmente está fazendo?
- Eu não estou fazendo isso. É Dom que eu quero.
- Você quer Dom... Mas é nítido que você e Magnus estão se aproximando e você sabe disso. Magnus é o príncipe, futuro rei. Dom luta contra a monarquia, e contra Magnus. Isso nunca vai ficar bem, Kat. Os dois são opostos, são inimigos. Você não pode fomentar isso.
Eu o olhei confusa.
- Não transforme isso não só numa disputa política ou de poder, Kat. Onde está Magnus agora?
- Jantando com sua noiva. – expliquei.
- Então você acha que não há nenhuma possibilidade de haver algo entre vocês? E a forma como ele a olhava na enfermaria do castelo naquele dia? Ele e Dom só faltaram brigar com você ali mesmo, feito dois garotos.
- Era para eu estar jantando com Magnus. Ele organizou tudo, mas Vitória apareceu. – eu confessei.
- Kat... Você está ficando louca...
- Você sempre me incentivou... A buscar o que eu queria.
- Sim... Mas desde que não corresse risco. Neste caso, você corre risco com qualquer um dos dois. Se Magnus vier a se apaixonar por você, a rainha irá destruí-la, Kat. E você sofrerá tanto que eu nem sou capaz de pensar nisso acontecendo. Dom é um rebelde anti monarquia conhecido por todos os grupos. A rainha deve querer a cabeça dele mais que qualquer coisa.
- Então acabamos com a rainha. – eu sugeri. – E tudo fica bem.
- E você livre para ficar com Dom e Magnus? – ele disse ironicamente.
O olhei sem palavras. Ele me abraçou com força.
- Baby, eu só quero o seu bem... Só quero que você seja feliz.
- Eu sei... Juro que sei. Pelo menos devolvi o anel para Léo. – mostrei o dedo.
- Pelo menos isso... Um a menos nesta confusão.
Descemos abraçados, como há muito não fazíamos. Depois de um tempo Dom e King anunciaram a fusão a um novo grande grupo, que Dom lideraria. O próximo encontro seria bem maior e exigiria um espaço mais amplo, o que não era fácil para conseguir sem levantar suspeitas. Apesar de estar orgulhosa por Dom e saber de sua capacidade de liderança eu temia por ele também. Ficaria ainda mais visado do que já era. Tudo que fazíamos era arriscado, mas para ele era ainda mais. Ele fez um discurso perfeito, mas cheio de clamores pelo fim da monarquia. Quando ele acabou, King interviu, voltando ao assunto já discutido sobre o poder de Magnus e a esperança de ele ser um bom rei. A discussão ficou entre não conhecerem Magnus o suficiente para ter certeza, ele ser manipulado pela mãe, que poderia continuar no poder por trás dele e o casamento com a nada amada pelo povo senhorita Grimaldo. No fim, tudo que Magnus precisava, era aparecer mais e mostrar que ele era um príncipe ativo na monarquia, apresentar suas ideias e mostrar ao povo que ele queria fazer de Noriah um lugar diferente do que sua mãe fazia. E isso seria difícil, pois a rainha não lhe daria esta chance, mesmo que ele quisesse. Eu sabia que tanto King quanto Dom esperavam que eu falasse algo. Mas preferi me calar. Eu gostava de Magnus, mas também não o conhecia o suficiente para saber se ele iria contra a própria mãe para assumir os riscos de retirar a coroa dela. Não sabia exatamente o que ele pensava sobre o golpe na rainha ou se sabia desta possibilidade para salvar o reino de Noriah e não transformá-lo numa Noriah Sul também república. Eu sempre sonhei com o reino destruído e sermos um país como a maioria ao nosso redor. No entanto hoje eu percebia que politicamente todos tinham problemas. Claro que ser comandado por Anne Marie Chevalier era pior que tudo. Mas nos tornarmos república não era sinônimo de um futuro perfeito para todos.
Quando fomos procurar por Léo para ir embora não o encontramos. Certamente ele fez aquilo de propósito para nos deixar sozinhos na Zona C. Não era pior que na F, então eu, Kim e Diana não tivemos muito medo de sair pelas ruas na madrugada. Deixei minha máscara de Katee na bolsa e fiquei desfilando pelas ruas desertas e bem iluminadas meu lindo vestido de renda emprestado. Kim e Diane riam enquanto eu rodava como uma criança. Eu estava feliz. Estava com meus amigos. Viva. E sem um anel dado por um homem que eu não gostava preso ao meu dedo.
Um carro com os vidros escuros parou ao nosso lado e ficamos um pouco temerosos. Afinal, não conhecíamos ninguém ali. Mas nos tranquilizamos quando vimos Dom.
- Para onde vão? – ele perguntou.
- Zona E. – disse Kim. – Mas podemos ir caminhando sem problemas, Dom. Não se preocupe conosco.
- Faço questão de levá-los.
Quando entramos no carro estávamos sem nossas máscaras embora ele usasse a sua. Então ficou claro para Diana que ele sabia quem éramos. Vi nos olhos dela a confusão, então expliquei brevemente enquanto sentava na frente:
- Eu conheci Dom... Fora do grupo...
- Mas... Isso não pode. – ela advertiu. – Pensei que isso não acontecesse, para nossa própria segurança.
- Não costuma acontecer. Foi um acidente. – disse Dom. – Mas jamais eu revelaria a identidade de vocês.
- Como eu posso ter certeza disso? – perguntou Diana.
- Porque eu também sei a dele. – eu disse.
O caminho foi em silêncio até largarmos Diana, que não quis de forma alguma ser deixada em sua casa, por medo. Eu a entendia. Talvez também fizesse o mesmo se não confiasse em Dom como eu confiava. Quando deixamos Kim, ele disse:
- Comportem-se.
- Nos vemos amanhã? – perguntei a ele.
- Sim. Claro que não vou deixá-la partir sem conversarmos melhor.
Quando Dom se dirigiu a minha casa eu fiquei um pouco nervosa. Estávamos somente nós dois ali, sozinhos. Eu imaginei como seria aquele momento muitas vezes. E ele estava acontecendo. Ele retirou a máscara, colocando ao meu lado.
- De onde você é? – eu perguntei.
- Zona C. – ele respondeu tranquilamente.
- Mora com sua família?
- Sozinho. Já morei com alguém. Não deu certo.
- Já foi casado?
- Não oficialmente.
- Quantos anos você tem?
- 25.
- A cicatriz no seu rosto? Como foi?
- Uma adaga. Briga em grupo anti monarquia na adolescência.
Eu ri:
- Um anti monarquista desde cedo.
- Desde sempre. – ele disse. – Família anti monarquista. E você?
- Quase 20 anos de idade. Moro com meus pais e Leon, que você já teve o prazer de conhecer. Meu pai foi viciado em bebida e nos últimos tempos se viciou em jogos de azar. Perdeu nossa própria casa na mesa de cartas. Por isso tive que obrigatoriamente assumir o sustento da família e abandonar a faculdade.
- E seu irmão mais velho?
- Problemático... Não mora conosco. Mas temos uma boa relação... Embora ele tenha tentado me convencer a me prostituir para ganhar dinheiro.
Ele me olhou perplexo:
- Ele fez isso?
- Sim... Mas eu prefiro pensar que não foi de coração que ele fez esta proposta.
- A proposta em si já é bem horrível.
- Eu sei. Sempre tento ver o lado bom das pessoas. Procuro acreditar que todos tenham uma história que justifique as coisas ruins.
- Até mesmo a rainha?
- Isso nãos se aplica à rainha Anne Marie Chevalier. Ela é a única exceção. – eu disse.
- E sua relação com seu pai?
- Boa. Ele é doente e por isso eu justifico suas ações. Kevin não pensa desta forma. Por isso se rebelou e... Acabou indo embora.
- Tenho uma boa relação com meus pais. Sou filho único. Meu pai é médico também. Minha mãe é enfermeira. Eles são um casal feliz.
- E... Sobre sua companheira?
- Era colega de trabalho. Namoramos um tempo e depois decidimos morar juntos. Não tínhamos os mesmo ideais...
- Ela não partilhava das ideias do movimento rebelde?
- Mais ou menos isso...
- E isso era mais importante do que os seus sentimentos por ela?
- Acho que os sentimentos não eram fortes o suficiente para aceitar as diferenças. Ambos superamos bem o fim da relação. E você e Léo?
- Amigos de muitos anos. Ele sempre gostou de mim. Eu nunca consegui gostar dele mais do que isto. Acabei aceitando o namoro por pressão e o noivado por... Gratidão, como você bem sabe.
- E hoje decidiu acabar.
- Sim... Não deu mais para suportar. Eu fiquei com medo de passar a odiá-lo.
Paramos em frente a minha casa.
- Nos conhecemos um pouco agora. – ele disse sorrindo. – Talvez não o suficiente, mas já é um bom começo.
- Estou satisfeita com esta conversa. – eu disse passando o dedo carinhosamente sobre a pequena cicatriz no rosto dele.
- Não me provoque... – ele disse me olhando nos olhos. – Eu posso não responder por mim.
- É tudo que eu quero... Que você não responda por você.
Aquelas palavras foram suficientes para acender o fogo que existia entre nós. Ter Dom nos meus braços era a melhor coisa que acontecera nos últimos tempos na minha vida.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







