Início / Romance / A Dama de Companhia / Capítulo 56 - King

Compartilhar

Capítulo 56 - King

last update Data de publicação: 2021-06-28 06:08:37

Aguardei quase trinta minutos ouvindo conversas de vários grupos diferentes até que Dom chegasse próximo de mim.

- Terminou com Léo? – ele perguntou em voz baixa enquanto eu andava sozinha para outro cômodo.

- Sim.

- Agora falta terminar com o príncipe Magnus.

Eu o olhei confusa:

- Como assim?

- Você ouviu o que eu falei.

- Eu... Não tenho nada com o príncipe Magnus.

- Não me pareceu isso quando optou ficar com ele naquele dia.

- Não optei ficar com ele, Dom. Optei por ficar no castelo.

- Me pareceram bastante íntimos.

- Dom... Por favor. Eu não tenho nada com Magnus.

- Nem deveria. Ele é o filho de Anne Marie Chevalier, a mulher que nos faz vir a estes encontros. Espero que não se esqueça disto.

- Eu não esqueci. Mas Magnus não é como ela.

- Ele lhe deu um tiro, Katee.

- Foi um acidente.

- E depois ele a obrigou a ficar no castelo. Não deixou que eu a tirasse de lá.

- Ele me deixou chamar você.

- Até perceber que poderíamos ter alguma intimidade.

- Não adianta eu explicar, Dom... Você não entenderia.

- Não, eu não entenderia mesmo. Acho que ele tira proveito da situação por ser o príncipe. Ele manipula você. A mantém prisioneira ao lado dele e você nem se dá conta.

- Acha mesmo que eu sou manipulável, Dom? Você não me conhece. – falei saindo furiosa.

Ele me puxou pelo braço e olhou nos meus olhos:

- Acho que não nos conhecemos, senhorita Katee.

- Porque você não quer. – completei.

- Eu não quero?

- Nunca tentou me encontrar fora daqui.

- Quando soube quem você era levou questão de dias para se tornar prisioneira no castelo de Noriah. Quer o quê? Que eu invada o castelo atrás de você? Ou espere a cada quinze dias uma visita?

- Obrigada por ter ajudado minha mãe e meu irmão.

- Eu faria isso por qualquer pessoa. É minha função enquanto médico.

Eu me desvencilhei dele com raiva e desci novamente. Talvez tivesse sido melhor acompanhar o jantar romântico de Magnus e Vitória. Dom me ignorava completamente. O que ele queria, afinal?

Vi o homem que antes conversava com Dom, já com outra mulher. Pareciam se divertir. Meus olhos encontraram os dele. E eu reconheceria aqueles olhos e aquela risada sedutora em qualquer lugar: príncipe Dereck. O que ele fazia no encontro anti monarquia?

Eu fui imediatamente até ele e interrompi sua conversa:

- Quem é você? – perguntei.

A mulher riu ironicamente e disse:

- Você está perguntando o nome dele? Por acaso não sabe que nossas identidades aqui são secretas? Ou por que acha que usamos máscaras e não falamos nossos nomes reais?

- Eu poderia arriscar seu nome... – falei olhando para ele.

- Com licença, senhorita Lua.

Ele saiu me levando gentilmente pelo braço para um canto.

- Conheço a senhorita?

- O que você faz aqui?

- Do que você está falando?

- Você sabe muito bem. – eu disse.

- Droga, você não deveria estar jantando com Magnus neste momento?

- Ele está jantando... Com Vitória, sua noiva.

- Mas... Como assim?

- Você se aproveitou que eu estaria no jantar e decidiu que iria frequentar um encontro anti monarquia? Ou você está me perseguindo, Dereck?

- Não... Não estou perseguindo você. Mas também não queria participar do encontro junto de você.

- Você planejou o jantar então?

- Não. Magnus fez isso. Eu só o ajudei.

- O que faz aqui?

- Eu venho aos encontros bem antes de você.

- O que o príncipe faz nos encontros anti monarquia? Você é a própria monarquia, Dereck Chevalier.

- Não fale isso aqui... Você está louca?

- Então seja sincero e me diga a verdade.

- Eu financio parte do grupo.

- Por que você faria isso? O que você quer? Quem é você, afinal?

- Não me chame de Dereck! – implorou ele. – Eu sou King.

- Ah, sim. E Black é Magnus. Poupe-me. Não subestime minha inteligência.

- Claro que não.

- Por quê?

- Eu queria o fim da monarquia. Magnus não queria ser rei. Mas agora tudo mudou.

- O que mudou?

- Eu já não desejo o fim da monarquia. Eu desejo destronar Anne Marie Chevalier e tornar Magnus rei antes da monarquia cair.

Olhei-o perplexa. Eu não tinha palavras.

- Magnus será um bom rei... E você sabe disso agora que convive com ele.

- A rainha sabe que você participa disto?

- Claro que não. Se ela soubesse, eu já estaria no calabouço, preso no subsolo.

- Como assim preso no subsolo?

- Onde estão escondidos os rebeldes desaparecidos por tanto tempo.

- E você sabe disso e nunca fez nada?

- Ela sabe que eu sou o único que sei. Se alguém souber, ela acaba comigo.

- Você é o filho dela.

- Acha mesmo que Anne Marie Chevalier me pouparia por ser o filho?

- Não. – admiti.

- Este é um dos grupos mais secretos, que menos pessoas foram pegas até agora. E isso graças ao que eu e Dom conseguimos.

- Dom sabe quem é você?

- Não. Este é o objetivo: que ninguém saiba as verdadeiras identidades. Não sei como você me reconheceu.

- Reconheci você aqui, mascarado. Reconheci Dom, sem máscara fora daqui. Será que no fim não nos reconheceremos todos aqui ou fora? – falei um pouco preocupada.

- Dom não me reconheceu quando me encontrou no castelo.

 - Nisso você tem razão. – admiti.

- Nós vamos conseguir, Katee. – ele disse. – Vamos colocar a coroa em Magnus.

- Quem disse que eu desejo Magnus usando a coroa?

- Eu digo que você quer... Você sabe que quer... E você é a melhor coisa que aconteceu a ele no castelo. Você é a realidade de fora que ele só vê agora. Até então Magnus não conhecia como era a vida fora do castelo. Katee você é real... E ele precisa de você.

- Ele não precisa de mim...

- Sim, ele precisa. Todos precisamos.

- Eu não sou como você pensa. Não pode largar tudo em minhas mãos, como seu eu fosse a solução para tudo.

Fomos interrompidos por Dom:

- Pelo visto vocês já se conheceram. – ele observou girando cuidadosamente seu vinho na taça. – Eu ia apresentar-lhes.

Eu e Dereck fingimos não nos conhecermos fora dali.

- Katee trabalha dentro do castelo, King, como eu lhe disse anteriormente.

- Isso pode ser bastante útil. – disse King.

- Posso fazer o que for necessário. – eu disse. – No entanto não trabalho mais com a rainha. Estou à disposição dos príncipes agora.

- Desta parte eu não sabia. – observou Dom me olhando friamente.

- E você, Dom, já lhe contou que liderará um grupo maior? – perguntou King.

- Como assim? – perguntei sentindo meu coração bater mais forte. – Dom não liderará mais o nosso grupo?

- Continuarei neste... E agregaremos outro. Seremos um dos maiores grupos do reino. – ele disse.

- Dom está presente desde o início dos movimentos. – disse King. – Há alguns anos atrás. A senhorita já participava de grupos, Katee?

- Sim... Mas um grupo bem menor. Embora nosso objetivo fosse o mesmo de todos os outros.

- Eu e Dom ainda não nos acertamos com relação a Magnus. – disse King. – Ele ainda insiste pelo fim total da monarquia, sem darmos uma chance ao príncipe que está na linha de sucessão.

- Como eu já expus minha opinião a Dom, acho Magnus diferente da rainha Anne e sei que ele pode fazer melhor que ela. Falo com a propriedade de quem está dentro do castelo e convive diariamente com ele. Sabemos o quanto destruir a monarquia por completo pode ser ruim para todos.

- O príncipe é tão diferente da mãe que deu um tiro nela. – disse Dom ironicamente, bebendo todo o líquido da taça de uma só vez.

King me olhou cinicamente e disse:

- O príncipe lhe deu um tiro? Como ele pôde fazer isso?

- Foi sem querer. – expliquei.

- Acredita que um príncipe que caça a vida toda, que deve ter aulas de tiro semanalmente, que tem uma floresta própria para caçar, teria confundido uma garota com um animal? – questionou Dom.

- Dom, Katee... Estou gostando muito desta discussão, mas vou me retirar. Acho que vocês dois precisam conversar a sós um pouco.

Ele saiu e nós dois ficamos sozinhos novamente. Eu não tinha nada para falar com ele. Só temia o fato de o grupo estar aumentando ainda mais. Queria que isso não o colocasse em risco.

-Eu... – ele começou a dizer quando foi chamado por outra pessoa.

Fiz minha parte e comecei a entrar nos pequenos grupos de conversa, levantando a hipótese de Magnus ser um bom rei. Inclusive espalhei aos quatro cantos do lugar que a ideia dos alimentos como presente de aniversário eu havia ouvido de fonte segura que era dele.

- Onde fica o toalete? – perguntei ao anfitrião.

- Terceiro andar, final do corredor.

Subi a escada e segui pelo corredor estreito com algumas portas beges. Havia algumas fotos de família nas paredes. Admirei a pessoa expor toda sua vida para aquele grupo. Embora dissesse que a casa era emprestada, eu não tinha muita certeza disso.

Quando abri a maçaneta da porta, fui empurrada para dentro do toalete. Dom me pressionou contra a porta, apertando o corpo dele contra o meu:

- Estou morrendo de saudade. – ele disse rouco olhando nos meus olhos.

- Eu... Também. – confessei.

Retirei a máscara dele e acariciei seu rosto liso. Eu esperei tanto tempo por aquele momento. Não queria saber sobre a monarquia. Eu queria só ele agora. Beijei-o com ardor, intensamente, sentindo nossas línguas se mexerem num mesmo ritmo. Quando ele desceu a boca quente e úmida pelo meu pescoço eu joguei minha máscara longe.

- Você está linda, Katrina. – ele disse sem parar de me beijar.

Eu sentia as mãos dele ávidas pelas minhas pernas, subindo pelas minhas coxas. De tantas incertezas que eu tinha na minha vida, Dom não era uma delas. Enquanto ele beijava meu colo, eu peguei os cabelos macios e finos dele, segurando com força, tamanho desejo que eu sentia com a forma como ele me tocava.

- Eu quero você, Dom... – confessei.

Antes que ele pudesse responder, alguém forçou a porta pelo lado de fora. Paramos. Por um segundo esquecemos onde estávamos.

- O que vamos fazer? – perguntei.

- Sair... – ele disse tentando se recompor.

Ele foi até a pia e jogou água gelada no rosto por um tempo. Depois recolocou sua máscara e entregou a minha.

- Você sai e eu fico? – perguntei.

- Saímos juntos. – ele disse abrindo a porta e pegando minha mão.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Dama de Companhia   EPÍLOGO (Katnus)

    Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,

  • A Dama de Companhia   Para sempre realeza

    Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N

  • A Dama de Companhia   Capítulo 114 - Dois príncipes

    O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-

  • A Dama de Companhia   Capítulo 113 - Por que não atirou em mim?

    - Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p

  • A Dama de Companhia   Capítulo 112 - Invasão ao castelo

    Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati

  • A Dama de Companhia   Capítulo 111 - Black e Katee

    As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status